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MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI
POR OCASIÃO DO IV CENTENÁRIO DA MORTE DE SANTA MARIA MADALENA DE'PAZZI
(1566-1607)
Ao Venerado Irmão Senhor Cardeal ENNIO ANTONELLI Arcebispo de Florença
Por ocasião do IV centenário da morte de Santa Maria Madalena "de' Pazzi",
sinto-me feliz por me unir à amada Igreja florentina, que deseja recordar esta
sua filha ilustre, particularmente querida por ser figura emblemática de um
amor vivo que remete para a dimensão mística essencial de cada vida cristã.
Enquanto saúdo Vossa Eminência com afecto, Senhor Cardeal, e toda a Comunidade
diocesana, dou graças a Deus pelo dom desta Santa, que todas as gerações
descobrem singularmente próxima ao saber comunicar um fervoroso amor a Cristo e
à Igreja.
Tendo nascido em Florença a 2 de Abril de 1566 e baptizada na fonte do "bom
São João" com o nome de Catarina, santa Maria Madalena "de' Pazzi" desde a
juventude mostrou uma particular sensibilidade em relação ao sobrenatural e
sentiu-se atraída pelo diálogo íntimo com Deus. Como era costume para as jovens
de família nobre, a sua educação foi confiada às Damas de Malta, em cujo
mosteiro recebeu a primeira comunhão a 25 de Março de 1576 e alguns dias depois
entregou-se para sempre ao Senhor com uma promessa de virgindade. Regressando em
família, aprofundou o caminho da oração com a ajuda dos Padres Jesuítas, que
frequentavam o palácio.
Habilmente, conseguia não se deixar condicionar pelas exigências mundanas de
um ambiente que, mesmo sendo cristão, não lhe era suficiente no seu desejo de se
tornar mais semelhante ao seu Esposo crucificado. Neste contexto amadureceu a
decisão de deixar o mundo e de entrar no Carmelo de Santa Maria dos Anjos, no
Bairro São Fernando, onde a 30 de Janeiro de 1583 recebeu o hábito do Carmelo e
o nome de irmã Maria Madalena. Tendo adoecido gravemente em Março de 1584, pediu
para poder emitir a profissão antes do tempo e, a 27 de Maio, festa da Trindade,
levada em coro numa maca, pronunciou para sempre diante do Senhor os seus votos
de castidade, pobreza e obediência.
A partir daquele momento teve início uma intensa estação mística da qual
derivou para a Santa a fama de grande extática. São cinco os manuscritos nos
quais as Carmelitas de Santa Maria dos Anjos escreveram as experiências
extraordinárias da sua jovem irmã de hábito. Seguem-se "Os quarenta Dias" do
Verão de 1584, "Os Diálogos" da primeira metade do ano seguinte. O ápice do
conhecimento místico que Deus concedeu de si à irmã Maria Madalena encontra-se
em "Revelationi e Intelligentie", oito dias de maravilhosas êxtases que vão da
vigília de Pentecostes à festa da Trindade do ano de 1585. Uma intensa
experiência que, com apenas 19 anos de idade, a tornava capaz de abraçar todo o
mistério da salvação, da encarnação do Verbo no sentido de Maria até à descida
do Espírito Santo no Pentecostes. Seguiram-se cinco longos anos de purificação
interior Maria Madalena de' Pazzi fala deles no livro da "Probatione" nos quais
o Verbo seu Esposo lhe subtraiu o sentimento da graça e a deixou como Daniel na
fossa dos leões, entre muitas provações e grandes tentações. É neste contexto
que se insere o seu fervoroso compromisso pela renovação da Igreja, depois de
ter visto, no Verão de 1586, clarões de luz do alto que lhe mostraram o
verdadeiro estado em que ela se encontrava na época pós-tridentina.
Como
Catarina de Sena, sentiu-se "forçada" a escrever algumas cartas para solicitar,
junto do Papa, dos Cardeais da Cúria, do seu Arcebispo e de outras
personalidades eclesiásticas, um decidido compromisso pela "Renovação da
Igreja", como diz o título do manuscrito que as contém. Trata-se de doze cartas
ditadas em êxtase, talvez nunca enviadas, mas que permanecem como testemunho da
sua paixão pela Sponsa Verbi.
Com o Pentecostes de 1590 teve fim a dura provação. Isto permitiu-lhe
dedicar-se com todas as energias ao serviço da comunidade e em particular à
formação das noviças. A Irmã Maria Madalena teve o dom de viver a comunhão com
Deus duma forma cada vez mais interiorizada, de modo a tornar-se uma referência
para toda a comunidade, que ainda hoje continua a considerá-la como "mãe". O
amor purificado, que pulsava no seu coração, abria-lhe o desejo da plena
conformidade com Cristo, seu Esposo, até partilhar com ele o "despojado partir"
da cruz. Os últimos três anos da sua vida foram para ela um verdadeiro calvário
de sofrimentos. A tuberculose começou a manifestar-se claramente: a Irmã Maria
Madalena vê-se obrigada a retirar-se lentamente da vida activa da comunidade
para se imergir cada vez mais no "partir despojadamente por amor de Deus".
Encontrou-se oprimida por sofrimentos atrozes no físico e no espírito que
duraram até à morte, que aconteceu a 25 de Maio de 1607. Faleceu por volta das
três da tarde, enquanto uma alegria inusual invadia todo o mosteiro.
Não tinham transcorrido vinte anos da sua morte que já o Pontífice florentico
Urbano VIII a proclamava beata. Depois foi o Papa Clemente IX que a inscreveu no
Álbum dos Santos a 28 de Abril de 1669. O seu corpo permaneceu incorrupto e é
meta de constantes peregrinações. O mosteiro no qual a Santa viveu hoje é sede
do Seminário arquiepiscopal de Florença, que a venera como Padroeira, e a cela
na qual faleceu tornou-se uma capela em cujo silêncio se sente ainda a sua
presença.
Santa Maria Madalena de' Pazzi permaneceu uma espiritual presença inspiradora
para as Carmelitas de Antiga Observância. Nela elas vêem a "irmã" que percorreu
inteiramente o caminho da união transformadora com Deus e que indica em Maria a
"estrela" do caminho rumo à perfeição. Para todos esta grande Santa tem o dom de
ser mestra de espiritualidade, particularmente para os sacerdotes, para com os
quais sempre sentiu uma verdadeira paixão.
Desejo sentidamente que as presentes celebrações jubilares da sua morte
contribuam para fazer conhecer cada vez mais esta luminosa figura, que a todos
manifesta a dignidade e a beleza da vocação cristã. Como, enquanto ainda viva,
agarrando-se aos sinos solicitava as suas irmãs com o grito: "Vinde amar o
Amor!", a grande Mística de Florença, do seu Seminário, pelos mosteiros
carmelitas que nela se inspiram, possa ainda hoje fazer ouvir a sua voz em toda
a Igreja, difundindo o anúncio do amor de Deus por todas as criaturas humanas.
Com estes votos, confio-o, Venerado Irmão, e à Igreja florentina à celeste
protecção de Santa Maria Madalena de' Pazzi e de coração concedo a todos uma
especial Bênção Apostólica.
Vaticano, 29 de Abril de 2007.
BENEDICTUS PP. XVI
© Copyright 2007 - Libreria Editrice Vaticana
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