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MENSAGEM DO SANTO PADRE JOÃO PAULO I
POR OCASIÃO DO 85º KATHOLIKENTAG ALEMÃO

 

Ao nosso venerável Irmão OSKAR SAIER
Arcebispo de Friburgo

Tendo sido chamado há pouco, pela graça de Deus, a suceder a São Pedro, correspondemos ao desejo que manifestastes ao nosso venerável predecessor o Papa Paulo VI e este sancionou da melhor vontade. Com o mesmo espírito, a mesma estima e o mesmo amor que ele dedicou aos fiéis e às obras da Igreja Católica na Alemanha, dirigimos esta mensagem de saudação ao 85° "Katholikentag" a que a vossa sé diocesana oferece hospedagem.

"Quero dar-vos um futuro e dar-vos confiança": com o mote destas palavras divinas cheias de promessas, que nos transmitiu o Profeta Jeremias, reúnem-se a partir de hoje em Friburgo milhares de católicos alemães. Constitui já por si este acontecimento sinal de esperança e de confiança. Pode-se às vezes ter a impressão de a esperança cristã, ter perdido, no nosso mundo, a sua força estimulante. Por um lado, notamos o temor de viver e a dúvida, e, por outro, a pretensão impudente de as pessoas quererem edificar e garantir o seu futuro com as suas próprias forças. A toda a falta de fé, a todo o esforço estéril e a toda a violência cega opõe este "Katholikentag" o mote da certeza e da confiança. Recusando o orgulho e suficiência enganadora do homem, alicerça ele o futuro e a esperança só naquilo que é capaz de o conceder: em Deus, Senhor da história.

Venerável Irmão, caríssimos Filhos e Filhas, que vos reunistes para a solene cerimónia da inauguração!

Com a sua palavra de ordem, o Katholikentag de Friburgo compromete-se a esse serviço da Igreja que o Concilio Vaticano II pôs em realce quando, na Constituição pastoral Gaudium et Spes, afirmou: "As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças dos discípulos de Cristo, e nada existe de verdadeiramente humano que não encontre eco no seu coração" (G.S., 1). E na Constituição dogmática sobre a Igreja especifica: "Assim, o povo messiânico — a Igreja —, ainda que não abranja de facto todos os homens e apareça até frequentemente como um pequeno rebanho, constitui para toda a humanidade um germe fecundíssimo de unidade, de esperança e de salvação" (Lumen Gentium, 9). O que esperamos e pedimos a Deus para o Katholikentag de Friburgo é que a Igreja seja considerada e compreendida como sinal de esperança para o mundo.

Oxalá, durante estes dias de oração e reflexão, examineis, à luz dos evangelhos e na perspectiva da missão da Igreja, os diversos problemas actuais da vida religiosa, da comunidade e da responsabilidade do cristão ao edificar-se, para a humanidade, um futuro mais cheio de esperança. todavia o homem que deve sempre encontrar-se no centro das nossas reflexões e declarações. No meio das contestações e das aberrações da época actual, deve o homem encontrar na fé nova confiança, nova esperança e a coragem para vir a dar testemunho duma autêntica vida cristã.

Devemos sobretudo proclamar a autenticidade do homem, da qual deriva o seu inestimável valor, e lembrar que, em toda a sua profundidade e plenitude, ela não pode fundar-se senão no amor de Deus e na fidelidade a nós mesmos. Devemos mostrar que todo o valor humano é bem restrito, se apenas se funda no mundo. Para a nossa grandeza autêntica, só seremos libertados se nos basearmos na verdade e no amor redentor de Deus e apreciarmos, partindo de tal base, todos os acontecimentos da nossa vida terrena.

Graças ao seu Filho feito homem, foi-nos dado, como São Paulo nos certifica, ter acesso, pela fé, a esta graça, na qual permanecemos e também nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. E ainda: gloriamo-nos também nas tribulações, conhecedores como somos de que a tribulação produz a constância, a constância uma virtude , bem provada, e a virtude bem provada a esperança. E a esperança não nos engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi concedido (Rom. 5, 2-5). Nisto é que se encontra a raiz da nossa esperança cristã; em virtude desta fé convicta, podemos com imperturbável confiança proceder segundo a justiça em todas as situações da vida, nos conflitos de ideias e até nas dolorosas provações pessoais.

Esta esperança, que nasce da proximidade e da providência de Deus, dá aos pais a coragem de procriar filhos e de guiá-los neste mundo: Tal confiança acompanha as crianças e os jovens quando, com olhos espantados e ao mesmo tempo receosos, procuram o seu ponto de vista e tornam sobre si o risco de crescerem e se transformarem. A esperança cristã ajudará em seguida a juventude a acreditar no poder da fidelidade dentro do matrimónio; e permitirá ao homem e à mulher que a façam reinar com maior vigor na sua profissão. Encontramos na fé razões para fazer bem ao próximo e nos esforçarmos por viver unidos e em paz com ele. As pessoas idosas, ao nosso lado, encontram na mesma esperança cristã a certeza de o seu valor não diminuir aos olhos de Deus quando, enfraquecidas e cansadas, já não, podem trabalhar. E por fim, quando somos atingidos por doença grave e talvez mortal, tal certeza impede-nos de naufragar no pânico.

Com a esperança enraizada em Cristo, é sempre oferecida ao homem a graça de testemunhar a própria fé em Deus, mesmo na agonia.

Assim o tema destas "Jornadas Católicas" compromete individualmente cada cristão até. à própria raiz da sua existência. Da vida — que com a maior confiança e esperança orientamos em conformidade com as nossas convicções cristãs — brotam essas disposições para o sacrifício e essa perseverança no amor que devemos ao nosso próximo. Quando nos amar-mos uns aos outros, como o Senhor nos amou, os outros reconhecerão em nós discípulos seus (Cfr. Jo. 13, 34-35). Na medida em que o testamento de Jesus "para que todos sejam um" for cumprido na Igreja, poderá a cristandade realizar a sua missão de constituir sinal de esperança e da salvação para o mundo inteiro, a fim de que o mundo creia (Cfr. id. 17, 21).

O venerado e saudoso Arcebispo Hermann Scháufele, quando o Arcebispado de Friburgo festejava 150 anos a contar da erecção, transmitiu esta palavra de ordem: "Para que amanhã também eles possam crer...". Na verdade, se os homens de hoje puderem ainda crer n'Aquele que é o único a amar o mundo até aos seus confins, crer no seu Criador e Salvador, no Senhor e Soberano da história do mundo e de cada destino humano — que deseja se salvem todos os homens (Cfr. 1 Tim. 2, 4. ) — então haverá para a humanidade inteira e para cada pessoa em particular esse futuro e essa esperança, termo para que o 85° Katholikentag alemão quer mostrar o caminho.

Com os votos de que todos os participantes concorram com as suas orações, intervenções e acção pessoal para o êxito, rico de consequências, destas jornadas religiosas, saudamos, em união íntima com eles, todos os nossos irmãos no episcopado lá presentes, os sacerdotes e os religiosos, todos os fiéis, especialmente os jovens que, tanto para a Igreja como para a sociedade, estão destinados a ser portadores de esperança. Dirigi-mos também respeitosas saudações aos representantes das Igrejas cristãs e a todas as autoridades civis que honrarem com a sua presença essas horas solenes.

A todos quantos tomam parte nas Jornadas católicas de Friburgo e a todos os fiéis da Igreja Católica da Alemanha dirigimos estas palavras de São Paulo: O Deus da esperança vos encha plenamente de alegria e de paz, no vosso acto de fé, a fim de que abundeis na esperança, pela virtude do Espírito Santo (Rom. 15, 13).

Digne-se conceder-vo-lo Deus, Nosso Senhor, com a Bênção Apostólica que nós vos damos de todo o coração, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

JOÃO PAULO PP. I 

 

© Copyright 1978 - Libreria Editrice Vaticana

 

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