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PAPA BENTO XVI
ANGELUS
Les Combes (Introd) - Vale de Aosta
Domingo, 23 de Julho de 2005
Amados Irmãos e Irmãs
Obrigado a todos vós pela recepção tão calorosa e cordial. Estou
grato a Vossa Excelência, pelas amáveis palavras de saudação, com que se referiu
ao facto de que na quinta-feira passada, diante do agravamento da situação no
Médio Oriente, proclamei para este domingo um especial dia de oração e de
penitência, convidando os Pastores, os fiéis e todos os crentes a implorarem de
Deus o dom da paz. Renovo com vigor o apelo às Partes em conflito, para que
cessem o fogo imediatamente e permitam o envio de ajudas humanitárias e para
que, com o auxílio da comunidade internacional, se procurem caminhos para o
início das negociações. Aproveito este ensejo para confirmar o direito dos
Libaneses à integridade e à soberania do seu país, o direito dos Israelenses a
viverem em paz no seu Estado e o direito dos Palestinos a terem uma Pátria livre
e soberana.
Além disso, estou particularmente próximo das populações civis
indefesas, injustamente atingidas num conflito do qual são apenas vítimas:
tanto das populações da Galileia, obrigadas a viver nos refúgios, como da grande
multidão de Libaneses que, uma vez mais, vêem destruído o seu país e tiveram que
abandonar tudo e procurar salvação em outro lugar. Elevo a Deus uma sentida
oração, a fim de que a aspiração à paz da esmagadora maioria das populações
possa realizar-se quanto antes, graças ao compromisso concorde dos responsáveis.
Renovo também o meu apelo a todas as organizações caritativas, a fim de que
transmitam àquelas populações a expressão concreta da solidariedade de todos.
Ontem celebrámos a memória litúrgica de Santa Maria Madalena,
discípula do Senhor, que nos Evangelhos ocupa um lugar de primeiro plano. São
Lucas enumera-a entre as mulheres que tinham seguido Jesus depois de terem sido
"curadas de espíritos malignos e de enfermidades", especificando que dela
"tinham saído sete demónios" (Lc 8, 2). Madalena estará presente aos pés da
Cruz, juntamente com a Mãe de Jesus e com outras mulheres. Ela descobrirá, na
manhã do primeiro dia após o sábado, o túmulo vazio, ao lado do qual permanecerá
em lágrimas, até que Jesus ressuscitado compareça diante dela (cf. Jo 20, 11). A
história de Maria Madalena recorda a todos uma verdade fundamental: discípulo
de Cristo é aquele que, na experiência da debilidade humana, teve a humildade de
lhe pedir ajuda, foi por Ele curado e se pôs no seu seguimento de perto,
tornando-se testemunha do poder do seu amor misericordioso, mais forte do que o
pecado e a morte.
Hoje celebramos a festa de Santa Brígida, uma das Santas
proclamadas pelo Papa João Paulo II Padroeiras da Europa. Santa Brígida veio da
Suécia para a Itália, viveu em Roma e foi também em peregrinação até à Terra
Santa. Com o seu testemunho, ela fala-nos da abertura aos diferentes povos e
civilizações. Peçamos-lhe que ajude a humanidade contemporânea a criar grandes
espaços de paz. Obtenha de modo particular do Senhor a paz na Terra Santa, pela
qual teve profundo carinho e veneração.
Também eu confio ao poder do amor divino toda a humanidade,
enquanto convido todos a rezarem a fim de que as amadas populações do Médio
Oriente consigam abandonar o caminho do conflito armado e construir, mediante a
audácia do diálogo, uma paz justa e duradoura. Maria, Rainha da paz, rogai por
nós!
***
Depois do Angelus
Queridos amigos do Vale de Aosta e todos vós, francófonos, que
vos unis à oração do Angelus, dirijo a minha cordial saudação. Na beleza da
criação, convido-vos a contemplar a beleza de Deus. Que neste período do ano,
cada um possa sentir-se convidado a descansar e a voltar-se cada vez mais para
Cristo, que permanece sempre presente ao nosso lado, para nos conduzir ao longo
do caminho da vida. O Senhor abençoe todos vós, assim como os vossos entes
queridos.
Às pessoas de expressão inglesa hoje aqui presentes,
especialmente ao grupo de Irmãs Missionárias de Maria, provenientes da Índia,
torno extensivas as minhas cordiais saudações.
Nesta bela região, podemos admirar o esplendor da criação de
Deus e dar graças pelas numerosas dádivas que Ele nos oferece. Recordemos nas
nossas orações as pessoas menos afortunadas, de maneira especial aquelas que
nestas horas estão a sofrer em virtude dos trágicos conflitos no Médio Oriente.
Invoco as bênçãos divinas da alegria e da paz sobre todos vós, as vossas
famílias e os vossos entes queridos que ficaram em casa.
Enfim, saúdo os peregrinos italianos, em particular os jovens e
os adolescentes dos Oratórios da Diocese de Aosta e das várias comunidades
paroquiais, o Grupo "Walser" e o seu Coral, acompanhados do Presidente da Câmara
Municipal de Gressonay; o Coral dos "míticos anjinhos", de Zelo Buon Pérsico,
Lodi; assim como os numerosos grupos juvenis, provenientes das Dioceses de
Milão, Saluzzo, Vercelli, Tortona e Roma. Além disso, saúdo os estudantes
universitários da Comunhão e Libertação, vindos de Turim e da Apúlia, e os
Seminaristas da Diocese de Alghero-Bosa, acompanhados dos seus educadores.
Agradeço-vos todo o vosso carinho!
Gostaria de saudar também os senhores jornalistas que me
acompanharam na minha permanência no Vale de Aosta. Estou-vos grato pelo vosso
trabalho neste período do ano, que para muitos é de férias. E asseguro-vos as
minhas preces pelas vossas intenções familiares e profissionais.
Desejo um bom Domingo a todos vós!
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