1. Na liturgia deste domingo recitamos o Salmo 15:Vós, Senhor, sois a parte da minha herança e da minha taça... / Tenho
sempre o Senhor diante dos meus olhos, está à minha direita / e
jamais vacilarei. Por isso, o meu coração alegra-se / e a minha
alma exulta, e o meu corpo repousará na segurança... / nem deixareis que o Vosso
amigo veja o sepulcro, / Vós não me deixareis à mansão dos mortos" (Sl 15, 5-10).
2. O Salmo messiânico prenuncia a ressurreição de Cristo. E ao mesmo
tempo suscita a fé na ressurreição dos mortos e na vida do mundo
que há-de vir.
Com as palavras deste Salmo desejo ainda
visitar, com o pensamento e com o coração, os sepulcros dos meus
Predecessores na sé de Pedro, como se faz habitualmente no dia da
Comemoração de todos os fiéis defuntos. Os meus predecessores imediatos: João
XXIII, Paulo VI e João Paulo I. E todos os Papas, cujos corpos repousam nas
grutas da Basílica de São Pedro, ou em qualquer outro lugar.
Desejo também, com a fé e a esperança, suscitadas pelas palavras do
Salmo messiânico, visitar o Campo Verano e todos os cemitérios
da Igreja que está em Roma, como é costume fazer-se na tarde da solenidade de
Todos os Santos.
Desejo enfim, no espírito da comunhão universal da Igreja, abraçar com
a oração todos os Defuntos — todos os que repousam nos
cemitérios do mundo inteiro. De facto Cristo morreu por todos. Ele redimiu a todos. Abriu-lhes o acesso ao Pai no
Espírito Santo.
Não somente nos dias 1 e 2 deste mês, mas durante todo o
mês de Novembro é preciso recordar de modo particular
os Defuntos.
3. A comemoração dos Defuntos e a oração pelos Defuntos devem reforçar
em nós mesmos a fé na ressurreição dos mortos e na vida do mundo
que há-de vir, de que em seguida fala o salmista ao dirigir-se a
Deus com estas palavras:
"Ensinar-me-eis o caminho da vida; / na Vossa presença gozamos a
plenitude da alegria, / na Vossa direita encontramos as delicias eternas" (Sl
15, 11).
O tempo de uma particular comemoração dos Defuntos deve reforçar as
nossas almas na perseverante aspiração ao Reino de Deus,
cuja vinda sempre imploramos. "Venha a nós o Vosso Reino"!
4. Agora o meu pensamento dirige-se para a "missão popular", iniciada
ontem à noite em 34 paróquias da diocese de Roma, aos cuidados das Famílias
Franciscanas da Itália. Trata-se de uma iniciativa de carácter eminentemente
pastoral, oferecida por ocasião do oitavo centenário do nascimento de São
Francisco de Assis, e que empenhará ao todo 600 Missionários e 500 Missionárias.
Como Pastor desta diocese, alegro-me vivamente pela iniciativa e
agradeço desde já a todos os que lhe favorecerão o eficaz desenvolvimento. O meu
fervoroso voto é por que esta copiosa e extraordinária difusão da Palavra de
Deus encontre no povo de Roma, ao qual se dirige, um terreno fértil, pronto a
dar, com a graça de Deus, abundantes frutos de posterior progresso no amor e na
prática do Evangelho; e além disso, por que os generosos semeadores da Mensagem
Divina recebam do Espírito Santo aquela força que dê ao serviço deles toda a sua
sobrenatural eficácia.