Caríssimos jovens
Sede bem-vindos à Casa do Papa, que agora vos acolhe com grande simpatia e
benevolência, acompanhados pelo vosso zeloso Arcebispo, D. Ottorino Alberti;
pelo Abade de Subiaco, Padre Stanislau Andreotti; pelas Autoridades civis e por
todos os que, ou eclesiásticos ou leigos, constituem a Comissão para as
Celebrações do 15.° Centenário do nascimento de São Bento abade e de sua irmã
Santa Escolástica, ilustres e venerados filhos da nobre terra umbra, pátria
eleita de santos.
Estou muito reconhecido ao Senhor Presidente da Câmara de Áscoli Piceno, pelas palavras que quis dirigir-me, e reconhecido também a vós
todos pelo delicado pensamento de terdes aqui vindo receber os meus votos e
bênção, antes de começar a marcha da «Fiaccola benedittina» (facho beneditino),
que, por vós levada à mão, passará por tantas cidades do Lácio e da Úmbria para
chegar por fim a Núrcia, onde ficará acesa durante todo o tempo das festas em
honra dos dois santos dessa terra.
Ao acender e benzer este significativo facho,
faço votos por que, em todas as cidades e aldeias por onde ele passar, desperte
sentimentos de fraternidade, amizade e paz, dos quais São Bento foi apóstolo
infatigável no meio dos povos da Europa, que o viram empenhado na acção
evangélica para um despertar cristão sob o signo da Cruz e do arado, e do
correspondente mote «Ora et labora».
À luz esplendorosa deste facho, oxalá quantos encontrardes no percurso dos
caminhos da vossa caravana, todos se sintam irmãos, harmonizem as razões dos
dissídios e dos conflitos, que tornam os homens inimigos uns dos outros, e oxalá
sejam capazes de perdão recíproco, de respeito, de concórdia e de colaboração.
Seja o vosso, de verdade, facho da luz e da paz, num momento em que o egoísmo e
a violência, como foi indicado, fazem que se note, mais do que nunca, a
necessidade de maior tomada de consciência destes inestimáveis valores cristãos
e sociais.
E a vós, caros jovens, que transportais com brio religioso e ao mesmo
tempo desportivo esse facho benzido, não posso deixar de dirigir um particular
pensamento de satisfação pela generosidade com que levais avante e honrais a
tradição cristã da vossa terra e a pondes em prática, também no singular e
comprometedor campo do desporto, não menos que no das virtudes cristãs,
magistralmente descritas por São Bento, quando, no capítulo IV da sua Regra,
recomenda ao monge, e depois a todo o cristão, que seja «não soberbo, não
violento, não comilão, não sonolento, não preguiçoso, não murmurador, não
detractor ... mas casto, manso, zeloso, humilde e obediente». Procurai conhecer,
um pouco melhor e um pouco mais profundamente, as raízes de que provém tão bela
maneira de viver e testemunhar a fé religiosa de cada um. Continuai neste sulco
limpidamente traçado pelo vosso Santo conterrâneo e trazei-lhe o contributo da
vossa pessoa e da vossa obra.
São estes os votos que por vós formulo de todo o coração,
pedindo, para vós e convosco, ao vosso e meu São Bento que vos proteja sempre
com a sua poderosa intercessão. Dê eficácia a estes votos a Bênção Apostólica,
que de coração concedo a todos vós e às vossas famílias.