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CARTA DO PAPA JOÃO
PAULO II
Ao Senhor Cardeal Tomei conhecimento de que os fiéis das Dioceses de São Sebastião, Bilbau e Vitória, assim como da Arquidiocese de Pamplona, guiados pelos seus Pastores, se reuniram juntamente com outros homens e mulheres de boa vontade, no sábado 13 de Janeiro, para um encontro de oração em Campas de São Prudêncio (Vitória), para implorar de Deus a paz e o fim do terrorismo. Nesta ocasião, uno-me espiritualmente a todos os que se congregam nesse lugar, elevando a minha oração pela radical e sincera conversão de todos à santa lei de Deus, fundamento da convivência pacífica e do respeito pelos direitos de cada pessoa, a fim de que assim se restabeleça o justo e concorde entendimento entre os homens, as famílias e as populações do País Basco, em Navarra e em toda a amada Nação espanhola, profundamente atingidos pela crueldade da situação presente, devido à violência terrorista que se prolonga desde há anos. A tão almejada paz social é sobretudo um dom do Salvador, cujo advento acabámos de celebrar de forma especial no Natal: a Natividade do Ano do Grande Jubileu da sua Encarnação. Durante estes dias, retomando o anúncio dos anjos em Belém (cf. Lc 2, 14), nós crentes expressamos a convicção de que somente Cristo é a "nossa paz" (Ef 2, 14), confirmando assim que Ele mesmo é um dom de paz do Pai a toda a humanidade. Destruindo o pecado e o ódio, e convidando todos à concórdia e à fraternidade, veio para unir o que tinha sido dividido; por isso, Ele é "princípio e modelo da humanidade renovada e imbuída de amor fraterno, de sinceridade e espírito pacífico, a que todos aspiram" (Ad gentes, 8). Nesta circunstância, desejo encorajar as comunidades cristãs que, com a sua vida e acção, tornam presente Jesus Cristo, para que incrementem a sua união com Ele, intensificando a oração confiante e perseverante pela paz. As nossas súplicas farão de cada um de nós instrumento de paz, semeador de concórdia e artífice de perdão. Numa sociedade caracterizada por fortes tensões, as Igrejas particulares dos territórios que infelizmente padecem com muita frequência o flagelo do terrorismo, têm a missão de promover a unidade e a reconciliação, rejeitando qualquer tipo de violência e de chantagem, pois em tais situações é toda a sociedade que sofre. Além disso, é uma vez mais necessário levantar a voz em favor do valor da vida, da segurança, da integridade física e da liberdade. Com efeito, a vida humana "não pode ser vista como um objecto de que dispor arbitrariamente, mas como a realidade mais sagrada e inviolável que existe sobre a face da terra. Não pode haver paz, quando falta a salvaguarda deste bem fundamental. Não se pode invocar a paz e desprezar a vida" (Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2001, n. 19). As comunidades cristãs hão-de constituir privilegiados lugares de hospitalidade e de compromisso generoso com a paz genuína, contribuindo para remover obstáculos, derrubar muros e favorecer iniciativas e projectos em colaboração e diálogo social com muitas pessoas e grupos interessados na sua obtenção. Nesta tarefa, é essencial incluir os jovens, que devem ser educados sempre e em todas as partes: nas escolas e universidades, nos ambientes de trabalho, no tempo livre e nos desportos, bem como na cultura da paz. Paz dentro e fora deles, paz sempre, paz para todos. A eles e a toda a sociedade, quero dizer: rejeitando a violência, sede amigos da paz, rezai pela paz e construí a paz. Deus misericordioso conceda a paz social ao País Basco, a Navarra e à Espanha inteira! Com um renovado estilo de vida, sejamos merecedores deste dom divino! A minha bênção e o meu afecto acompanhem sempre todas as pessoas que se comprometem nesta extraordinária e necessária tarefa de alcançar a paz, de pôr termo ao terrorismo e à violência, de fomentar o desenvolvimento e a convivência na justiça e na verdade. Vaticano, 6 de Janeiro de 2001, solenidade da Epifania do Senhor e encerramento do Grande Jubileu.
JOÃO PAULO PP. II
© Copyright 2001 - Libreria Editrice Vaticana
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