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MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II
POR OCASIÃO DO 40° ANIVERSÁRIO DA
UNIÃO CATÓLICA DA IMPRENSA ITALIANA

Ao Senhor PAOLO SCANDALETTI
Presidente da União Católica da Imprensa Italiana

1. O 40° aniversário de fundação da União Católica da Imprensa Italiana (UCSI) proporciona-me a grata oportunidade de dirigir uma cordial saudação a Vossa Excelência e a quantos fazem parte desta Associação. Acrescento aqui de bom grado a expressão do meu apreço pelo serviço que a UCSI está a prestar à evangelização, através do compromisso de qualificados profissionais no vasto campo da comunicação social, de maneira especial no sector da imprensa.

A este propósito, bem sei com quanto cuidado ela procura oferecer o próprio contributo à difusão dos valores cristãos, mediante uma acção incisiva e pormenorizada nos jornais e nas publicações periódicas. Portanto, transmito o meu apreço aos profissionais católicos que trabalham neste campo, pela ansiedade apostólica que vivifica a sua obra de todos os dias: o corajoso testemunho de fé que cada um deles oferece no âmbito dos mass media constitui um precioso serviço a favor da tutela e da promoção do verdadeiro bem da pessoa e da comunidade.

2. O incessante progresso dos meios de comunicação social exerce uma crescente influência sobre as pessoas e a opinião pública, e isto faz aumentar a responsabilidade daqueles que actuam directamente neste sector, porque os induz a fazer opções inspiradas na busca da verdade e no serviço do bem comum.

A este propósito, deve-se salientar o facto de que, em vastos estratos da sociedade hodierna, existe um vigoroso desejo de bem, que nem sempre encontra uma adequada resposta nos jornais ou nos noticiários radiotelevisivos, onde os parâmetros de avaliação dos acontecimentos são com frequência caracterizados mais por critérios de tipo comercial do que de género social. Tende-se a privilegiar "aquilo que faz notícia", o que é "sensacional" em relação àquilo que, ao contrário, ajudaria a compreender melhor as vicissitudes do mundo. Desta forma, corre-se o perigo de deturpar a verdade. Para resolver esta problemática, é urgente que os cristãos comprometidos no campo da informação trabalhem, juntamente com todas as pessoas de boa vontade, em prol de um maior respeito pela verdade. Evidenciando temas como aqueles da paz, da honestidade, da vida, da família e não dando contudo excessivo relevo a factos negativos, poder-se-ia fomentar o nascimento de um novo humanismo que abra as portas à esperança.

Como eu escrevia na Mensagem para a XXXIII Jornada Mundial das Comunicações Sociais: "A cultura da sabedoria própria da Igreja pode evitar que a cultura da informação dos meios de comunicação se torne um acumular-se de factos sem sentido, enquanto que os meios de comunicação social podem ajudar a sabedoria da Igreja a estar atenta diante dos sempre novos conhecimentos que emergem no tempo presente" (n. 4). Nesta perspectiva, a informação parece ser cada vez mais um valor irrenunciável, que constitui um bem social do qual é indispensável garantir a equitativa distribuição entre todos os usuários.

3. A revolução digital, que caracteriza o mundo da informação do final deste milénio, introduz um novo modo de compreender a comunicação. Os paradigmas até agora conhecidos foram modificados: já não subsistem apenas fontes capazes de difundir informações e bacias de receptores, capazes de recolher as mensagens. Uma rede de computadores interligados consente a igualdade hierárquica entre as pessoas que emitem as mensagens e aquelas que as recebem, com reciprocidade de emissão. Esta extraordinária oportunidade é dotada de um potencial cultural sem precedentes, com reflexos nas ordens social e política, em vantagem dos mais frágeis e dos menos abastados. Porém, ela corre o risco de não expressar plenamente cada uma das suas potencialidades, se aos usuários não forem oferecidas iguais oportunidades de acesso às redes informáticas.

Os fluxos de comunicação são capazes de abater as tradicionais barreiras do espaço e do tempo, atravessando as fronteiras e evitando praticamente todos os géneros de censura. A impossibilidade de controle cria autênticas inundações de notícias sobre as quais quase não se oferece ao indivíduo a oportunidade de exercer qualquer tipo de verificação. Desta forma, subsiste o perigo de que nasça um sistema baseado nas grandes concentrações informativas que, a níveis nacional e internacional, são capazes de agir na total "desregulamentação", recriando condições de superioridade e, por conseguinte, de sujeição cultural.

4. Unicamente o apelo à responsabilidade individual dos operadores no campo das comunicações sociais não é suficiente para assegurar a gestão deste complexo processo de transformação. É necessário um compromisso por parte das Autoridades governamentais. Em particular, é preciso uma tomada de consciência generalizada por parte dos usuários, os quais devem ser colocados em condições de rejeitar a situação de receptores passivos das mensagens que inundam as casas, envolvendo as suas próprias famílias. Com frequência, os mass media correm o risco de substituir as agências educativas, indicando modelos culturais e comportamentais nem sempre positivos, perante os quais sobretudo os mais jovens permanecem indefesos. Por conseguinte, é indispensável fornecer a todos instrumentos culturais adequados, a fim de que possam dialogar com os meios de comunicação social, em vista de orientar em sentido positivo as suas escolhas informativas, no respeito do homem e da sua consciência.

Estes problemas de elevada relevância moral interpelam a Igreja e as agregações laicais, tanto a nível central como nas articulações territoriais, diocesanas e paroquiais. A pastoral das comunicações revela-se cada vez mais importante como ponto de referência quer para os operadores dos mass media, quer para os fruidores destes meios. Assim, encorajo-vos a intensificar a vossa acção apostólica, na consciência da vossa responsabilidade no seio da Igreja e da sociedade.

5. Os quarenta anos de história da União Católica da Imprensa Italiana demonstram que a cooperação dos leigos, também neste especial sector de intervenção cultural, deve ser buscada e alimentada mediante uma renovada atenção pastoral. A tradição do jornalismo católico na Itália teve uma inquestionável influência sobre a formação de gerações de crentes animados por uma fé viva. Quantos jornalistas deixaram um sinal profundo, e quantos deles continuam a trabalhar com espírito de sacrifício e competência no sector dos mass media!

Diante do desenvolvimento da chamada "cultura mediática", a ideia relançada ainda recentemente por uma Comissão de ética dos mass media, que vigie sobre as possíveis manipulações da informação, insere-se na tradição cultural da doutrina social da Igreja e reafirma o princípio segundo o qual, inclusive no mundo da comunicação social, nem tudo aquilo que é tecnicamente possível é lícito sob o ponto de vista moral.

Encaminhamo-nos rumo ao Grande Jubileu do Ano 2000. Sei que, em preparação para este extraordinário evento, sob a orientação dos pastores diocesanos, vós estais a reler as cartas de São Paulo, enquanto reflectis sobre as passagens mais significativas da Sagrada Escritura. É a maneira mais oportuna para vos preparardes e entrardes no novo milénio com a profunda convicção de que cada operador da comunicação social, quando desempenha com seriedade e consciência a própria missão, participa activamente no grandioso desígnio salvífico que o Jubileu repropõe na sua realidade mais incisiva. Oxalá o próximo Ano Santo desperte novamente em todos os membros desta Associação um renovado desejo de servir a Cristo e o seu Reino.

Com estes bons votos, invoco sobre cada um de vós a materna protecção de Maria e concedo-lhe, Senhor Presidente, assim como a todos os membros deste benemérito Sodalício, a Bênção Apostólica em penhor das abundantes graças celestiais.

Castel Gandolfo, 22 de Setembro de 1999.

 

PAPA JOÃO PAULO PP. II

 

 

© Copyright 1999 - Libreria Editrice Vaticana

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