Senhor Presidente
Desejo dirigir a minha atenção para o iminente encontro entre os
Senhores Chanceleres da Argentina e do Chile com viva esperança de ver superada
a controvérsia que divide os vossos Países e que tanta mágoa causa ao meu
coração.
Oxalá o colóquio abra o caminho a uma ulterior reflexão que,
evitando passos susceptíveis de consequências imprevistas, Leve a prosseguir um
exame sereno e responsável dos contrastes. Assim poderão prevalecer as
exigências da justiça, da equidade e da prudência, como fundamento seguro e
estável da convivência fraterna dos vossos povos que corresponde à sua profunda
aspiração de paz interior e exterior, sobre as quais se possa construir um
futuro melhor.
O diálogo não prejudica os direitos e amplia o campo das
possibilidades razoáveis, para honra de todos quantos têm a força e o bom senso
de o continuar incansavelmente contra todos os obstáculos.
Será urna solicitude abençoada por Deus e sustida pelo consenso
dos vossos povos e o aplauso da Comunidade internacional.
O meu apelo é ditado pelo afecto paterno que sinto por ambas
essas Nações tão queridas, e pela confiança que me inspira o sentido de
responsabilidade de que até agora elas deram prova e da qual espero um novo
testemunho.
Com os meus melhores votos e a minha Bênção.
JOÃO PAULO PP. II