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VIAGEM APOSTÓLICA À ESPANHA
31 DE OUTUBRO - 9 DE NOVEMBRO DE 1982

MISSA PARA OS FIÉIS DEFUNTOS NO CEMITÉRIO DE "LA ALMUDENA"

PALAVRAS DO PAPA JOÃO PAULO II

Madrid, 2 de Novembro de 1982

 

Dispomo-nos a celebrar a Eucaristia neste lugar sagrado, em que estão sepultados os despojos mortais dos vossos defuntos, queridos irmãos e irmãs de Madrid. Aqui repousam pessoas que tiveram um determinante significado na vossa existência. Muitos de vós têm aqui, talvez, parentes muito próximos, possivelmente os próprios pais de quem recebestes a vida. Eles voltam neste momento à memória de cada um, emergindo do passado, como com o desejo de reencetar um diálogo que a morte interrompeu bruscamente. Deste modo, neste cemitério da "Almudena" — como ocorre hoje, dia dos Defuntos, nos outros cemitérios cristãos de qualquer parte do mundo — forma-se uma admirável assembleia, na qual os vivos se encontram com os seus defuntos, e com eles consolidam os vínculos de uma comunhão que a morte não pôde romper.

Comunhão real, não ilusória. Garantida por Cristo, que quis viver na sua carne a experiência da nossa morte, para triunfar sobre ela, inclusivamente com proveito para nós, com o prodigioso acontecimento da ressurreição. "Porque buscais entre os mortos Aquele que vive? Não está aqui, ressuscitou" (Lc 24, 5-6). O anúncio dos Anjos, proclamado naquela manhã de Páscoa, junto do sepulcro vazio, chegou através dos séculos até nós. Esse anúncio propõe-nos, também nesta assembleia litúrgica, o motivo essencial da nossa esperança. De facto, "se morrermos em Cristo — recorda-nos São Paulo ao aludir ao que foi realizado no baptismo — com Ele também havemos de viver" (Rom 6, 8).

Corroborados nesta certeza, elevamos ao céu — embora entre os sepulcros de um cemitério — o canto do Aleluia, que é o canto da vitória. Os nossos defuntos "vivem com Cristo", depois de terem sido sepultados com Ele na morte" (cf. Rom 6, 4). Para eles o tempo da prova terminou, cedendo o lugar ao tempo da recompensa. Por isso — apesar da sombra de tristeza provocada pela nostalgia da sua presença visível — alegramo-nos ao saber que chegaram já à serenidade da "pátria".

Contudo, como também eles foram participes da fragilidade própria de todo o ser humano, sentimos o dever — que é ao mesmo tempo uma necessidade do coração — de lhes oferecer a ajuda afectuosa da nossa oração, a fim de que qualquer eventual resíduo de debilidade humana, que ainda possa retardar o seu feliz encontro com Deus, seja definitivamente eliminado.

Com esta intenção vamos celebrar agora a Eucaristia por todos os defuntos que repousam neste cemitério, incluindo também no nosso sufrágio os defuntos dos cemitérios de Madrid e da Espanha inteira, assim como os de todas as Nações do mundo.

 

 

© Copyright 1982 - Libreria Editrice Vaticana

 

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