Também neste domingo o Papa se
dirigiu mediante a Rádio Vaticano, aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de
São Pedro para a oração do meio-dia. Foram estas as Suas palavras:
Louvado seja Jesus Cristo!
1. Também hoje o nosso pensamento volta a Lourdes, à cidade de Maria, onde está
a decorrer o 42º Congresso Eucarístico Internacional. Para Lourdes dirige-se o
nosso coração, a fim de se unir aos dos nossos Irmãos e Irmãs que, juntamente
com os seus Pastores, se reuniram de todas as partes do mundo na gruta de
Massabielle.
"Jesus Cristo, pão partido para um mundo novo": eis o tema sob o qual será
tributada a homenagem de fé e amor ao Filho da Virgem Maria que, sob os véus do
Sacramento, quis permanecer junto de nós na realidade da sua carne e do seu
sangue.
2. "Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo" (Mt 28, 20). Esta
promessa, que, paradoxalmente, Jesus fez aos seus discípulos no momento mesmo em
que os estava a deixar, realiza-se de modo singular no sacramento da Eucaristia.
Sob os sinais sensíveis do pão e do vinho. Jesus torna-se presente num lugar e
num tempo determinado, consentindo a cada ser humano, onde quer que ele se
encontre e qualquer que seja a época histórica a que pertence, estabelecer um
contacto pessoal com Ele. Na Eucaristia a lógica da Encarnação atinge a sua
consequência extrema. Nela encontra a sua coroação aquele caminho para o homem,
que impeliu Jesus a despojar-se dos privilégios da divindade, para tomar a
condição de servo (cf. Flp 2, 6-7) e colocar-se ao lado de cada um de nós
como nosso irmão; para se tornar, enfim, Alimento e Bebida da nossa alma no seu
caminho espiritual.
3. Jesus quis permanecer junto de nós, não só para nos consolar nas provas
quotidianas e para nos ajudar a aceitar a vida com o seu peso de desgraças, de
injustiças e de afrontas. Ele está ao nosso lado para nos amparar na luta contra
toda a manifestação do mal sobre a terra e para estimular o nosso compromisso a
fazer progredir a história em direcção a metas mais dignas do homem.
4. O cristão não pode, certamente, esperar encontrar na Eucaristia as sugestões
completas sobre a acção a desenvolver nos diversos campos da sua vida pessoal,
familiar, social ou comunitária, económica ou política. A participação na "mesa
do Senhor" toca-lhe, todavia, sempre de perto a consciência do bem e do mal,
põe-no perante as próprias responsabilidades para com as pessoas próximas ou
distantes, para com o mundo que o rodeia. E, portanto, a comunhão do "pão
partido" compromete cada um a levar o próprio contributo para a edificação de um
"mundo novo"!
5. Qual contributo? O que, de cada vez, as circunstâncias requerem e que os
dons, a nós concedidos pela Providência, tornam possível. Na perspectiva cristã
vemos com igual clareza os diversos bens, os dons de agir e de trabalhar como
também os dons de sofrer e de suportar. Trabalhar com Cristo e sofrer com Cristo
faz parte simultaneamente daquele premente convite, que ressoou para todos desde
o início da missão evangélica de Cristo; convite que, depois, Bernadette de
Lourdes recebeu dos lábios da Virgem na margem do Gave: convite a "fazer
penitência".
É um convite evangélico e, ao mesmo tempo, eucarístico. "Partir o pão" com
Cristo quer dizer construir dia a dia uma vida plenamente humana e cristã — vida
de fé, de esperança, e de amor — vida certamente não isenta de dificuldades e de
cruzes, mas cheia de sentido, daquele sentido: cheia de alegria.
6. A todos os participantes no Congresso Eucarístico de Lourdes, a todos os que
estão reunidos em redor da gruta de Massabielle não cessamos de fazer votos por
uma descoberta mais profunda daquela vida e daquela alegria no Espírito Santo,
que para eles é fruto do "partir o pão" com Cristo Eucaristia.
E por esta intenção rezemos com fervor, recitando agora o Angelus.