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SOLENIDADE DO "BOM PASTOR"
XXXVI DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES  
ORDENAÇÃO SACERDOTAL DE UM GRUPO DE DIÁCONOS

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II 
 

25 de Abril de 1999

1. «Eu sou o Bom Pastor... conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-Me» (Aclamação ao Evangelho). 

No itinerário litúrgico do tempo pascal, que estamos a percorrer, insere-se o hodierno domingo, tradicionalmente denominado do «Bom Pastor». Jesus aplica a si mesmo esta semelhança (cf. Jo 10, 6), arraigada no Antigo Testamento e muito querida à tradição cristã. Cristo é o Bom Pastor que, morrendo na cruz, dá a vida pelas suas ovelhas. Estabelece-se assim uma profunda comunhão entre o Bom Pastor e a própria grei. O Evangelista escreve que Jesus «chama pelo nome as suas ovelhas e as leva para fora... e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz» (Jo 10, 3-4). Uma tradição consolidada, um conhecimento real e uma pertença recíproca unem o Pastor às ovelhas: ele cuida delas; estas confiam nele e seguem-no fielmente. 

Portanto, como são consoladoras as palavras que há pouco repetimos no Salmo responsorial: «O Senhor é o meu Pastor, nada me falta»! 

2. Em conformidade com uma bela tradição, desde há vários anos tenho a alegria, precisamente no Domingo do «Bom Pastor», de ordenar novos presbíteros. Hoje são 31. Eles hão-de dedicar o seu entusiasmo e as suas vigorosas energias ao serviço da Comunidade de Roma e da Igreja universal. 

Juntamente com o Cardeal Vigário, os Bispos Auxiliares, os Presbíteros da Diocese e todos os presentes, dou graças ao Senhor por esta grande dádiva. Compartilho de modo particular a vossa alegria, dilectos ordenandos, e a dos vossos formadores, familiares e inumeráveis amigos, que vos circundam num momento tão intenso e emocionante, que deixará em vós uma profunda recordação para a vida inteira. 

Referindo-me aos vossos formadores, neste momento o meu pensamento dirige-se a D. Plínio Pascoli, que há alguns dias o Senhor chamou para si. Durante muitos anos ele foi Reitor do Seminário Romano e depois Bispo Auxiliar, consagrando a sua longa existência ao cuidado das vocações e à formação dos presbíteros. O seu exemplo seja para todos um ulterior estímulo a compreender a importância do dom do sacerdócio. 

3. Caríssimos ordenandos, mediante o antigo e sugestivo gesto sacramental da imposição das mãos e a oração consecratória, tornar-vos-eis presbíteros para serdes, à imagem do Bom Pastor, servidores do povo cristão de um modo novo e mais profundo. Haveis de participar na mesma missão de Cristo, lançando a mãos-cheias a semente da Palavra de Deus. O Senhor chamou-vos para que sejais ministros da sua misericórdia e administradores dos seus mistérios. 

A Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã, será a nascente cristalina que alimentará de modo incessante a vossa espiritualidade sacerdotal. Desta podereis haurir força inspiradora para o ministério quotidiano, impulso apostólico para a obra de evangelização e consolação espiritual nos inevitáveis momentos de dificuldade e de luta interior. Aproximando-vos do Altar, onde se renova o Sacrifício da Cruz, descobrireis cada vez mais as riquezas do amor de Cristo e aprendereis a traduzi-las na vida.

4. Caríssimos, é mais significativo do que nunca o facto de que recebeis o sacramento da Ordem neste domingo do «Bom Pastor», durante o qual celebramos o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Efectivamente, a missão de Cristo prossegue ao longo da história, através da obra dos Pastores aos quais Ele confia o cuidado do seu rebanho. Como fez com os primeiros discípulos, Jesus continua a escolher para si novos colaboradores que cuidem do seu rebanho mediante o ministério da Palavra e dos Sacramentos e o serviço da caridade. A vocação para o sacerdócio constitui um grande dom e um enorme mistério. Em primeiro lugar, uma dádiva da benevolência divina, porque é fruto da graça. E depois também mistério, pois a vocação está vinculada às profundidades da consciência e da liberdade humanas. Juntamente com essa tem início um diálogo de amor que, dia após dia, plasma a personalidade do sacerdote mediante um caminho de formação que começou no seio da família, continuou depois no seminário e se prolongou por toda a vida. Somente graças a este ininterrupto itinerário ascético e pastoral é que o sacerdote se pode tornar ícone vivo de Jesus, Bom Pastor, que se dá a si mesmo pelo rebanho que lhe é confiado. 

Ecoam na minha mente as palavras que daqui a pouco vos dirigirei, entregando-vos as ofertas para o Sacrifício eucarístico: «Vive o mistério que se põe nas tuas mãos!». Sim, estimados ordenandos, este mistério do qual sereis administradores é em última análise Cristo mesmo que, mediante a comunicação do Espírito Santo, é fonte de santidade e incessante chamada à santificação. Vivei este mistério: vivei Cristo, sede Cristo! Possa cada um de vós dizer com São Paulo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim!» (Gl 2, 20). 

5. Caríssimos Irmãos e Irmãs, vindos para esta Celebração! Rezemos a fim de que estes 31 novos presbíteros sejam fiéis à sua missão, renovem todos os dias o seu «sim» a Cristo e sejam sinal do seu Amor por cada pessoa. Além disso, neste Dia Mundial de Oração pelas Vocações, peçamos ao Senhor que suscite almas generosas, dispostas a colocar-se totalmente ao serviço do Reino divino.

Maria, Mãe de Cristo e da Igreja, a ti confiamos estes nossos irmãos que hoje são ordenados. Além deles, confio-te os sacerdotes de Roma e do mundo inteiro. Tu, Mãe de Cristo e dos sacerdotes, acompanha estes teus filhos no seu ministério e na sua vida. 

Seja louvado Jesus Cristo!

© Copyright 1999 - Libreria Editrice Vaticana

 

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