1. "Felizes os pacificadores..." (Mt 5, 9). As palavras
de Cristo iluminam-nos e confortam-nos nesta triste liturgia, com a qual nos
despedimos do venerado Irmão, o amado cardeal Jan Pieter Schotte.
Ele foi um homem de paz! Fez do valor da paz um dos
pontos qualificantes do seu longo e intenso serviço à Igreja universal e, em
particular, à Santa Sé. Estava de tal forma convencido que o cristianismo deve
testemunhar a paz, que escolheu como lema episcopal: "Parare viam Domino
pacis". No lema reconhece-se a referência a São João Baptista, Padroeiro da
Congregação do Coração Imaculado de Maria, à qual pertencia. De facto, era
tarefa do Baptista "preparar os caminhos para o Senhor" (cf. Lc 1, 76). O
Cardeal Schotte quis acrescentar a menção explícita da paz colocando-a ao lado
do nome do Senhor "Parare viam Domino pacis" quase a realçar que só no
acolhimento de Cristo e do seu Evangelho se pode alcançar a paz verdadeira
(cf. Sab 3, 3).
2. Depois de ter desempenhado importantes funções no âmbito da
sua Família religiosa, o saudoso Cardeal por mais de trinta anos pôs à
disposição da Cúria Romana generosa e incansavelmente os seus numerosos dotes
de inteligência, humildade e espiritualidade, desempenhando vários cargos.
Penso no trabalho por ele desempenhado primeiro na Secretaria de Estado, depois
na Pontifícia Comissão "Iustitia ed Pax", da qual o chamei, em seguida, a
desempenhar o cargo de Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos. Nem me posso
esquecer tudo o que fez, entre outras coisas, como Presidente da Repartição do
Trabalho da Sé Apostólica.
Incansável artífice de comunhão, ele colaborou
activamente na solicitude pastoral universal do Sucessor de Pedro.
3. Recordamos este nosso amado Irmão como testemunha do amor
que provém de Deus e que constitui o fundamento da unidade da Igreja (cf. 1
Jo 3, 14-16). Conforta-nos a esperança que ele agora está a contemplar face
a face o "Senhor da paz", que tanto amou e generosamente serviu durante a vida.
Que Deus misericordioso o acolha no seu Reino de paz.
Acompanhe-o a Virgem Imaculada no momento em que recebe o prémio prometido aos
servos bons e fiéis do Evangelho. Amém!