1. Caros Irmãos e Irmãs que, nesta vigília da Solenidade Litúrgica, dos Santos
Pedro e Paulo, estais unidos a mim para a recitação do Angelus.
Convido-vos a recordar juntamente comigo as palavras que o Senhor dirigiu a
Pedro: "Tu amas-Me?" e depois ainda: "Tu amas-Me mais...?" (Jo 21, 15).
Quão ardentemente desejo agradecer a todos os que — devido à minha debilidade —
de vários modos ofereceram e continuam a oferecer-me ajuda, a fim de que eu seja
capaz de responder adequadamente a estas palavras, às palavras do amado Senhor e
Mestre; e isto com suprema humildade, porque somente assim se pode ser capaz de
responder...
Para que a estas palavras "tu amas-Me?", "amas-Me mais...?" eu saiba responder
como sucessor de Pedro, de modo particular no decurso destas semanas e meses
difíceis, em que por disposição do Senhor me encontro enfermo a ponto de, no dia
solene dos Santos Apóstolos, não poder estar no altar de São Pedro e celebrar a
Santa Missa, junto do seu túmulo.
2. Ó quanto — eu, romano de adopção por força da eleição do Senhor (assim como
Pedro mesmo) —, ó quanto peço a todos vós, Romanos de antiga data e novos
habitantes da Cidade Eterna, não menos que a todos os filhos e filhas de toda a
Igreja Romana: conservemos a santidade deste dia tão particular no decurso do
ano! Não permitamos que da nossa vida desapareça o seu carácter sagrado! Ou
antes: não destruamos a raiz, na qual há dois mil anos crescemos!...
É a oração que vos dirijo do Hospital em que, por disposição da Divina
Providência, me é dado viver o santo dia de 29 de Junho em espiritual união
convosco, Romanos, e com toda a Igreja.
3. Nesta circunstância, é-me grato dar publicamente as boas-vindas à Delegação
do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla que, chefiada pelo Em.mo Melitão,
Metropolita, de Calcedónia, veio a Roma para participar nas celebrações em honra
dos Apóstolos Pedro e Paulo.
Desejo exprimir o meu ardente reconhecimento por este gesto de comunhão na
caridade e na oração, que há vários anos a Igreja de Constantinopla demonstra
para com a Igreja de Roma.
4. O meu pensamento dirige-se depois para o Líbano, tão provado, e especialmente
para a cidade de Zahle.
Sei que estão em curso negociações e reuniões para trazer de novo tranquilidade
e segurança à população daquela Nação, que sofre há muito tempo.
Durante estas semanas da minha enfermidade nunca cessei de rezar pela querida
terra libanesa. Convido, hoje, todos a pedirem a Maria por que tais iniciativas
de paz tenham sucesso.