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VIAGEM APOSTÓLICA A MALTA
POR OCASIÃO DO 1950° ANIVERSÁRIO
DO NAUFRÁGIO DE SÃO PAULO
(17-18 DE ABRIL DE 2010)

CERIMÓNIA DE BOAS-VINDAS

DISCURSO DO PAPA BENTO XVI

Aeroporto Internacional de Malta - Luqa
Sábado, 17 de Abril de 2010

(Vídeo)

 

Senhor Presidente
Venerados Irmãos no Episcopado
Distintas Autoridades
Senhoras e Senhores!

Sinto-me feliz por estar entre vós. 

É para mim motivo de alegria estar hoje aqui em Malta convosco. Venho como peregrino para adorar o Senhor e louvá-lo pelas maravilhas que aqui realizou. Venho também como Sucessor de São Pedro para vos confirmar na fé (cf. Lc 22, 32) e unir-me a vós na oração ao único Deus vivo e verdadeiro, em companhia de todos os Santos, inclusive o grande Apóstolo de Malta, São Paulo. Mesmo se a minha visita será breve, rezo para que ela dê muitos frutos.

Senhor Presidente, estou-lhe grato pelas palavras gentis com as quais me deu as boas-vindas em seu nome e em nome do povo maltês. Agradeço-lhe o convite e o difícil trabalho que Vossa Excelência e o Governo realizaram para preparar a minha visita. Agradeço ao Primeiro-Ministro, às Autoridades civis e militares, ao Corpo Diplomático e a cada um de vós aqui reunidos para honrar esta circunstância mediante a vossa presença e as vossas cordiais boas-vindas.

Saúdo de modo especial o arcebispo Paulo Cremona, o bispo Mario Grech e o auxiliar Annetto Depasquale, assim como todos os demais bispos presentes. Ao saudar a vós, desejo expressar o meu afecto aos sacerdotes, aos diáconos, aos religiosos e às religiosas e a todos os fiéis leigos confiados aos vossos cuidados pastorais.

A ocasião da minha visita a estas ilhas é o 1950º aniversário do naufrágio de São Paulo nas praias da ilha de Malta. São Lucas descreve este acontecimento nos Actos dos Apóstolos, e foi da sua narração que escolhestes o tema da visita de hoje:  "Devemos encalhar numa ilha" (Act 27, 26). Alguém poderia considerar a chegada de São Paulo a Malta, através de um acontecimento humanamente não calculado, como um simples imprevisto da história. Contudo, os olhos da fé permitem-nos reconhecer nele a obra da Providencia Divina.

Na realidade, Malta foi uma encruzilhada de muitos dos grandes acontecimentos e dos intercâmbios culturais na história europeia e mediterrânea, até aos nossos dias. Estas ilhas desempenharam um papel-chave no desenvolvimento político, religioso e cultural da Europa, do Próximo Oriente e do Norte da África. Portanto, segundo os arcanos desígnios de Deus, o Evangelho foi trazido a estas terras por São Paulo e pelos primeiros seguidores de Cristo. A sua obra missionária deu muitos frutos ao longo dos séculos, contribuindo de inúmeras formas para plasmar a rica e nobre cultura de Malta.

Em relação à sua posição geográfica, estas ilhas foram de grande importância estratégica em mais de uma ocasião, inclusive em tempos recentes:  a "Georg Cross" colocada na bandeira nacional oferece um testemunho orgulhoso da grande coragem do vosso povo durante os dias sombrios da última guerra mundial. Do mesmo modo, as fortificações que sobressaem de modo tão proeminente na arquitectura da ilha falam de lutas precedentes, quando Malta contribuiu muitíssimo para a defesa da cristandade quer por terra quer por mar. Vós continuais a desempenhar um válido papel nos debates hodiernos sobre a identidade, a cultura e as políticas europeias. Ao mesmo tempo, estou feliz por realçar o compromisso do Governo nos projectos humanitários de amplo alcance, sobretudo em África. É profundamente desejável que isto possa servir para promover o bem-estar dos menos afortunados de vós, como expressão de genuína caridade crista.

Na realidade, Malta tem muito para oferecer em diversos campos, como a tolerância, a reciprocidade, a imigração e outras questões cruciais para o futuro deste Continente. A vossa Nação deveria continuar a defender a indissolubilidade do matrimónio como instituição natural e sacramental, assim como a verdadeira natureza da família, como já está a fazer em relação à sacralidade da vida humana desde a concepção até à morte natural, e o verdadeiro respeito que se deve ter em relação à liberdade religiosa segundo modalidades que levem a um autentico desenvolvimento integral quer dos indivíduos quer da sociedade.

Malta goza de vínculos estreitos com o Próximo Oriente, não só em termos culturais e religiosos, mas também linguísticos. Permiti que eu vos encoraje a colocar este conjunto de habilidades e de pontos de força em benefício de um seu maior uso, para poder servir de ponte na compreensão entre os povos, as culturas e as religiões presentes no Mediterrâneo. Muito deve ainda ser feito para construir relações de confiança genuína e de diálogo proveitoso, e Malta encontra-se numa boa posição para estender a mão da amizade aos seus vizinhos a Norte e a Sul, a Este e a Oeste.

O povo maltês, iluminado durante quase dois milénios pelos ensinamentos do Evangelho e continuamente enrobustecido pelas próprias raízes cristãs, sente-se justamente orgulhoso do papel indispensável que a fé católica desempenhou no desenvolvimento da própria Nação. A beleza da nossa fé é expressa aqui de vários modos complementares, sendo um deles as vidas de santidade que levaram os malteses a oferecerem-se a si mesmos pelo bem dos outros. Entre eles devemos incluir Dun Gorg Preca, que tive a alegria de canonizar há três anos (3 de Junho de 2007). Convido todos vós a invocar a sua intercessão para que esta minha visita pastoral entre vós de muitos frutos espirituais.

Espero rezar convosco durante o tempo que transcorrerei em Malta e gostaria, como pai e irmão, de vos garantir o meu afecto em relação a vós, assim como o meu desejo de partilhar este tempo na fé e na amizade. Com estes pensamentos, confio todos vós à protecção de Nossa Senhora de Ta' Pinu e do vosso pai na fé, o grande Apóstolo Paulo.

Deus abençoe todo o povo de Malta e de Gozo.

 

© Copyright 2010 - Libreria Editrice Vaticana

 

 

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