Caros Guardas Suíços
Meus irmãos e minhas irmãs
Os Apóstolos tinham ficado profundamente impressionados porque Jesus, o
Mestre e Messias deles, lhes lavara, durante a Ultima Ceia, os pés, a eles, Seus
discípulos. Sem dúvida, eles compreenderam. Eis certamente o que está no centro
de toda a acção e de todas as palavras de Jesus. A Sua vida significa servir,
dar-se; a força do Messias é o amor.
Jesus espera a mesma coisa dos Seus discípulos. Muitíssimas vezes
ouvimos as Suas palavras no Evangelho: "...o escravo não é maior que o seu
senhor, nem o enviado maior do que aquele que o envia" (Jo
13, 16). Quando Ele serve, nós
não podemos ser senhores; quando Ele ama,
nós não podemos fechar-nos em nós mesmos; quando Ele
se abaixa ao nível do homem, nós não podemos
sentir-nos elevados. "Sabendo isto, sereis felizes se o fizerdes"
(Jo 13, 17). Sim, Jesus convida-nos todos a tomá-1'O a Ele mesmo
por modelo da nossa vida e do nosso procedimento como Ele próprio
escolheu, por modelo e ponto central da Sua vida, o Seu divino Pai
que está nos Céus.
No fim do Evangelho deste dia, Ele diz mesmo: "Quem recebe aquele que
Eu envio, recebe-Me a Mim, e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou" (Jo
13, 20). Pode acaso dizer-se que todas essas pessoas, com que vos encontrais
cada dia, caros Guardas, são "enviadas por Jesus"? Se
consideramos profundamente os factos, com os olhos da Providência, podemos
compreender o que se passa. Mesmo quando alguns incrédulos ou tíbios se proximam
das nossas portas e das nossas torres, trazem sempre consigo algumas perguntas,
perguntas para a Igreja, perguntas para nós cristãos, perguntas ao discípulo de
Jesus: "São enviados por Jesus"! Quando vós os recebeis com amor e respeito, é o
próprio Jesus que recebeis!
Tais maneiras de ver e tal maneira de se comportar não são possíveis
sem termos consciência de ser cristãos, sem estarmos prontos a viver pela força
da fé, da esperança, e da caridade. Os vossos exercícios e a vossa ordem de
serviço são importantes; mais importante é contudo serdes católicos e cristãos
conscientes. Isto vale para a vossa atitude quanto aos inúmeros visitantes do
Vaticano; isto vale igualmente para a atitude reciproca entre vós, não só
durante o serviço mas também nos momentos de descanso. Tanto assim que é muito
significativo começar o vosso dia de Festa, hoje, por uma Santa Missa. Aqui
reunimo-nos todos no Senhor: Guardas que terminais
hoje o vosso serviço ou que o prolongais ainda, Pais, Famílias, Amigos, alguns
eclesiásticos e também um dos Bispos da vossa Pátria. E é para mim grandíssima alegria celebrar este Santo Sacrifício diante de todos
vós.
E gostaria de aproveitar esta ocasião, novos Guardas, para vos
agradecer de todo o coração a vós — que pondes agora o vosso tempo à disposição
do Pastor-Chefe da Igreja, o Papa — concorrerdes para a manutenção da ordem e
para a segurança indispensáveis no enquadramento do Vaticano. Espero que,
durante o período de serviço, mantenhais bem vivos os laços de união com as
vossas queridas famílias e com a Pátria, a fim de os vossos, longe de falarem de
vós como "filhos perdidos", poderem alegrar-se por causa de vós graças a esta
excepcional ocasião de fazerdes novas experiências.
São Sebastião, São Martinho e o Santo Irmão Nicolau sejam os Padroeiros
que protejam o vosso serviço. Maria, a Mãe de Deus e Mãe de nós todos, nos leve
cada vez mais para junto do seu Filho Jesus Cristo: "Tudo o que ele vos disser,
fazei-o" (Jo 9, 5).
* * *
Aos Guardas Suíços de língua francesa, tenho o gosto de repetir que são
chamados a prestar aqui um serviço de qualidade, apreciado de há séculos pelos
Sumos Pontífices. Trata-se de servir as pessoas do Papa e dos seus
colaboradores, vigiando pela integridade deles e pela casa que habitam; de
servir os hóspedes do Papa, e também todos os peregrinos ou visitantes que o vêm
ver, ouvir e orar com ele, a fim de que todos eles sejam recebidos com dignidade
e afabilidade. Fazendo isto, é Cristo que recebeis, é Cristo que servis.
© Copyright 1982
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