Caros Irmãos e Irmãs
1. Desejo hoje, ao vosso lado, agradecer à Mãe de Deus e à Igreja por causa da
oração do Angelus Domini, em que podíamos unir-nos conjuntamente todos os
domingos e todas as festas. De 13 de Maio não me foi dado celebrar publicamente
a sagrada liturgia, sobretudo a liturgia eucarística, também nas maiores festividades do ano eclesiástico. Não me foi dado encontrar-me convosco em
solenes audiências públicas, que neste período do ano habitualmente atraem
tantos peregrinos do mundo inteiro para a Praça de São Pedro. Não me foi dado
visitar as paróquias de Roma, já para não falar das outras visitas fora de
Roma, previstas neste período.
Ficou só a oração do Angelus Domini, que nos uniu ininterruptamente já no
primeiro domingo depois do atentado e depois em todos os domingos sucessivos e
nas festas. E se bem que não me fosse dado presidir a esta oração de modo
visível, mas só mediante a Rádio Vaticano — todavia esta única expressão do laço
comum teve para mim e para vós o seu significado particular. Por isso desejo
agradecer à Mãe de Cristo e à Mãe Igreja a oração do Angelus Domini,
que de há anos. pertence ao programa do serviço papal a Deus e do serviço ao
Povo de Deus.
2. Uma vez que o actual domingo coincide com a memória de Santo Estêvão, rei da
Hungria, pai desta Nação magiar e porta-voz e defensor da fé cristã neste
nobre país, desejo dirigir a nossa oração em favor de todos os nossos irmãos e
irmãs que a ele pertencem. Agora, mais duma vez, nas cartas especiais dirigidas
ao Episcopado Húngaro, exprimi essa verdade relativa à grande herança de fé, de
moral e de cultura, que tem o seu início na pessoa e na missão de Santo
Estêvão.
E também hoje, juntamente com todos vós, participantes desta nossa oração na
Praça de São Pedro, desejo recomendar esta importante herança — parte
integrante da tradição cristã e da cultura europeia — tanto ao Patrono da
Hungria como à Mãe de Cristo, Senhora de todos os filhos e filhas da dilecta
Nação magiar. A todos os que vivem nela ou se encontram fora dos confins da
Pátria, asseguro o meu cordial pensamento, e imploro para eles, com afecto,
particulares bênçãos celestiais.
Não cessemos de pedir uns pelos outros.
3. A necessidade do coração
guiou-me do Hospital Policlínica Gemelli ao Túmulo de São Pedro e impeliu-me a
celebrar aqui a grande solenidade da Assunção de Maria Santíssima.
Hoje de tarde dirijo-me para Castelgandolfo a fim de passar lá diversas
semanas, com o propósito de continuar, segundo as recomendações dos médicos,
o período de convalescença fora do Hospital.
A oração do Angelus Domini, rezada todos os domingos da varanda de
Castelgandolfo, constituirá, em seguida um momento importante do nosso
encontro, até que eu possa tomar a pleno ritmo o ministério episcopal e
pastoral.