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DISCURSO DO PAPA BENTO XVI
AO SENHOR FAUSTO CORDOVEZ CHIRIBOGA
NOVO EMBAIXADOR DO EQUADOR JUNTO
DA SANTA SÉ POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO
DAS CARTAS CREDENCIAIS*

Sábado, 26 de Outubro de 2007


Senhor Embaixador

1. É-me grato receber as Cartas que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República do Equador junto da Santa Sé. Ao dar-lhe as minhas cordiais boas-vindas a este solene acto, desejo expressar mais uma vez o afecto sincero que sinto por todos os filhos e filhas dessa nobre Nação.

Agradeço-lhe a deferente saudação que se dignou transmitir-me da parte do Senhor Presidente Constitucional, Dr. Rafael Correa Delgado, assim como as amáveis expressões para com esta Sé Apostólica e para com a minha pessoa, as quais testemunham também os sentimentos filiais do povo equatoriano. Peço-lhe, portanto, a amabilidade de lhe fazer chegar o meu sincero reconhecimento.

2. Durante a minha visita ao Equador, como representante do Papa João Paulo II no ano de 1978, tive a ventura de me encontrar com um povo pacífico, sensível e acolhedor, mas sobretudo muito arraigado na fé cristã que, como Vossa Ex. ressaltou nas suas palavras, deu tantos frutos ao longo de várias gerações. Neste sentido desejo recordar Santa Marianita de Jesus e, de modo especial, a jovem leiga, Beata Narcisa de Jesus, tão querida pelo povo fiel, o qual deseja poder vê-la depressa canonizada.

Nos seus santos, os fiéis cristãos descobrem o fruto maduro de uma fé que marcou a sua história. Trata-se de um património transmitido ao longo dos séculos, e que sob diversas expressões de piedade popular e da arte, juntamente com os valores morais, cívicos e sociais, fazem parte da sua identidade como Nação.

3. Hoje a humanidade encontra-se perante novos cenários de liberdade e esperança, com frequência perturbados por situações políticas instáveis e pelas consequências de estruturas sociais débeis. Além disso, vai-se ampliando cada vez mais a interdependência entre os Estados. Por isso é necessário e urgente trabalhar para a construção de uma ordem interna e internacional que promova a convivência pacífica, a cooperação, o respeito dos direitos humanos e o reconhecimento, antes de tudo, do lugar central da pessoa e da sua inviolável dignidade.

Neste sentido, e pensando nos numerosos equatorianos que emigram para outros países em condições difíceis, procurando um futuro melhor para si mesmos e para as suas famílias, não podemos esquecer que "o amor caritas será sempre necessário, mesmo na sociedade mais justa.

Não há qualquer ordenamento estatal justo que possa tornar supérfluo o serviço do amor. Quem quer desfazer-se do amor, prepara-se para se desfazer do homem" (Deus caritas est, 28).

Portanto, a caridade é aquela que, como dom generoso de si ao outro, gerou e continua a gerar uma rede de obras educativas, assistenciais, de promoção e desenvolvimento, que honram a Igreja e a sociedade equatoriana.

4. A Igreja católica, mediante o seu próprio ministério pastoral, e que "em virtude da sua missão e natureza, não está ligada a forma alguma de cultura humana ou sistema político, económico ou social" (Gaudium et spes, 42), realiza uma importante contribuição para o bem comum do País. Vê-se assim a necessidade de promover e estimular o âmbito de liberdade que os textos constitucionais e legais do Equador lhe reconheceram. Por isso é desejável também que o novo ordenamento constitucional contemple as mais amplas garantias para a liberdade religiosa dos equatorianos, de modo que a Nação possa contar com uma ordem legal, também conforme com o contexto e os acordos internacionais.

5. A liberdade de acção da Igreja, além de ser um direito inalienável, é condição primordial para levar a cabo a sua missão entre o povo, inclusive em circunstâncias difíceis. Por isso, "não precisamos de um Estado que regule e domine tudo, mas de um Estado que generosamente reconheça e apoie, segundo o princípio de subsidiariedade, as iniciativas que nascem das diversas forças sociais" (Deus caritas est, 28).

6. Nem sequer pode ser outra a aspiração de um governo democrático empenhado em fomentar uma cultura de respeito e igualdade perante a lei, assim como uma prática exemplar da autoridade, orientada para servir todo o povo. Por tudo isto, o Governo equatoriano manifestou a sua decidida vontade de se preocupar com prioridade dos mais necessitados, inspirando-se na Doutrina Social da Igreja. É desejável, portanto, que os cidadãos possam usufruir de todos os direitos, juntamente com as suas relativas obrigações, obtendo melhores condições de vida e um acesso mais fácil a uma vida digna e ao trabalho, à educação e à saúde, no pleno respeito da vida desde a sua concepção até ao seu fim natural.

7. Senhor Embaixador, antes de concluir este encontro desejo expressar-lhe os meus melhores votos pelo feliz desempenho da sua alta missão, que ajude a fortalecer os vínculos tradicionais de diálogo e cooperação entre o Equador e a Santa Sé, pedindo-lhe a amabilidade de se fazer intérprete dos meus sentimentos junto do seu Governo e demais Autoridades nacionais. Ao mesmo tempo, tenho presente nas minhas orações o querido povo equatoriano, e imploro abundantes bênçãos do Altíssimo sobre o Equador, sobre Vossa Excelência, sua distinta família e seus colaboradores.


*L'Osservatore Romano n. 44 p. 9.

 

© Copyright 2007 - Libreria Editrice Vaticana

 

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