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CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II
À DIOCESE DE ROMA POR OCASIÃO
DA QUARESMA DE 1980

 

 

Caros Irmãos e Irmãs

Saúdo no Senhor a Igreja que está em Roma, todas as suas Comunidades e sobretudo as Paróquias, todos os meus Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio, as Famílias religiosas masculinas e femininas; os Seminários, os Colégios e as Universidades. Saúdo todos aqueles que prezam a recordação de Jesus Cristo nosso Redentor, manifestada na Liturgia da Quaresma, e todos quantos, no decurso deste abençoado período, desejam preparar-se para tomar parte no Mistério pascal da Sua Morte e Ressurreição, para obter os frutos salvíficos da conversão e da graça no Espírito Santo.

Quaresma é recordação. Recorda o caminho que nos indicou o Senhor com o Seu jejum de 40 dias no princípio da Sua missão messiânica. Recorda-nos também que deve cada um de nós — em qualquer ponto se encontre do seu caminho terreno converter-se incessantemente para Deus, que deve afastar-se da "tríplice — concupiscência" (cfr. 1 Jo 2, 161, das obras da carne (Gál 5, 19), que opõem resistência ao Espírito (Act 7, 51), e dar lugar aos dons do Espírito (cfr. Gál 16, 26) seguindo Cristo na oração e no jejum, quanto é capaz. Se portanto nos sentimos naquela unidade com Cristo, que nos traz à memória o nome mesmo de cristão, não podemos admitir que este período excepcional na vida da Igreja não se distinga de algum modo no conjunto da nossa vida particular.

Observemos ao menos a actual, e já tão atenuada, disciplina do jejum. Quanto possível, acrescentemos espontaneamente obras de abstinência e alguma renúncia a nós mesmos, sem as quais não existe verdadeiro domínio próprio.

Vivamos melhor o espírito de penitência. É indispensável para isto uma medida de oração mais ampla que a habitual, a meditação da Paixão do Redentor, e por último o empenho nas múltiplas obras de amor do próximo, a que a nossa época oferece tantas ocasiões. Época em que milhões de adultos e crianças morrem de pura fome, enquanto simultaneamente noutros países e ambientes florescem o culto dos bens de luxo e a abundância materialista.

O Cristo da Quaresma, recordemo-1'0, é sobretudo o Cristo que nos espera em cada homem que sofre, Aquele que nos estimula ao amor e julga segundo aquilo que fizermos a um só destes nossos irmãos mais pequeninos (cfr Mt 25, 40).

A Quaresma é portanto, não só recordação, mas também chamada contínua. Entrar neste período e vivê-lo no espírito, que nos transmitiu a mais antiga e sempre viva tradição da Igreja, quer dizer abrir a própria consciência. Permitir ao próprio Cristo abri-la com a palavra do Seu Evangelho, mas sobretudo com a eloquência da Sua Cruz.

A Quaresma é, portanto, ocasião excepcional para salvar em cada um de nós o homem interior (Ef 3, 16), tantas vezes esquecido, que, por obra da Paixão e da Ressurreição de Cristo, é criado na justiça e na santidade verdadeira (Ef 4, 24).

Não passe este tempo para nós sem o Sacramento da Penitência, sem o exame de consciência, sem o arrependimento dos pecados e, ao mesmo tempo, o propósito de melhoramento, não passe sem a confissão e a absolvição.

O Cristo da Quaresma é Aquele que da Sua Cruz, na Paixão e Morte pronuncia em certo sentido, a última e suprema palavra do amor de Deus para o homem, do Pai para o filho pródigo. Só este Amor é criador; só este tem a força de salvar o homem e o mundo. Não permaneçamos indiferentes. Procuremos correspondência a ele. Procuremos esta resposta no nosso coração. Procuremo-la na vida da Igreja no decurso da presente Quaresma.

Do Vaticano, 22 de Fevereiro de 1980

PAPA JOÃO PAULO II

 

 © Copyright 1980 - Libreria Editrice Vaticana

 

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