1. Todos nós, durante a celebração da liturgia deste Domingo de Ramos, ouvimos
as vozes que nos chegam através dos séculos e das gerações: "Bendito seja O que
vem em nome do Senhor! Hosana ao Filho de David!" (Mc 11, 9-10).
Ouvimos estas vozes e repetimo-las, confessando a nossa fé no Messias, o Ungido
de Deus.
Mas eis que, daquela mesma parte do mundo, da mesma cidade, nos chegam, na
perspectiva da Semana Santa, outras vozes e outros gritos, que trazem em si a
condenação à morte: "Crucifica-O! Crucifica-O!" (Jo 19, 6).
Hoje, então, enquanto na oração do Angelus professamos, como sempre, que
o Verbo Se fez carne e habitou entre nós (cf. Jo 1, 14), com o maior amor
dirigimos o olhar para o mesmo Verbo que está diante de nós como "homem das
dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se tapa o
rosto" (Is 53, 3).
2. Sim! Certamente! Queremos virar o rosto e não olhar. Somos intimidados pelo
seu aspecto, transtornamo-nos profundamente quando aparece diante de nós
"desprezado e rejeitado pelos homens: homem das dores" (Is 53, 3). "Quem
acreditará no que ouvimos? A quem foi revelado o braço do Senhor?" (ib.,
1).
E no entanto: "... aprouve ao Senhor esmagá-lo com sofrimentos" (ib. 10)
já naquela mesma tarde e naquela mesma noite do Getsémani, quando acabara de
comer, juntamente com os discípulos, a Páscoa. E depois: "... à Sua vista,
muitos ficaram pasmados tão desfigurado estava o Seu rosto que não parecia de
homem" (Is 52, 14) — quando O submeteram aos tormentos da flagelação e,
em seguida, Lhe puseram sobre a cabeça a coroa de espinhos. 'Tão desfigurado
estava o Seu rosto que não parecia de homem e a sua forma era diferente daquela
dos filhos do homem" (ib.), quando, após aquele terrível tormento, o
governador romano O apresentou à assembleia e disse: "Eis aqui o Homem" (Jo
19, 5).
Precisamente, então, ouviram-se os gritos: "Crucifica-O! Crucifica-O!". E foi
entregue para que fosse crucificado (cf. ib., 19, 16).
Diz o Profeta: "... ele tomou sobre si as nossas doenças, carregou as nossas
dores: E nós o reputávamos como um castigado, como um homem ferido por Deus e
humilhado" (Is 53, 4). "... aprouve ao Senhor esmagá-lo com sofrimentos"
(Is 53, 10).
O peso da Cruz fez que Ele caísse muitas vezes pelos Caminhos da Cidade Santa,
pois "o Senhor carregou sobre Ele a iniquidade de todos nós... era como cordeiro
levado ao matadouro, como ovelha emudecida nas mãos do tosquiador, e não abriu a
sua boca". E depois na colina do Gólgota foi pregado na cruz. "Ele foi castigado
pelos nossos crimes, e esmagado pelas nossas iniquidades... Foi maltratado e
resignou-Se, não abriu a boca" (Is 53, 5-7).
E assim a sentença emitida cumpriu-se na cruz infamante. "Foi suprimido da terra
dos vivos... Condenado por um iníquo julgamento... e morto pelos pecados do Seu
povo..." (Is 53, 8).
3. Caros Irmãos e Irmãs!
Os nossos pensamentos e os nossos corações, as nossas consciências e as nossas
preces sejam dirigidos nesta Semana Santa, de modo particular, ao Cristo —
sofredor, despojado, crucificado — ao Cristo nosso Redentor!
"Ele foi castigado pelos nossos crimes, e esmagado pelas nossas iniquidades" (Is
53, 5).
"Porque Ele próprio esfregou a Sua vida à morte, e foi contado entre os
pecadores" (ib. 12). Receba Ele, nos dias da sua paixão, particular amor,
veneração, lembrança, reconhecimento da parte de toda a Igreja e de todos os
homens de boa vontade e de coração generoso.