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VISITA PASTORAL DO SANTO PADRE A LORETO

CELEBRAÇÃO DA SANTA MISSA COM A BEATIFICAÇÃO DE:
PEDRO TARRES Y CLARET
,
ALBERTO MARVELLI
PINA SURIANO

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II

Esplanada de Montorso
Domingo, 5 de Setembro de 2004

 

1. "Pois que homem poderia conhecer a vontade de Deus?" (Sb 9, 13). A pergunta, feita pelo Livro da Sabedoria, tem uma resposta: só o Filho de Deus, feito homem para a nossa salvação no seio virginal de Maria, nos pode revelar o desígnio de Deus. Só Jesus Cristo sabe qual é o caminho para "alcançar a sabedoria do coração" (Salmo resp.) e obter paz e salvação.

Qual é o caminho? Ele mesmo no-lo indicou no Evangelho de hoje: é o caminho da cruz. As suas palavras são claras: "Quem não tomar a sua cruz para me seguir não pode ser meu discípulo" (Lc 14, 27).

"Carregar a cruz seguindo Cristo" significa estar dispostos a fazer qualquer sacrifício por amor a Ele. Significa não pôr nada nem ninguém antes d'Ele, nem mesmo as pessoas mais queridas, nem sequer a própria vida.

2. Caríssimos Irmãos e Irmãs, estamos reunidos neste "maravilhoso vale de Montorso", como lhe chamou o Arcebispo D. Comastri, a quem agradeço de coração as afáveis palavras que me dirigiu. Com ele, saúdo os Cardeais, os Arcebispos e os Bispos presentes; saúdo os sacerdotes, os religiosos, as religiosas, as pessoas consagradas; e sobretudo saúdo-vos a vós, jovens, que pertenceis à Acção Católica que, guiados pelo Assistente-Geral, Mons. Francesco Lambiasi e pela Presidente nacional, Dr.ª Paola Bignardi, a quem agradeço a calorosa saudação, quisestes reunir-vos aqui, sob o olhar de Nossa Senhora de Loreto, para renovar o vosso compromisso de fiel adesão a Jesus Cristo.

Vós sabeis que aderir a Cristo é uma opção exigente. Jesus não fala por acaso de "cruz". Contudo, Ele esclarece imediatamente: "após mim". É esta a grande palavra: não carregamos sozinhos a cruz. Diante de nós caminha Ele, abrindo-nos a estrada com a luz do seu exemplo e com a força do seu amor.

3. A cruz aceite por amor gera liberdade. Fez esta experiência o apóstolo Paulo, "idoso e agora também prisioneiro por Jesus Cristo", como ele mesmo se define na carta a Filémon, mas com o coração plenamente livre. É precisamente esta a impressão que temos da página que agora foi proclamada: Paulo está preso, mas o seu coração é livre, porque nele habita o amor de Cristo. Por isso, da escuridão da prisão em que sofre pelo seu Senhor, ele pode falar de liberdade a um amigo que está fora da prisão. Filémon é um cristão de Colossos: Paulo dirige-se a ele pedindo-lhe que liberte Onésimo, ainda escravo segundo o direito da época, mas que já se tornou irmão pelo baptismo. Renunciando ao outro como sua posse, Filémon terá o dom de um irmão.

A lição que brota de toda esta vicissitude é clara: não há maior amor do que o da cruz; não há liberdade mais verdadeira do que a do amor; não há fraternidade mais plena do que a que nasce da cruz de Jesus.

4. Foram humildes discípulos e testemunhas heróicas da cruz de Jesus os três Beatos, agora proclamados.

Pedro Tarrés i Claret, primeiro médico e depois sacerdote, dedicou-se ao apostolado laical entre os jovens da Acção Católica de Barcelona, da qual, depois, foi conselheiro. No desempenho da profissão médica entregou-se com especial solicitude aos enfermos mais pobres, convencido de que "o enfermo é símbolo de Cristo sofredor".

Tendo recebido a Ordenação sacerdotal, consagrou-se com generosa intrepidez às tarefas do ministério, permanecendo fiel ao compromisso assumido nas vésperas da Ordenação: "Um só propósito, Senhor: sacerdote santo, custe o que custar". Aceitou com fé e paciência heróica uma grave enfermidade, que o levou à morte com apenas 45 anos. Apesar do sofrimento, repetia com frequência: "Como o Senhor é bom comigo! Eu sou verdadeiramente feliz".

5. Alberto Marvelli, jovem forte e livre, generoso filho da Igreja de Rímini e da Acção Católica, concebeu toda a sua breve vida, que durou apenas 28 anos, como um dom do amor a Jesus pelo bem dos irmãos. "Jesus envolveu-me com a sua graça", escreveu no seu diário; "Mais não vejo do que Ele, penso unicamente n'Ele". Alberto fez da Eucaristia quotidiana o centro da sua vida. Na oração ele procurava inspiração também para o seu compromisso político, convicto da necessidade de viver plenamente como filhos de Deus na história, para fazer dela uma história de salvação.

No difícil período da segunda guerra mundial, que semeava morte e multiplicava violências e sofrimentos atrozes, o beato Alberto alimentava uma intensa vida espiritual, da qual brotava aquele amor a Jesus que o fazia esquecer-se constantemente de si próprio para carregar a cruz dos pobres.

6. Também a beata Pina Suriano nativa de Partinico, na Diocese de Monreale amou Jesus com um amor tão fervoroso e fiel, que pôde escrever com sinceridade: "Mais não faço do que viver de Jesus". Ela falava a Jesus com um coração de esposa: "Jesus, faz-me cada vez mais tua. Jesus, desejo viver e morrer contigo e por ti".

Aderiu desde jovem à Juventude Feminina da Acção Católica, da qual depois foi dirigente paroquial, encontrando na Associação importantes estímulos de crescimento humano e cultural, num clima intenso de amizade fraterna. Maturou gradualmente uma simples e firme vontade de entregar a Deus como oferenda de amor a sua jovem vida, em particular para a santificação e perseverança dos sacerdotes.

7. Amados Irmãos e Irmãs, amigos da Acção Católica, que viestes a Loreto da Itália, da Espanha e de muitas outras partes do mundo! Hoje o Senhor, através do acontecimento da beatificação destes três Servos de Deus, diz-vos: o dom maior que podeis oferecer à Igreja e ao mundo é a santidade.

Tende a preocupação daquilo por que a Igreja mais se preocupa: que muitos homens e mulheres do nosso tempo sejam conquistados pelo fascínio de Cristo; que o seu Evangelho volte a brilhar como luz de esperança para os pobres, os doentes, os famintos de justiça; que as comunidades cristãs sejam cada vez mais vivas, abertas, atraentes; que as nossas cidades sejam hospitaleiras e vivíveis para todos; que a humanidade possa seguir os caminhos da paz e da fraternidade.

8. Compete a vós, leigos, testemunhar a fé mediante as virtudes que vos são específicas: a fidelidade e a ternura em família, a competência no trabalho, a tenacidade no serviço do bem comum, a solidariedade nas relações sociais, a criatividade no empreendimento de obras úteis para a evangelização e a promoção humana. A vós compete também demonstrar em estreita comunhão com os Pastores que o Evangelho é actual, e que a fé não subtrai o crente à história, mas o imerge mais profundamente nela.

Coragem, Acção Católica! O Senhor guie o teu caminho de renovação!

A Imaculada Virgem de Loreto te acompanha com solicitude terna; a Igreja olha para ti com confiança; o Papa saúda-te, apoia-te e abençoa-te de coração.

Obrigado, Acção Católica Italiana!

© Copyright 2004 - Libreria Editrice Vaticana

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