Devia falar àqueles homens sobre a Eucaristia
— precisamente ali nas proximidades do mar da Galileia, onde se realizou o
primeiro anúncio da Eucaristia — mas antes preocupou-se
com o alimento para o corpo deles.
A Igreja recorda-nos na liturgia do domingo hodierno aquele colóquio
com o apóstolo Filipe, como também o milagre da
multiplicação de cinco pães e dois peixes.
"Quando ficaram saciados (Jesus) disse aos discípulos:
'Recolhei os bocados que sobraram, para que nada se perca'" (ibid. v. 12).
2. Na liturgia hodierna adoramos e agradecemos a Deus também todo o bem
espiritual e material que é necessário ao homem para viver:
"Os olhos de todos esperam em Vós, / E, Vós, Senhor, dais-lhes o
alimento a seu tempo. / Abris as Vossas mãos / E saciais com benevolência todos
os viventes" (Sl 144/145, 15-16).
"Glorifiquem-Vos, Senhor, as Vossas obras" (ibid.
v. 10).
Que a nossa oração hodierna do "Angelus Domini" seja
adoração de Deus, seja agradecimento por
todo o bem que o Criador destinou ao homem no mundo!
Em particular agradecemos a boa colheita da terra,
os produtos e os frutos da terra, que servem para manter o homem em vida.
Repetimos, com este pensamento, as palavras do Salmo pronunciadas há alguns
milhares de anos.
Durante estes milhares de anos os bens criados, as
riquezas do mundo material foram transmitidas ao homem em medida
incomparavelmente maior. O homem contemporâneo deve pois agradecer
ainda mais Aquela, de Quem estes bens, antes de tudo, provêm.
Infelizmente, não acontece porventura o contrário? Não esquece o homem, cada vez
mais, o dever deste agradecimento?
E por conseguinte — seguindo o pensamento da liturgia
hodierna — procuramos agradecer ainda mais a Deus por todos os bens da criação, que servem ao homem. Agradecemos aos homens, às
instituições, às organizações (a Organização das Nações Unidas para a
Alimentação e a Agricultura: FAO; o Fundo Internacional para o Desenvolvimento
Agrícola: IFAD; o Programa Alimentar Mundial: PAM; o Conselho Mundial da
Alimentação: WFC), que trabalham com este objectivo.
3. O Evangelho de hoje exprime a particular solicitude
de Cristo para assegurar o alimento aos seus ouvintes.
Esta solicitude assume um significado actual
quando pensamos nos homens, nos grupos, nas sociedades, que em tantas partes do
mundo sofrem a fome. Calcula-se que há hoje no mundo cerca de 750 milhões de
pessoas vítimas da fome, e que no ano dois mil o número poderia chegar ao
bilião.
Cristo interessa-se pelos seus ouvintes esfomeados. Preocupa-se também
por que não se percam nem sequer os bocados mais
pequenos do pão com o qual os saciou.
Não é porventura uma grande solicitude da Igreja e da humanidade
contemporânea fazer com que estes recursos, existentes no mundo, não sejam
perdidos, não sejam destinados para fins de
autodestruição do homem, mas sirvam para o seu verdadeiro bem e para o seu
legítimo desenvolvimento?
Rezemos por que a vitória dos programas dedicados ao
desenvolvimento, à alimentação e à solidariedade prevaleça sobre os
do ódio, dos armamentos e da guerra.
"Glorifiquem-Vos, Senhor, as Vossas obras" (Sl
144/145, 10).
Depois do Angelus
A vós, caros visitantes da França ou de países de língua francesa,
dirijo uma saudação reconhecida pela vossa presença neste "Angelus" dominical. A
vossa fidelidade a Cristo, à Igreja e aos seus responsáveis seja crescente e
radiante!
Sei que entre vós se encontram escuteiros saboianos que regressam do
Sul da Itália onde trabalharam a recolher as ruínas do último terremoto. As
minhas felicitações! Caros jovens, sei igualmente que vós cooperais na acção
caritativa dos carmelos de França em favor da Polónia. Exprimo-vos os meus
comovidos agradecimentos, como também aos caros carmelitas e a todos aqueles que
contribuíram na sua generosa empresa. Deus mesmo vos recompense a todos em
abundância e mantenha os vossos corações abertos a todas as misérias do mundo.
Com a minha Bênção Apostólica.
Estou grato aos peregrinos de língua inglesa que vieram hoje a Castel
Gandolfo, ou estão presentes na Praça de São Pedro. Oxalá a vossa peregrinação à
cidade de Pedro e Paulo vos leve a um contacto cada vez mais estreito com o
Cristo que ambos eles proclamaram com tanta convicção e tanto amor. A todos vós a minha Bênção Apostólica.
Dou as minhas cordiais boas-vindas também aos visitantes de língua
alemã. A nossa comum oração hodierna recorda-vos a necessidade de que nós, como
cristãos, deveríamos rezar com frequência. São Paulo recomenda-nos: "orai sem
cessar" (1 Tess 5, 17). Mediante a oração abrimos a
nossa vida a Deus, reconhecemos a Sua proximidade e recebemos a Sua luz. É o que
de todo o coração peço para vós, com a minha Bênção Apostólica!
A minha saudação mais cordial também aos peregrinos de língua
espanhola, presentes aqui ou na Praça de São Pedro, e aos que mediante a rádio
ou a televisão se uniram a nós para a reza do "Angelus". ' Amadíssimos irmãos:
Como o Evangelho deste dia animo-vos a procurar acima de tudo a palavra de Deus.
No mundo há fome de pão; mas ainda mais, fome de Deus. Hoje também é a Festa do
Apóstolo São Tiago, evangelizadora da Espanha, segundo narra a tradição. Oxalá
vós, seus filhos na fé, sejais sempre portadores da paz evangélica e, com ela,
de Cristo, o único que pode verdadeiramente saciar os corações. A vós e às
vossas famílias concedo de coração a minha Bênção.
Saúdo também os ouvintes de língua portuguesa, com afecto em Cristo.
Desejo a todos saúde e bênçãos de Deus. Para tanto, como sabeis, importa rezar:
dando continuamente graças a Deus e assumindo os compromissos da oração, na vida
vivida, com a bondade e o amor cristão. Ao abençoar-vos, é isto que imploro para
todos, por Nossa Senhora, e que sejais felizes.
Saúdo de bom grado o grupo dos "Atletas do Facho" de Borgo di Montoro,
na Província de Avellino.
O seu Facho da Paz, que daqui a pouco benzerei e acenderei, seja não só
portador de alegres mensagens aos seus Conterrâneos, mas também estímulo mais
geral a trabalhar bem, como diz o Evangelho, "com os rins cingidos e as lâmpadas
acesas" (Lc. 12, 35).
Aos jovens do Movimento Internacional "Quarto Mundo"
Sem dúvida, vós vedes a miséria, a pobreza material, como uma injustiça, e
procurais mudar a situação pessoal e social, para que esta
injustiça deixe de existir. Isto depende de muitos factores, mas em certa medida, depende também de vós. Penso que estais a
caminhar pela estrada, a fim de vencer a injustiça da pobreza
que pode ser material, mas também de ordem moral. Muitas destas
injustiças podem ser vencidas graças ao vosso esforço
comunitário. Continuai este esforço comunitário. Assim
participais de modo comunitário em Cristo, isto é formais a Sua
Igreja, porque a Igreja é a comunidade dos pobres, daqueles que
estão perto de Cristo".