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SANTA MISSA POR OCASIÃO DO JURAMENTO
DE 98 NOVOS RECLUTAS DA GUARDA SUÍÇA VATICANA

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II

Jardins do Vaticano
Gruta de Lourdes, 6 de Maio de 1982
 

 

Caros Guardas Suíços
Meus irmãos e minhas irmãs

Os Apóstolos tinham ficado profundamente impressionados porque Jesus, o Mestre e Messias deles, lhes lavara, durante a Ultima Ceia, os pés, a eles, Seus discípulos. Sem dúvida, eles compreenderam. Eis certamente o que está no centro de toda a acção e de todas as palavras de Jesus. A Sua vida significa servir, dar-se; a força do Messias é o amor.

Jesus espera a mesma coisa dos Seus discípulos. Muitíssimas vezes ouvimos as Suas palavras no Evangelho: "...o escravo não é maior que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o envia" (Jo 13, 16). Quando Ele serve, nós não podemos ser senhores; quando Ele ama, nós não podemos fechar-nos em nós mesmos; quando Ele se abaixa ao nível do homem, nós não podemos sentir-nos elevados. "Sabendo isto, sereis felizes se o fizerdes" (Jo 13, 17). Sim, Jesus convida-nos todos a tomá-1'O a Ele mesmo por modelo da nossa vida e do nosso procedimento como Ele próprio escolheu, por modelo e ponto central da Sua vida, o Seu divino Pai que está nos Céus.

No fim do Evangelho deste dia, Ele diz mesmo: "Quem recebe aquele que Eu envio, recebe-Me a Mim, e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou" (Jo 13, 20). Pode acaso dizer-se que todas essas pessoas, com que vos encontrais cada dia, caros Guardas, são "enviadas por Jesus"? Se consideramos profundamente os factos, com os olhos da Providência, podemos compreender o que se passa. Mesmo quando alguns incrédulos ou tíbios se proximam das nossas portas e das nossas torres, trazem sempre consigo algumas perguntas, perguntas para a Igreja, perguntas para nós cristãos, perguntas ao discípulo de Jesus: "São enviados por Jesus"! Quando vós os recebeis com amor e respeito, é o próprio Jesus que recebeis!

Tais maneiras de ver e tal maneira de se comportar não são possíveis sem termos consciência de ser cristãos, sem estarmos prontos a viver pela força da fé, da esperança, e da caridade. Os vossos exercícios e a vossa ordem de serviço são importantes; mais importante é contudo serdes católicos e cristãos conscientes. Isto vale para a vossa atitude quanto aos inúmeros visitantes do Vaticano; isto vale igualmente para a atitude reciproca entre vós, não só durante o serviço mas também nos momentos de descanso. Tanto assim que é muito significativo começar o vosso dia de Festa, hoje, por uma Santa Missa. Aqui reunimo-nos todos no Senhor: Guardas que terminais hoje o vosso serviço ou que o prolongais ainda, Pais, Famílias, Amigos, alguns eclesiásticos e também um dos Bispos da vossa Pátria. E é para mim grandíssima alegria celebrar este Santo Sacrifício diante de todos vós.

E gostaria de aproveitar esta ocasião, novos Guardas, para vos agradecer de todo o coração a vós — que pondes agora o vosso tempo à disposição do Pastor-Chefe da Igreja, o Papa — concorrerdes para a manutenção da ordem e para a segurança indispensáveis no enquadramento do Vaticano. Espero que, durante o período de serviço, mantenhais bem vivos os laços de união com as vossas queridas famílias e com a Pátria, a fim de os vossos, longe de falarem de vós como "filhos perdidos", poderem alegrar-se por causa de vós graças a esta excepcional ocasião de fazerdes novas experiências.

São Sebastião, São Martinho e o Santo Irmão Nicolau sejam os Padroeiros que protejam o vosso serviço. Maria, a Mãe de Deus e Mãe de nós todos, nos leve cada vez mais para junto do seu Filho Jesus Cristo: "Tudo o que ele vos disser, fazei-o" (Jo 9, 5).

* * *

Aos Guardas Suíços de língua francesa, tenho o gosto de repetir que são chamados a prestar aqui um serviço de qualidade, apreciado de há séculos pelos Sumos Pontífices. Trata-se de servir as pessoas do Papa e dos seus colaboradores, vigiando pela integridade deles e pela casa que habitam; de servir os hóspedes do Papa, e também todos os peregrinos ou visitantes que o vêm ver, ouvir e orar com ele, a fim de que todos eles sejam recebidos com dignidade e afabilidade. Fazendo isto, é Cristo que recebeis, é Cristo que servis.

 

© Copyright 1982 - Libreria Editrice Vaticana

 

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