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MENSAGEM DO PAPA JOÃO
PAULO II
Ao Venerado Irmão D. SILVANO
MONTEVECCHI 1. Estou particularmente feliz por transmitir a minha cordial saudação a Vossa Excelência, bem como a toda a Comunidade diocesana que, juntamente com os Frades Menores Capuchinhos da Província religiosa da Região das Marcas, está a preparar-se para recordar, com numerosas iniciativas pastorais, litúrgicas e culturais, o IV centenário da morte de São Serafim de Montegranaro, ocorrida no Convento dos Capuchinhos de Áscoli Piceno no dia 12 de Outubro de 1604. Torno-me especialmente presente nestas celebrações jubilares e estou persuadido de que elas hão-de contribuir para fazer conhecer melhor, juntamente com os exemplos de vida evangélica deste humilde filho de São Francisco, inclusivamente a actualidade da mensagem que sobressai da sua figura e das suas vicissitudes humanas e espirituais. Isto não poderá deixar de imprimir um renovado impulso no compromisso em benefício da nova evangelização em Áscoli, em Loreto e também nas diversas Comunidades eclesiais, no contexto das quais ele transcorreu a sua existência. 2. São Serafim de Montegranaro faz plenamente parte do exército de Santos que, desde o princípio, enriqueceram a Ordem dos Frades Capuchinhos. Ele assimilou de maneira tão profunda a exortação evangélica a "rezar sempre, sem jamais desfalecer" (cf. Lc 18, 1; 21, 36), que a sua mente permanecia habitualmente mergulhada nas coisas do espírito, a tal ponto que muitas vezes chegava a tornar-se alheio a tudo aquilo que o circundava. Ele detinha-se para contemplar a presença divina na criação e nas pessoas, haurindo desta prática a inspiração para uma união constante com Deus. A sua oração prolongava-se durante horas no silêncio da noite, à
luz trémula da lâmpada que, na igreja conventual, ardia diante do Tabernáculo.
Com que devoção o humilde frade participava na Celebração Eucarística! E por
quanto tempo ele permanecia em adoração estática à frente do Santíssimo
Sacramento, deixando que a sua oração se elevasse como um incenso
agradável ao Senhor! 3. O seu estilo de vida humilde e essencial, que passava num pequeno quarto despojado e angusto, as suas vestes miseráveis e remendadas, constituem testemunhos eloquentes do amor que ele nutria pela "Senhora Pobreza". O espírito de menoridade convicta, que para ele se tinha tornado conatural ao longo dos anos, deixava transparecer a verdadeira grandeza da sua alma. Ele compreendeu perfeitamente a página evangélica, que proclama: "Quem quiser ser grande entre vós, que se faça vosso servo, e quem quiser ser o primeiro entre vós, que se faça o servo de todos" (Mc 10, 43-44). Às penitências incessantes, que ele escolhia livremente, entre as quais também o recurso ao cilício e à disciplina, o Santo unia a prática quotidiana de sacrifícios e de renúncias e, como mendigo, percorria caminhos empoeirados e assolados, compartilhava as dificuldades de numerosos dos seus contemporâneos. Ele gostava de frequentar as camadas menos abastadas e mais marginalizadas da população, para compreender até as exigências mais recônditas das mesmas e para aliviar os seus sofrimentos físicos e espirituais. E demonstrava a mesma disponibilidade para com quantos iam bater à porta do seu Convento. O Santo foi um grande pacificador das famílias porque, segundo as diversas circunstâncias, conseguia harmonizar com sabedoria as vigorosas exortações com gestos de solidariedade repletos de amor e com palavras de consolação encorajadora. 4. Venerado Irmão, formulo votos do íntimo do coração, a fim de que esta celebração quatro vezes centenária da piedosa morte de São Serafim constitua para toda a Igreja que se encontra em Áscoli, uma circunstância propícia em vista de tender cada vez mais decididamente para a santidade, valorizando de maneira integral as várias dádivas e carismas, que Deus não cessa de conceder ao seu povo fiel. Faço votos, outrossim, por que a "peregrinatio" da urna do Santo pelas diversas áreas pastorais da Diocese de Áscoli e também pelas demais Comunidades eclesiais dessa Região, a organização do Congresso internacional sobre a sua figura e a sua espiritualidade, assim como todas as outras oportunas iniciativas e manifestações religiosas e culturais inseridas nos programas das celebrações, ofereçam elementos úteis para aprofundar a mensagem, ainda hoje actual, do humilde Frade Capuchinho de Montegranaro. Que a Mãe celestial de Deus, de Quem ele se proclamava um filho devoto, proteja esta querida Comunidade de Áscoli e os dilectos Frades Capuchinhos da Região das Marcas. A intercessão e a salvaguarda de São Serafim sejam para todos um conforto e um estímulo a seguir Jesus Cristo com generosidade, de tal maneira que, graças às presentes celebrações centenárias, aumentem em cada um o ardor pela perfeição evangélica e a coragem de dar testemunho dos valores do espírito, que caracterizaram toda a existência deste Santo, vosso conterrâneo. Com estes sentimentos e votos de bem, é de bom grado que concedo a Vossa Excelência, Venerado Irmão, aos Frades Capuchinhos e a todos os fiéis que participarem nas diversas iniciativas jubilares, uma especial Bênção Apostólica enquanto, de boa vontade, a torno extensiva a todos os devotos de São Serafim de Montegranaro. Vaticano, 3 de Junho de 2004.
PAPA JOÃO PAULO II
© Copyright 2004 - Libreria Editrice Vaticana
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