1. Alma Redemptoris Mater...
Com estas palavras começa a antífona mariana, que a Igreja reza especialmente na
liturgia do Advento, como também, em seguida, na liturgia do tempo do Natal.
Apresentando nela o estado da humanidade depois do pecado original, a Igreja
pede Àquela, que é "a Porta do céu" e "a Estrela do mar", venha em auxílio desta
humanidade, e de cada homem que deseja levantar-se da queda e libertar-se das
cadeias do mal:
"succurre cadenti, surgere qui curat populo: tu, quae genuisti, natura
mirante, tuum sanctum Genitorem".
Penetrante é o som destas palavras, particularmente quando as cantamos com a
antiga entoação gregoriana. Encerra-se nelas quase uma saudade do bem perdido e
ao mesmo tempo a esperança ligada ao Natal do Senhor. Aquela que, pelo poder
sobrenatural de Deus se tornou a Mãe do Verbo Eterno, pode ajudar o homem e a
unidade.
2. No período do Advento, quando os nossos pensamentos absorvem mais
profundamente a verdade revelada por Deus e os nossos corações se purificam para
a vinda do Senhor, a Igreja recorda a todos o problema das vocações para o
serviço exclusivo de Deus. As vocações são, em toda a parte e sempre, critério
da fertilidade espiritual. O solo da Igreja fá-las nascer nos corações, assim
como a terra fértil dá o fruto no seu tempo. Partindo deste ponto de vista,
consideramos o período do Advento como o tempo particularmente privilegiado,
como o tempo da graça e da visitação, e por isso pedimos mais insistentemente
que ao Povo de Deus não faltem, em nenhum lugar, os distribuidores dos mistérios
de Deus; que não faltem também as pessoas homens e mulheres — que, vivendo
segundo os conselhos evangélicos, dêem testemunho do "Reino futuro", para o qual
nos prepara toda a história da igreja e do mundo por meio de um incessante
Advento.
É necessário que tal oração se intensifique, particularmente onde as vocações
mais faltam.
"Alma Redemptoris Mater,... sucurre!"
3. Desejo já hoje, na iminência das festas natalícias, dirigir os pensamentos e
os corações de todos para aqueles que, nestas festas, se encontrarem no
sofrimento: nos hospitais, nas prisões, nos campos de concentração, no exílio,
longe dos que lhes são caros... quão diversas espécies de sofrimento sentem a
alma e o corpo do homem, do nosso irmão e da nossa irmã! É difícil chamá-las
todas à memória.
Do coração da Igreja brotam as palavras de esperança do Advento: o Senhor está
perto!
Desejo partilhar hoje esta esperança com aqueles que dela têm maior necessidade.
Que, depois das palavras, venha a Luz e ilumine a obscuridade da humana
existência, mesmo da mais difícil. Venha a Graça e revele quão digna é a
humanidade, que deriva do mistério do Nascimento de Deus: Levante-se cada homem
de qualquer depressão em que se encontre. Alma Redemptoris Mater! succurre!
4. Fazendo referência às palavras da mesma Antífona do Advento, desejo
recomendar à Mãe de Deus a minha Pátria, a Nação de que sou filho. De diversas
partes recebo certezas de oração e de espiritual solidariedade. Estou por isso
profundamente grato. Estou grato, ainda, pela convicção manifestada nesta
circunstância de que os problemas, de que se trata na Polónia, são importantes
para todas as nações e para as sociedades. E por este motivo continuo a pedir a
todos a oração e a solidariedade para com aquele povo, que tem direito de poder
viver a própria vida na paz e no respeito dos direitos humanos.
De modo particular, convido a que se reze por aqueles que no decurso dos dias
passados perderam a vida ou receberam feridas, pelos presos ou por todos quantos
foram arrancados às próprias famílias — e pelas famílias privadas dos que lhes
são caros. Dentro de poucos dias será o Natal do Senhor. A oração da Igreja e de
todos os homens de boa vontade circunde a Polónia, minha Pátria: "Alma
Redemptoris Mater... succurre cadenti, surgere qui curat populo!".