1. "... onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, Eu estou no meio
deles" (Mt 18, 20).
Estas palavras do Evangelho deste domingo são particularmente importantes para
nós, que estamos aqui reunidos no nome de Jesus Cristo. E não somos somente dois
ou três, mas uma comunidade muito numerosa, proveniente de vários Países do
mundo. E estamos reunidos em oração, para recitar o Angelus, durante o
qual meditamos sempre o primeiro e fundamental mistério de Jesus Cristo: o
mistério da Encarnação do Filho de Deus por obra do Espírito Santo, no seio da
Virgem, de Nazaré, cujo nome era Maria. Mediante esta prece Cristo está presente
de modo particular no meio de nós.
2. Desejo contudo que esta nossa assembleia se alargue ainda mais. Desejo que
nos unamos na oração àqueles nossos irmãos e irmãs que participam hoje, sob a
guia do Cardeal Secretário de Estado, na celebração em honra de Santo António de
Pádua na ocasião do 750º aniversário da sua morte. O período de convalescença,
após a longa e grave enfermidade, não me permite tomar parte pessoalmente nesta
celebração jubilar, como era previsto antes no programa. Tanto mais
intensamente, portanto, sinto a necessidade de me unir no espírito com todos os
devotos do Santo, o qual há tantos séculos continua a atrair para junto do seu
túmulo as multidões de fiéis.
Repete-se o fenómeno que assombrou os contemporâneos: o povo acorre de todas as
partes e estreita-se ao redor de Santo António, atraído por um irresistível
fascínio. Qual a razão? O estudo da sua vida convence-nos que tal razão deve ser
procurada na absoluta fidelidade com que ele anunciou o Evangelho e na corajosa
coerência ao esforçar-se por encarnar os seus ensinamentos.
3. Depois de amanhã, 8 de Setembro, será celebrado no mundo inteiro o "XV Dia
Internacional da Alfabetização", que pretende sensibilizar todos os homens sobre
o problema do analfabetismo e sobre a urgência da sua solução.
Todos sabem que a Igreja ao longo dos séculos tem dado a sua grande contribuição
neste importante sector. E também hoje, sobretudo nos Países de missão, ao
anunciar o Evangelho, ela realiza ainda esta preciosa actividade de promoção
humana, ensinando a cultura, que tem início sempre do saber ler e escrever. A
Igreja, por isso, considera-se protagonista neste nobilíssimo empenho e encoraja
de coração os cristãos e todos os homens de boa vontade a prosseguirem os seus
esforços para este objectivo de humana e cristã solidariedade.
4. "Deus reconciliou, o mundo em Cristo, confiando-nos a palavra da
reconciliação" (Canto ao Evangelho, cf. 2 Cor 5, 19).
Mediante a presente meditação e a nossa prece comunitária, desejamos demonstrar
a nossa fidelidade a esta palavra da reconciliação diante de todos os problemas
que devem ser enfrentados pelos homens e pelos povos em toda a terra.
"... a caridade é, pois, o pleno cumprimento da lei" (Rom 13, 10) —
escreve o Apóstolo.
Não obstante tudo aquilo que divide o mundo e os homens; apesar de tudo o que
pareça ameaçar sempre mais o mundo e os homens — que o amor seja sempre mais
forte!