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MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI
AO PRESIDENTE DE RUANDA
POR OCASIÃO DO DIA ANUAL DE LUTO NACIONAL
QUE RECORDA O GENOCÍDIO DE 1994*

 

A Sua Ex. Senhor PAUL KAGAME
Presidente da República de Ruanda

O décimo terceiro aniversário do início do genocídio no seu amado país, Ruanda, que será celebrado a 7 de Abril com um dia de luto nacional, coincide com o Sábado Santo, segundo o calendário da Igreja católica e de outras confissões cristãs.

Para os crentes, este sábado não é um qualquer, mas trata-se de um dos dias mais importantes a nível litúrgico: depois da tragédia do Gólgota, onde os pagãos crucificaram o Inocente, os crentes aguardam a plena realização da palavra de Cristo que disse: "Eu sou a ressurreição e a vida" (Jo 11, 25).

Este sábado também será para os Ruandeses um dia muito importante e diferente dos outros, porque recordarão as centenas de milhares de pessoas inocentes que, há treze anos, foram vítimas de terríveis massacres do genocídio. Levados por esta onda de ódio e vingança, também muitos religiosos e eclesiásticos perderam a vida.

A Igreja conhece os efeitos do "mistério de iniquidade" (2 Tm 2, 7), mas também sabe que a morte não tem a última palavra, porque foi vencida pela morte vitoriosa do Filho de Deus e que todas as pessoas possuem qualidades e energias suficientes para triunfar sobre o mal com o bem, especialmente se são apoiadas pelo poder de Cristo Redentor.

Em sinal de proximidade e de comunhão com os seus cidadãos, os Bispos de Ruanda decidiram adiar a celebração de alguns sacramentos da Igreja baptismo e matrimónio porque estas celebrações normalmente são acompanhadas por festas em família e com os amigos, que não são compatíveis com o luto nacional.

Também eu desejo unir-me ao vosso luto nacional e em particular à oração por todas as vítimas desta horrível carnificina, sem distinção alguma de crença religiosa ou de pertença étnica e política.
Faço fervorosos votos por que todos os ruandeses, guiados pelas Autoridades civis e religiosas, se comprometam de modo mais generoso e eficaz em favor da reconciliação nacional e da reconstrução de um país novo, na verdade e na justiça, na unidade fraterna e na paz.

As motivações religiosas, que estão na base do compromisso dos católicos na vida quotidiana, familiar e social, e os princípios morais que daí derivam, constituem um ponto de encontro entre os cristãos e todos os homens de boa vontade (cf. Compêndio da Doutrina Social, 579).

A fé cristã, que é partilhada pela maioria do povo ruandês, constitui, se for vivida com coerência e em plenitude, uma ajuda eficaz para superar um passado de erros e de morte, cujo ponto culminante foi o genocídio de 1994; ao mesmo tempo, esta fé estimula a confiança na possibilidade oferecida a todos os Ruandeses, reconciliados entre si, de edificar juntos um futuro melhor, redescobrindo a novidade do amor, que é a única força que pode conduzir à perfeição pessoal e social, e orientar a história para o bem (ibid, n. 580).

Com estes votos, invoco sobre Vossa Excelência, Senhor Presidente, e sobre todo o povo ruandês, a Bênção de Deus Todo-Poderoso.

Vaticano, 3 de Abril de 2007.


*L'Osservatore Romano. Edição semanal em português n. 21 p. 7.

 

© Copyright 2007 - Libreria Editrice Vaticana

 

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