1, "O Senhor está perto de todos os que O invocam, de quantos O procuram com
sinceridade" (Sl 144/145, 18).
Recordamos estas palavras do Salmo da liturgia de hoje no momento em que nos
reunimos, como todos os domingos, para a oração comum do Angelus Domini:
o Angelus recitado pelo Papa na Praça de São Pedro, no qual participais
todos vós, caros Irmãos e Irmãs, reunidos nesse lugar como também todos os que
se unem a nós através da rádio e da televisão.
E embora, também hoje, do hospital presida eu a esta oração, ela é como sempre a
mesma expressão da nossa comunhão diante do Senhor. É a expressão da nossa
proximidade do Senhor. De facto: "O Senhor está perto de todos os que O invocam,
de quantos O procuram com sinceridade".
2. Aqui estamos para nos aproximar de Deus; para encontrar de novo a sua
aproximação. A prece actua precisamente para isto aproxima-nos de Deus — e
aproximo Deus de nós.
E Maria de Nazaré, de modo simples e ao mesmo tempo perfeito, ensina isto a
todos nós. Quando nos reunimos para o Angelus Domini — então nós não
tanto pronunciemos as palavras desta oração, quanto fazemos reviver na memória e
no coração essas mesmas palavras, com as quais Ela, a Virgem, falou com Deus
naquele inefável momento quando, dos lábios de Gabriel, tomou conhecimento da
sua vocação para ser a Mãe do Verbo Eterno, Deus nunca esteve tão perto do homem
— e o homem jamais esteve tão perto de Deus — como precisamente naquele momento:
no instante do mistério da Encarnação!
3. Ao recitar o Angelus aprendamos então de Maria a aproximação de Deus.
Aprendamos que Ele "está perto de todos os que O invocam, de quantos O procuram
com sinceridade".
E peçamos que esta proximidade de Deus nunca nos abandone em nenhum lugar: seja
nos dias festivos, seja também na vida quotidiana; no trabalho ou também durante
o repouso; seja na alegria, no sofrimento ou na doença.
Caros Irmãos e Irmãs! E vós aqui reunidos! E todos onde quer que estejais!
Desejo que encontreis a aproximação de Deus "procurando-O com coração sincero".
Desejo-vos que na vossa vida não deixeis de rezar! Que não seque nunca a fonte
da aproximação de Deus e do relacionamento com Ele.
4. Pedimos isto a Maria no Angelus de hoje, para nós e para todos os
homens. E dado que se aproxima o terceiro aniversário da morte do Papa Paulo VI,
desde hoje recomendamos a Deus a alma dele, que o Senhor chamou a Si no dia 6 de
Agosto de 1978, na solenidade da sua Transfiguração.
5. Ao recordar o trágico atentado terrorista de Bolonha — exactamente há um ano
— convido-vos a rezar juntamente comigo pelas vítimas daquele gesto execrando,
pelas famílias que ainda as choram, por todos os que estão marcados no corpo e
no espírito por aquela tremenda experiência, e peço ao Senhor conceda à dilecta
Itália a serenidade dos ânimos, enérgica vontade de progresso e concórdia de
intenções e de obras.