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VIAGEM APOSTÓLICA DO SANTO PADRE A PARIS E LISIEUX

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
NA SEDE DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS
PARA A EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E CULTURA - UNESCO

Paris, 2 de Junho de 1980

 

Senhor Presidente da Conferência Geral
Senhor Presidente do Conselho Executivo
Senhor Director-Geral
Senhoras, Senhores

1. Desejo começar por exprimir os meus agradecimentos muito cordiais pelo convite que o Senhor Amadou Mahtar-M'Bow, Director-Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e  a Cultura, me dirigiu repetidamente, e já desde a primeira das visitas que me deu a honra de fazer-me. Numerosas são as razões pelas quais me sinto feliz de me ser hoje permitido aceitar esse convite, que logo muito apreciei.

As amáveis palavras de boas-vindas que foram pronunciadas agora mesmo a mim dirigidas, agradeço-as ao Senhor Napoléon Leblanc, Presidente da Conferência Geral, ao Senhor Chains Eldine El Wakil, Presidente do Conselho Executivo, e ao Senhor Amadou Mahtar-M'Bow, Director-Geral da Organização. Quero saudar também todos os que se reuniram aqui para a 109ª sessão do Conselho Executivo. da UNESCO. Não poderia esconder a minha alegria por ver reunidos nesta ocasião tantos delegados das Nações do mundo inteiro, tantas personalidades eminentes, tantas competências e tantos ilustres representantes do mundo da cultura e da ciência.

Com a minha intervenção, procurarei levar a minha modesta pedra ao edifício que vós construís com assiduidade e perseverança, Senhoras e Senhores, pelas vossas reflexões e as vossas resoluções em todos os campos que são da competência da UNESCO.

2. Seja-me permitido começar referindo-me às origens da vossa Organização. Os acontecimentos que assinalaram a fundação da UNESCO inspiram-me alegria e gratidão para com a Providência: a assinatura da sua constituição a 16 de Novembro de 1945; a entrada em vigor desta constituição e o estabelecimento da Organização a 4 de Novembro de 1946; o acordo entre a UNESCO e a Organização das Nações Unidas aprovado pela Assembleia Geral da ONU no mesmo ano. A vossa Organização é, com efeito, obra das Nações Unidas que foram; depois do fim da terrível segunda guerra mundial, levadas por aquilo que se poderia chamar desejo espontâneo de paz, de união e reconciliação. Estas Nações procuraram os meios e as formas de uma colaboração capaz de estabelecer, aprofundar e assegurar de maneira duradoura esta nova harmonia. A UNESCO nasceu portanto, como a Organização das Nações Unidas, porque os povos sabiam que na base dos grandes empreendimentos destinados a servir a paz e o progresso da humanidade no conjunto do globo, havia a necessidade da união nas nações, do respeito recíproco e da cooperação internacional.

3. Prolongando a acção, o pensamento e a mensagem do meu grande predecessor o Papa Paulo VI, tive a honra de tomar a palavra diante da Assembleia Geral das Nações Unidas, no mês de Outubro último, a convite do Senhor Kurt Waldheim, Secretário Geral da ONU. Pouco depois, a 12 de Novembro de  1979, fui convidado pelo Senhor Edouard Saouma, Director-Geral da Organização das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura em Roma. Nestas circunstâncias, foi-me dada tratar questões profundamente ligadas ao conjunto dos problemas que se relacionam com o futuro pacífico do homem na terra. Com efeito, todos estes problemas estão intimamente ligados. Encontramo-nos em presença, por assim dizer, de um vasto sistema de vasos comunicantes: os problemas da cultura, da ciência e da educação não se apresentam, na vida das nações e nas relações, internacionais, de maneira independente dos outros problemas da existência humana, como os da paz ou da fome. Os problemas da cultura são condicionados pelas outras dimensões da existência humana, da mesma maneira que, por sua vez, estes os condicionam.

4. Há apesar de tudo — e sublinhei-o no meu discurso à ONU referindo-me à Declaração Universal dos direitos do homem — uma dimensão fundamental, que é capaz de perturbar até aos fundamentos os sistemas que estruturam o conjunto da humanidade e de libertar a existência humana, individual e colectiva, das ameaças que pesam sobre ela. Esta dimensão fundamental é o homem, o homem na sua integralidade, o homem que vive ao mesmo tempo na esfera dos valores materiais e na dos valores espirituais. O respeito dos direitos inalienáveis da pessoa humana está na base de tudo (cfr. Discurso à ONU, nn. 7 e 13).

Toda a ameaça contra os direitos do homem, quer seja no âmbito dos seus bens espirituais ou no dos seus bens materiais, faz violência a esta dimensão fundamental. Por isso, no meu discurso à FAO, sublinhei que nenhum homem, nenhum país nem nenhum sistema do mundo pode ficar indiferente diante da "geografia da fome" e das ameaças gigantescas que daí se seguirem se a orientação inteira da política económica, e em particular a hierarquia dos investimentos, não mudam de maneira essencial e radical. Por isso insisto também, referindo-me às origens da vossa Organização, na necessidade de mobilizar todas as forças que orientam a dimensão espiritual da existência humana e dão testemunho da primazia do espiritual no homem — do que corresponde à dignidade da sua inteligência, da sua vontade e do seu coração — para não sucumbir de novo à monstruosa alienação do mal colectivo que está sempre pronto a utilizar as potências materiais na luta exterminadora dos homens contra os homens, das nações contra as nações.

5. Na origem da UNESCO, como também na base da Declaração Universal dos direitos do homem, encontram-se portanto estes primeiros nobres impulsos da consciência humana, da inteligência e da vontade. Apelo para esta origem, para este começo, para estas premissas e para estes primeiros princípios. É em nome disso que eu venho hoje a Paris, à sede da vossa Organização, com um pedido: de que, no termo de um período de mais de 30 anos das vossas actividades, queirais unir-vos mais ainda à volta destes ideais e dos princípios que se encontraram no começo. É em nome deles também que eu me permitiria agora propor-vos algumas considerações verdadeiramente fundamentais, porque é somente à luz delas que brilha plenamente a significação desta instituição que tem por nome UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

6. Genus humanum arte et ratione vivit (cfr. São Tomás comentando Aristóteles, em Post. Analyt., n. 1). Estas palavras de um dos maiores génios do Cristianismo, que foi ao mesmo tempo continuador fecundo do pensamento antigo, levam além do círculo e da significação contemporânea da cultura ocidental, seja ela mediterrânea ou atlântica. Têm uma significação que se aplica ao conjunto da humanidade onde se encontram as diversas tradições que formam a sua herança espiritual e as diversas épocas da sua cultura. A significação essencial da cultura consiste, segundo estas palavras de São Tomás de Aquino, em ela ser uma característica da vida humana como tal. O homem vive uma vida verdadeiramente humana graças à cultura. A vida humana é cultura também neste sentido que o homem se distingue e se diferencia por meio dela de tudo o que existe com outra origem no mundo visível: o homem não pode prescindir da cultura.

A cultura é um modo específico do '"existir" e do "ser" do homem. O homem vive sempre segundo uma cultura que lhe é própria e, por sua vez, cria entre os homens um laço que lhe é próprio também, determinando o carácter inter-humano e social da existência humana. Na unidade da cultura, como modo próprio da existência humana, enraíza-se ao mesmo tempo a pluralidade das culturas no meio da qual o homem vive. Nesta pluralidade, o homem desenvolve-se sem perder todavia o contacto essencial com a unidade da cultura enquanto dimensão fundamental e essencial da sua existência e do seu ser.

7. O homem que, no mundo visível, é o único sujeito ôntico da cultura, é também o seu único objecto e o seu termo. A cultura é aquilo pelo qual o homem enquanto homem se torna mais homem, "é" mais, chega mais ao "ser". Nisto se funda também a distinção capital entre o que o homem é e o que tem, entre o ser e o ter. A cultura situa-se sempre em relação essencial e necessária com o que é o homem, ao passo que a sua relação com o que tem, com o seu "ter", é não somente secundária, mas inteiramente relativa. Todo o "ter" do homem não é importante para a cultura, não é factor criador de cultura, senão na medida em que o homem, pelo intermediário do seu "ter", pode ao mesmo tempo "ser" mais plenamente como homem, tornar-se mais plenamente homem em todas as dimensões da sua existência, em tudo o que caracteriza a sua humanidade. A experiência das diversas épocas, sem excluir a época presente, demonstra que se pensa na cultura e dela se fala primeiro em relação com a natureza do homem, e somente depois de maneira secundária e indirecta em relação com o mundo dos seus produtos. Isto não tira nada ao facto de nós julgarmos o fenómeno da cultura a partir do que o homem produz, ou de nós tirarmos disso ao mesmo tempo conclusões sobre o homem. Tal aproximação — modo típico do processo de conhecimento "a posteriori" — contém em si mesma a possibilidade de subir, em sentido inverso, para as dependências ôntico-causais. O homem, e só o homem, é "actor" ou "produtor" da cultura; o homem, e o homem só, se exprime nela e nela encontra o seu próprio equilíbrio.

8. Nós todos aqui presentes encontramo-nos no terreno da cultura, realidade fundamental que nos une e está na base do estabelecimento e das finalidades da UNESCO. Encontramo-nos por isso mesmo à volta do homem e, em certo sentido, nele, no homem. Este homem, que se exprime e objectiva na e pela cultura, é único, completo e indivisível. É ao mesmo tempo sujeito e produtor da cultura. Não é possível portanto encará-lo unicamente como a resultante de todas as condições concretas da sua existência, como a resultante — para citar apenas um exemplo — das relações de produção que prevalecem numa época determinada. Este critério das relações de produção não será de maneira nenhuma uma chave para a compreensão da historicidade do homem, para a compreensão da sua cultura e das múltiplas formas do seu desenvolvimento? Certamente, este critério forma bem uma chave e chave até preciosa, mas não é a chave fundamental, constitutiva. As culturas humanas reflectem, não há qualquer dúvida, os diversos sistemas de relações de produção; contudo, não é tal ou tal sistema que está na origem da cultura, mas é com certeza o homem, o homem que vive no sistema, que o aceita ou procura mudá-lo. Não se pode conceber uma  cultura sem subjectividade humana e sem causalidade humana; mas no campo cultural, o homem é sempre o facto primeiro: o homem e o facto primordial e fundamental da cultura.

E isto, o homem é-o sempre na sua totalidade: no conjunto integral da sua subjectividade espiritual e material. Se a distinção entre cultura espiritual e cultura material é justa em função do carácter e do conteúdo dos produtos em que se manifesta a cultura, é preciso verificar ao mesmo tempo que, por um lado, as obras da cultura material fazem aparecer sempre uma "espiritualização" da matéria, uma submissão do elemento material às forças espirituais do homem, isto é, à sua inteligência è à sua vontade — e que, por outro lado, as obras da cultura espiritual manifestam, de maneira especifica, uma "materialização" do espírito, uma encarnação do que é espiritual. Nas obras culturais, esta dupla característica parece ser igualmente primordial e igualmente permanente.

Eis pois, à maneira de conclusão teórica, uma base suficiente para compreender a cultura através do homem integral, através de toda a realidade da sua subjectividade. Eis também — no campo do actuar — a base suficiente para procurar sempre na cultura o homem integral, o homem completo, em toda a verdade da sua subjectividade espiritual e corporal; a base que é suficiente para não sobrepor à cultura — sistema autenticamente humano, síntese esplêndida do espírito e do corpo — divisões e oposições preconcebidas. Com efeito, quer se trate de uma absolutização da matéria na estrutura do sujeito humano, ou, inversamente, de uma absolutização do espírito nesta mesma estrutura, nem uma nem outra exprimem a verdade do homem nem servem a sua cultura.

9. Desejaria deter-me aqui numa consideração essencial, numa realidade de ordem bem diversa. Podemos entrar nela notando que a Santa Sé está representada na UNESCO pelo seu Observador permanente, cuja presença se situa na perspectiva da natureza mesma da Sé Apostólica. Esta presença está, de uma maneira mais vasta ainda, em consonância com a natureza e a missão da Igreja católica e, indirectamente, com a de todo o Cristianismo. Aproveito a ocasião que me é oferecida hoje para exprimir uma convicção pessoal profunda. A presença da Sé Apostólica junto da vossa Organização — embora motivada também pela soberania específica da Santa Sé — encontra, por cima de tudo, a sua razão de ser no laço orgânico e constitutivo que existe entre a religião em geral e o Cristianismo em particular, por um lado, e a cultura, por outro. Esta relação estende-se às múltiplas realidades que é preciso definir como expressões concretas da cultura nas diversas épocas da história e em todos os pontos de globo. Certamente não será exagerado afirmar em especial que, através de uma multidão de factos, a Europa inteira — do Atlântico aos Urais — testemunha, na história de cada nação como na da comunidade inteira, o laço entre a cultura e o Cristianismo.

Recordando isto, não quero de maneira nenhuma diminuir a herança dos outros continentes, nem a especificidade e o valor desta mesma herança que deriva das outras fontes da inspiração religiosa, humanista e ética. Bem mais, a todas as culturas do conjunto da família humana, das mais antigas às que nos são contemporâneas, desejo prestar a homenagem mais profunda e sincera. É pensando em todas estas culturas que desejo dizer em alta voz aqui, em Paris, na sede da UNESCO, com respeito e admiração: "Eis aqui o homem". Quero proclamar a minha admiração diante da riqueza criadora do espírito humano, diante dos seus esforços incessantes para conhecer e afirmar a identidade do homem: deste homem que está sempre presente em todas as formas particulares de cultura.

10. Falando pelo contrário do lugar da Igreja e da Sé Apostólica junto da vossa Organização, não penso somente em todas as obras da cultura nas quais, durante os dois últimos milénios, se exprimia o homem que recebera Cristo e o Evangelho, nem nas instituições de diferentes espécies que nasceram da mesma inspiração nos campos da educação, da instrução, da beneficência, da assistência social e em tantos outros. Penso sobretudo, Senhoras e Senhores, no laço fundamental do Evangelho, isto é, da mensagem de Cristo e da Igreja, com o homem na sua humanidade mesma. Este laço é, com efeito, criador de cultura até no seu fundamento. Para criar a cultura, é preciso considerar, até nas suas últimas consequências e integralmente, o homem como valor particular e autónomo, como o sujeito portador da transcendência da pessoa. É preciso afirmar o homem por ele mesmo, e não por algum outro motivo ou razão; unicamente por ele mesmo. Bem mais, é preciso amar o homem porque é homem, é preciso reivindicar o amor pelo amor por causa da dignidade particular que ele possui. O conjunto das afirmações quanto ao homem pertence à substância mesma da mensagem de Cristo e da missão da Igreja, apesar de tudo o que os espíritos críticos puderam declarar na matéria, tudo o que puderam fazer as diversas correntes opostas à religião em geral e ao Cristianismo em particular.

No decorrer da história, nós fomos já mais de uma vez, e somo-lo ainda, testemunhas de um processo, de um fenómeno muito significativo. Onde foram suprimidas as instituições religiosas, onde as ideias e as obras nascidas da inspiração religiosa, e em particular da inspiração cristã, foram privadas do seu direito de cidade, os homens encontram de novo esses mesmos dados fora dos caminhos institucionais, pela confrontação que se opera, na verdade e no esforço interior, entre o que lhes constitui a humanidade e o que está contido na mensagem cristã.

Senhoras e Senhores, tereis a bondade de me perdoar esta afirmação. Propondo-a, não quis ofender absolutamente ninguém. Peço-vos compreendais que, em nome do que sou, não podia abster-me de dar este testemunho. Ele traz também em si esta verdade — que não pode ser passada em silêncio — sobre a cultura, se nela procuramos tudo o que é humano, aquilo em que o homem se exprime ou por que ele quer ser o sujeito da sua existência. E, em particular, queria ao mesmo tempo manifestar mais a minha gratidão pelos laços que unem a UNESCO à Sé Apostólica, laços de que a minha presença hoje quer ser expressão particular.

11. De tudo isto se deduz certo número de conclusões capitais. Com efeito, as considerações agora feitas mostram à evidência que a tarefa primeira e essencial da cultura em geral, e também de toda a cultura, é a educação. Esta consiste, de facto, em que o homem se torne, cada vez mais, homem, que ele possa "ser" mais e não unicamente que ele possa "ter" mais, e que por consequência, através de tudo o que ele "tem", tudo o que ele `"possui", ele saiba cada vez mais plenamente "ser" homem. Para isto é preciso que o homem saiba "ser mais" não só "com os outros" mas também "pelos outros". A educação tem importância fundamental para a formação das relações inter-humanas e sociais. Aqui também, entro num conjunto de axiomas em cujo terreno as tradições do Cristianismo, derivadas do Evangelho, encontram a experiência educativa de tantos homens bem dispostos e profundamente prudentes, tão numerosos em todos os séculos da história. Não faltam também na nossa época, esses homens que se revelam grandes, simplesmente pela humanidade que sabem repartir com os outros, em particular com os jovens. Ao mesmo tempo, os sintomas de crises de todo o género diante das quais sucumbem os meios e as sociedades por outro lado os mais bem providos — crises que afectam primeiramente as gerações juvenis — testemunham à porfia que a obra da educação do homem não se realiza somente com a ajuda das instituições, com a ajuda dos meios organizados e materiais, embora excelentes. Manifestam ainda que o mais importante é sempre o homem, o homem e a sua autoridade moral que provém da verdade dos seus princípios e da conformidade das suas acções com estes princípios.

12. Como a Organização mundial mais competente em todos os problemas da cultura, a UNESCO não pode descurar esta outra questão absolutamente primordial: que fazer para que a educação do homem se realize sobretudo na família?

Qual é o estado da moralidade pública que assegurará à família, e sobretudo aos pais, a autoridade moral necessária para este fim? Que tipo de instrução? Que formas de legislação sustentam esta autoridade ou, pelo contrário, a enfraquecem ou a destróem? As causas de bom e de mau êxito na formação do homem pela família situam-se sempre contemporaneamente no interior mesmo do meio criador fundamental da cultura que é a família, e também, a nível superior, no da competência do Estado e dos órgãos de que ela depende. Estes problemas não podem deixar de provocar reflexão e solicitude no "forum" em que se encontram os representantes qualificados dos Estados.

Não há dúvida que o facto cultural primeiro e fundamental é o homem espiritualmente desenvolvido, isto é, o homem plenamente educado, o homem capaz de se educar a si mesmo e de educar os outros. Não há dúvida também que a dimensão primeira e fundamental da cultura é a sã moralidade: a cultura moral.

13. Certamente, encontram-se neste campo numerosas questões particulares, mas a experiência mostra que tudo se mantém firme e que estas questões se situam em sistemas evidentes de dependência recíproca. Por exemplo, na conjunto do processo da educação, da educação escolar em especial, não interveio uma deslocação unilateral no sentido da instrução no significado estrito da palavra? Caso se considerem as proporções tomadas por este fenómeno, assim como o crescimento sistemático da instrução que se refere unicamente ao que possui o homem, não é o homem mesmo que se encontra cada vez mais obscurecido? Isto traz consigo deste modo verdadeira alienação da educação: em lugar de trabalhar em favor do que o homem deve "ser", ela trabalha unicamente em favor daquilo de que o homem pode tirar partido no campo do "ter", da "posse". A etapa ulterior desta alienação está em habituar o homem, privando-o da sua própria subjectividade, a ser objecto de manipulações múltiplas: as manipulações ideológicas ou politicas que se operam através da opinião pública; as que se conseguem através do monopólio ou da fiscalização, pelas forças económicas ou pelas potências políticas, pelos meios de comunicação social; a manipulação, por fim, que está em ensinar a vida como manipulação específica de si mesmo.

Parece que tais perigos em matéria de educação ameaçam sobretudo as sociedades com civilização técnica mais desenvolvida. Estas sociedades encontram-se diante da crise específica do homem que está numa falta cada vez maior de confiança a respeito da sua própria humanidade, da significação do facto de ser homem, e da afirmação e da alegria que disso derivam e que são fonte de criação. A civilização contemporânea procura impor ao homem uma série de imperativos aparentes, que os seus porta-vozes justificam pelo recurso ao princípio do desenvolvimento e do progresso. Assim, por exemplo, em vez do respeito da vida, "o imperativo" de se desembaraçar da vida e de a destruir; em vez do amor que é comunhão responsável de pessoas, "o imperativo" do máximo de prazer sexual fora de todo o sentido de responsabilidade; em vez do primado da verdade nas acções, o "primado" do comportamento em voga, do subjectivo e do bom êxito imediato.

Em tudo isto se esprime indirectamente grande renúncia sistemática à justa ambição que é a ambição de ser homem. Não tenhamos ilusões: o sistema formado sobre a base destes falsos imperativos, destas renúncias fundamentais, pode determinar o futuro do homem e o futuro da cultura.

14. Se, em nome do futuro da cultura, é preciso proclamar que o homem tem direito de "ser" mais, e se pela mesma razão é preciso exigir um são primado da família no conjunto da obra da educação do homem para uma verdadeira humanidade, é preciso também situar na mesma linha o direito da Nação; é preciso colocá-lo também na base da cultura e da educação.

A Nação é, com efeito, a grande comunidade dos homens que estão unidos por laços diversos, mas sobretudo precisamente pela cultura. A Nação existe, "pela" cultura e "para" a cultura, e ela é portanto a grande educadora dos homens para que eles possam "estar mais" na comunidade. Ela é esta comunidade que possui uma história a ultrapassar a história do indivíduo e da família. É também nesta comunidade, em função da qual toda a família educa, que a família começa a sua obra de educação pelo que é mais simples, a língua, permitindo assim ao homem que está nos seus princípios aprender a falar para se tornar membro da comunidade que é a sua família e a sua Nação. Em tudo o que eu proclamo agora e desenvolverei mais ainda, as minhas palavras traduzem uma experiência particular, um testemunho particular no seu género. Sou filho de uma Nação que viveu as maiores experiências da história, pelos seus vizinhos condenada à morte repetidamente, mas que sobreviveu e continuou a ser ela própria. Conservou a sua identidade e conservou, apesar dos retalhamentos e das ocupações do estrangeiro, a sua soberania nacional, não apoiando-se nos recursos da força física mas unicamente na sua cultura. Esta cultura revelou-se, na ocasião, de uma potência maior que todas as outras forças. O que digo aqui a respeito do direito da Nação ao fundamento da sua cultura e do seu futura não é portanto o eco de nenhum "nacionalismo", mas trata-se sempre de um elemento estável da experiência humana e das perspectivas humanistas do desenvolvimento do homem. Existe uma soberania fundamental da sociedade que se manifesta na cultura da Nação.

Trata-se da soberania pela qual, ao mesmo tempo, o homem é supremamente soberano. E quando me exprimo assim, penso igualmente, com comoção interior profunda, nas culturas de tantos povos antigos que, não cederam quando se encontraram em confrontação com as civilizações dos invasores: e elas mantêm-se ainda para o homem como fonte do seu "ser" de homem na verdade interior da sua humanidade. Penso também com admiração nas culturas das novas sociedades, das que despertam para a vida na comunidade da própria Nação — exactamente como a minha Nação há dez séculos — , e lutam para manter a sua própria identidade e os seus próprios valores contra as influências e as pressões de modelos propostos do exterior.

15. Dirigindo-me a vós, Senhoras e Senhores, a vós que vos reunis neste lugar há mais de 30 anos em nome da primazia das realidades culturais do homem, das comunidades humanas, dos povos e das Nações; digo-vos: velai, com todos os meios a vossa disposição, por toda esta soberania fundamental que possui cada Nação em virtude da sua própria cultura. Protegei-a como a menina dos vossos olhos para o futuro da grande família humana. Protegei-a. Não permitais, que esta soberania fundamental se torne presa de algum interesse político ou económico. Não permitais que ela se torne vítima dos totalitarismos, imperialismos ou hegemonias, para os quais o homem não conta senão como objecto de domínio e não como sujeito da sua própria existência humana. Para esses também, a Nação — a própria Nação deles ou as outras — não conta senão como objecto de domínio e engodo de interesses diversos, e não como sujeito: o sujeito da soberania proveniente da cultura autêntica que lhe pertence como própria. Não há, na carta da Europa e do mundo, Nações que têm maravilhosa soberania histórica proveniente da sua cultura, e estão apesar disso ao mesmo tempo privadas da sua própria soberania? Não é ponto importante para o futuro da cultura humana, importante sobretudo na nossa época, quando é tão urgente eliminar os restos do colonialismo?

16. Esta soberania que existe e vai buscar a sua origem à cultura própria da Nação e da sociedade, ao primado da família na obra da educação, e enfim à dignidade pessoal de todo o homem, deve manter-se o critério fundamental na maneira de tratar este problema importante para a humanidade de hoje, que é o problema dos meios de comunicação social (da informação que está com eles ligada, e também do que se chama "cultura de massa"). Uma vez que estes meios são os meios "sociais" da comunicação, não podem ser meios de domino sobre os outros, por parte dos agentes do poder político como do das potências financeiras que impõem o seu programa e os seus modelos. Devem tornar-se o meio — e que importante meio! — de expressão desta sociedade que se serve deles e lhes assegura também a existência. Devem tomar em linha de conta as verdadeiras necessidades desta sociedade. Devem tomar em conta a cultura da Nação e a sua história. Devem respeitar a responsabilidade da família no campo da educação. Devem ter em conta o bem do homem, a sua dignidade. Não podem estar sujeitos ao critério do interesse do sensacional e do êxito imediato, mas, tomando em conta exigências da ética, devem servir à construção de uma vida "mais humana".

17. Genus humanum arte et ratione vivit. Afirma-se afinal que o homem é ele mesmo pela verdade, e se torna mais ele mesmo pelo conhecimento cada vez mais perfeito da verdade. Desejaria aqui prestar homenagem, Senhoras e Senhores, a todos os méritos da vossa Organização, e ao mesmo tempo ao empenho e a todos os esforços dos Estados e das Instituições que representais, no caminho da popularização da instrução a todos os graus e a todos os níveis, no caminho da eliminação do analfabetismo que significa falta de toda a instrução mesmo da mais elementar, falta dolorosa não só do ponto de vista da cultura elementar dos indivíduos e dos meios, mas também do ponto de vista do progresso sócio-económico. Há indícios inquietantes de atraso neste campo, derivado de uma distribuição dos bens muitas vezes radicalmente desigual e injusta. Pensemos nas situações em que existem, ao lado de uma oligarquia plutocrática pouco numerosa, multidões de cidadãos famintos a viverem na miséria. Este atraso pode eliminar-se não pelo caminho de lutas sangrentas pelo poder, mas sobretudo pelo caminho da alfabetização sistemática por meio da difusão e popularização da instrução. Um esforço assim orientado é necessário se é que se deseja operar em seguida as mudanças que se impõem no domínio sócio-económico. O homem, que "é mais" graças também ao que "tem", ao que ele "possui", deve saber possuir, isto é dispor
e administrar os meios que possui, para o seu bem próprio e para o bem comum. Para este efeito é indispensável a instrução.

18. O problema da instrução esteve sempre intimamente ligado missão da Igreja. No decurso dos séculos, ela fundou escolas a todos os níveis; deu nascimento às universidades medievais na Europa: em Paris como em Bolonha, em Salamanca como em Heidelberg, em Cracóvia como em Lovaina. Na nossa época também ela oferece a mesma contribuição em toda a parte onde a sua actividade neste campo é pedida e respeitada. Seja-me permitido reivindicar neste lugar para as famílias católicas o direito que pertence a todas elas de educar os filhos em escolas que correspondam à visão que têm no mundo, e em particular o direito estrito dos pais crentes a não verem os próprios filhos submetidos nas escolas a programas inspirados pelo ateísmo. Trata-se nisto, com efeito; de um dos direitos fundamentais do homem e da família.

19. O sistema do ensino está ligado organicamente ao sistema das diversas orientações dadas à maneira de praticar e popularizar a ciência, para o que servem os estabelecimentos de ensino de alto nível, as universidades e também, dado o desenvolvimento actual da especialização e dos métodos científicos, os institutos especializados. Trata-se de instituições de que seria difícil falar sem comoção profunda. São os bancos de trabalho, nos quais a vocação do homem para o conhecimento, assim como o laço constitutivo da humanidade com a verdade como fim do conhecimento, se tornam uma realidade quotidiana, se tornam em certo sentido o pão quotidiano de tantos mestres, corifeus venerados da ciência e, à volta deles, jovens investigadores dedicados à ciência e às suas aplicações, como também da multidão dos estudantes que frequentam estes centros da ciência e do conhecimento.

Encontramo-nos aqui como nos degraus mais elevados da escada que o homem, desde o princípio, sobe para o conhecimento da realidade do mundo que o rodeia, e para a dos mistérios da sua humanidade. Este processo histórico atingiu na nossa época possibilidades desconhecidas antigamente; abriu à inteligência humana horizontes insuspeitados até agora. Seria difícil entrar aqui no pormenor, pois, no caminho do conhecimento, as orientações da especialização são tão numerosas como é rico o desenvolvimento da ciência.

A vossa Organização é lugar de encontro, de um encontro que engloba, no seu sentido mais lato, todo o campo tão essencial da cultura humana. Este auditório é portanto o lugar bem indicado para saudar todos os homens de ciência e prestar homenagem especialmente aos que estão aqui presentes e obtiveram para os seus trabalhos o mais alto reconhecimento e as mais eminentes distinções mundiais. Seja-me permitido portanto exprimir também certos votos que, não duvido, se harmonizam com o pensamento e o coração dos membros desta augusta assembleia.

Tanto nos edifica no trabalho científico —  nos edifica e também nos alegra profundamente — esta marcha do conhecimento desinteressado da verdade a que o sábio se dedica com o maior empenho e às vezes com risco da saúde e mesmo da vida, quanto deve preocupar-nos tudo o que está em contradição com os princípios de desinteresse e de objectividade, tudo o que fizesse da ciência um instrumento para atingir finalidades que nada têm que ver com ela. Sim, nós devemos preocupar-nos com tudo o que propõe e pressupõe somente estas finalidades não científicas exigindo homens de ciência que se coloquem ao serviço dessas finalidades sem lhes permitir julgar e decidir, com toda a independência de espírito, sobre a honestidade humana e ética das mesmas, ou ameaçando-os de sofrer as consequências quando recusam contribuir para o que se pretende.

Estas finalidades não científicas de que falo, este problema que proponho, precisam de provas ou comentários? Sabeis a que me refiro; baste fazer alusão a que, entre aqueles que foram citados diante de tribunais internacionais, no fim da última guerra mundial, havia também homens de ciência. Senhoras e Senhores, peço que me perdoeis estas palavras, mas eu não seria fiel aos deveres do meu cargo se as não pronunciasse, não para voltar ao passado, mas para defender o futuro da ciência e da cultura humana; mais ainda, para defender o futuro do homem e do mundo. Penso que Sócrates que, na sua rectidão pouco comum, pôde defender que a ciência é ao mesmo tempo virtude moral, deveria renunciar à sua certeza se pudesse considerar as experiências do nosso tempo.

21. Damo-nos conta, Senhoras e Senhores, de que o futuro do homem e do mundo está ameaçado, radicalmente ameaçado, apesar das intenções, certamente nobres, dos homens do saber, dos homens de ciência. E está ameaçado porque os maravilhosos resultados das suas investigações e descobertas, sobretudo no campo das ciências da natureza, foram e continuam a ser explorados — em prejuízo do imperativo ético — para fins que nada têm que ver com as exigências da ciência, e até para fins de destruição e morte, isto a um grau nunca conhecido até agora, causando perdas verdadeiramente inimagináveis. Quando a ciência é chamada para estar ao serviço de vida do homem, verifica-se muitíssimas vezes que ela está escravizada a finalidades que são destrutoras de verdadeira dignidade do homem e da vida humana. E o que se diz quando a própria investigação científica é orientada para esses fins ou quando os seus resultados são aplicados para fins contrários ao bem da humanidade. Isto verifica-se tanto no campo das manipulações genética e das experiências biológicas, como no dos armamentos químicos, bacteriológicos ou nucleares.

Duas considerações me levam a submeter particularmente à vossa reflexão a ameaça nuclear que pesa sobre o mundo de hoje e, se não fosse evitada, poderia levar à destruição dos frutos da cultura, dos produtos da civilização elaborada através de séculos por gerações sucessivas de homens que acreditaram no primado do espírito e não pouparam nem esforços nem fadigas. A primeira consideração é esta. Razões de geopolítica, problemas económicos de dimensão mundial, terríveis incompreensões, orgulhos nacionais feridos, o materialismo da nossa época e a decadência dos valores morais levaram o nosso mundo a uma situação de instabilidade, a um equilíbrio frágil que se arrisca a ser destruído de um momento para o outro em consequência de erros de juízo, de informação ou de interpretação.

Outra consideração se vem juntar a esta inquietadora perspectiva. Pode-se, nos nossos dias, estar ainda seguro que a ruptura do equilíbrio não levará à guerra, e a uma guerra que não hesitaria em recorrer às armas nucleares? Até ao presente foi-se dizendo que as armas nucleares constituíram força de dissuasão que impediu o deflagrar de uma guerra maior, e provavelmente, é verdade. Mas pode-se ao mesmo tempo perguntar se sempre será assim. As armas nucleares, de qualquer ordem de grandeza ou de qualquer tipo que sejam, aperfeiçoam-se mais cada ano e acrescentam-se aos arsenais de um número cada vez maior de países. Como se poderá ter a certeza de que o uso de armas nucleares, mesmo para fins de defesa nacional ou em conflitos limitados, não trará consigo uma escalada inevitável, levando a uma destruição que a humanidade não poderá nunca nem encarar nem aceitar? Mas não é a vós, homens de ciência e de cultura, que eu devo pedir que não fechem os olhos sobre o que uma guerra nuclear pode constituir para a humanidade inteira (cfr. Homilia para o Dia Mundial da Paz, 1 de Janeiro de 1980).

Senhoras e Senhores, o mundo não poderá continuar muito tempo por este caminho. Ao homem que tomou consciência da situação e do risco, que se inspira também no sentido elementar das responsabilidades que pesam sobre cada um, impõe-se uma convicção, que é ao mesmo tempo imperativo moral: é preciso mobilizar as consciências. É preciso aumentar os esforços das consciências humanas à medida da tensão entre o bem e o mal a que estão sujeitos os homens no fim do século XX. É preciso convencermo-nos da prioridade da ética sobre a técnica, do primado da pessoa sobre as coisas, e da superioridade do espírito sobre a matéria (cfr. Redemptor hominis, 16). A causa do homem será servida se a ciência se aliar à consciência. O homem de ciência ajudará verdadeiramente a humanidade se conservar "o sentido da transcendência do homem sobre o mundo e de Deus sobre o homem" (Discurso à Academia Pontificia das Ciências, 10.11.1979, n. 4).

Assim, aproveitando a ocasião da minha presença hoje na sede da UNESCO, eu, filho da humanidade e Bispo de Roma, dirijo-me directamente a vós, homens de ciência, a vós que estais reunidos aqui, a vós as mais altas autoridades em todos os campos da ciência moderna. E dirijo-me, por meio de vós, aos vossos colegas e amigos de todos os países e de todos os continentes.

Dirijo-me a vós em nome desta ameaça terrível que pesa sobre a humanidade e, ao mesmo tempo, em nome do futuro e do bem desta humanidade no mundo inteiro. E suplico-vos: ponhamos em campo todos os nossos esforços para estabelecer e respeitar, em todos os domínios da ciência, o primado da ética. Ponhamos em campo os nossos esforços sobretudo para preservar a família humana da horrível perspectiva da guerra nuclear.

Tratei deste assunto diante da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque, a 2 de Outubro do ano passado. Falo-vos dele hoje a vós. Dirijo-me à vossa inteligência e ao vosso coração, por cima das paixões, das "ideologias e das fronteiras. Dirijo-me a todos os que, pelo seu poder político ou económico, possam ser e são muitas vezes levados a impor aos homens de ciência as condições de trabalho e a orientação. Dirijo-me antes de tudo a cada homem de ciência individualmente e a toda a comunidade científica internacional.

Todos juntos sois uma potência enorme: a potência das inteligências e das consciências. Mostrai-vos mais poderosos que os mais poderosos do mundo contemporâneo. Decidi-vos a dar prova da mais nobre solidariedade com a humanidade: a que é fundada na dignidade da pessoa humana. Construi a paz começando pelo fundamento: o respeito de todos os direitos do homem, os que estão ligados à sua dimensão material e económica como os que estão ligados à dimensão espiritual e interior da sua existência no mundo. Oxalá a sabedoria vos inspire. Oxalá o amor vos guie, esse amor que abafará a ameaça crescente do ódio e da destruição. Homens de ciência, comprometei a vossa autoridade moral toda, para salvar a humanidade da destruição nuclear.

23. Foi-me dado realizar hoje um dos desejos mais ardentes do meu coração. Foi-me consentido penetrar, aqui mesmo, no interior do Areópago que o é do mundo inteiro. Foi-me consentido dizer-vos a todos, a vós membros da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a vós que trabalhais pelo bem e pela reconciliação dos homens e dos povos através de todos os, domínios da cultura, da educação, da ciência e da informação, dizer-vos e bradar-vos do fundo da alma: Sim, o futuro do homem depende da cultura. Sim, a paz do mundo depende do primado do Espírito. Sim, o futuro pacífico da humanidade depende do amor.

A vossa contribuição pessoal, Senhoras e Senhores, é importante, é vital. Situa-se em encarar correctamente os problemas a cuja solução consagrais o vosso serviço.

A minha palavra é esta: Não pareis. Continuai. Continuai sempre.

 

© Copyright 1980 - Libreria Editrice Vaticana

 

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