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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
 A UMA DELEGAÇÃO DO PATRIARCADO
 ECUMÉNICO DE CONSTANTINOPLA

29 de Junho de 1980

 

Eminência

Foi com acrescida alegria que tive o prazer de encontrar-me com a delegação do Patriarcado Ecuménico, que o meu irmão Dimítrios I e o seu Sínodo enviaram à igreja de Roma por ocasião da festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo.

A alegria é com efeito maior, porque este ano a experiência dos laços comuns entre as nossas Igrejas foi mais intensa, e porque o nosso compromisso comum, de vivermos juntos a comunhão de fé já existente entre nós, se tornou mais explícito. Isto permitir-nos-á ir mais à frente a caminho da plenitude da unidade na plenitude da verdade e da caridade. A participação recíproca, cada ano nas festas patronais da Igreja de Roma e da Igreja de Constantinopla, dá-nos ocasião de nos encontrar-mos na oração para pedir e receber a ajuda do Senhor, que nos ilumina sobre o caminho que deve ser seguido e nos dá a força de irmos para a frente segundo a Sua vontade. Nos nossos encontros fraternos sentimos cada vez mais a sua presença eficiente: «E Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt. 28,20). Desejaria que estes encontros — segundo os lugares e as circunstâncias mas no mesmo espírito — se realizassem onde vivem católicos e ortodoxos, para se criarem progressivamente as condições necessárias para a plena unidade. O diálogo da caridade deve continuar a dilatar-se entre todos os membros das nossas Igrejas. Na declaração comum, também do Patriárca Dimítrios I, que felizmente coroou a minha visita ao Patriarcado ecuménico, afirmámos explicitamente:

«Este diálogo da caridade deve continuar e intensificar-se na situação complexa que herdámos do passado e constitui a realidade em que há-de desenvolver-se hoje o nosso esforço». Todos os cristãos são chamados à unidade plena.

O diálogo teológico que se abriu oficialmente na ilha de Patmos é acontecimento importante e, nas relações entre católicos e ortodoxos, é o acontecimento maior não só deste ano, mas de há séculos até hoje. Entramos em nova fase das nossas relações, porque o diálogo teológico constitui aspecto essencial de um diálogo mais amplo entre as nossas Igrejas. Neste diálogo tomam parte a Igreja católica e a Igreja ortodoxa no seu conjunto. Encontrámos assim o quadro legal e o instrumento eficaz para reconhecer — no contexto geral delas, para além de preconceitos e reservas preliminares — as dificuldades de todo o género que impedem ainda a plena comunhão.

O tema escolhido para a primeira fase do diálogo é este: «O mistério da Igreja e da Eucaristia, à luz do mistério da Santíssima Trindade». Este tema merece a mais profunda consideração, porque nos leva ao coração mesmo da identidade cristã. Termos acolhido a proposta feita pelas comissões preparatórias, católica e ortodoxa, de partir, no diálogo teológico, daquilo que nós temos em comum, oferece a este diálogo a base mais sólida e a perspectiva mais prometedora.

O programa de trabalho, estabelecido de comum acordo pela comissão mista quando da sua primeira reunião, a partilha das tarefas por meio das subcomissões e a coordenação confiada a um comité misto, garantirão certamente ao trabalho teológico eficácia de desenvolvimento e harmonia de orientação.

Por tudo isto damos graças a Deus, pois é Ele quem nos conduz. Cada dia continuaremos a invocar a Sua ajuda, sempre necessária para serem vencidas as inevitáveis dificuldades que se encontrarão no caminho da unidade. Por isso torna-se a nossa oração mais intensa. Pelo nosso lado, atentos ao que o Espírito quiser dizer, não pouparemos, estai certos, nenhum esforço para a busca da unidade plena. A perspectiva última do diálogo teológico como dos nossos encontros, na festa de Santo André no Patriarcado ecuménico, e dos Santos Pedro e Paulo em Roma, continua a ser a da celebração eucarística, depois de vencermos as dificuldades que fazem que hoje a comunhão entre as nossas duas Igrejas não seja ainda plena e perfeita.

Agradeço-vos, irmãos muito amados no Senhor, a vossa presença, a vossa visita e os sentimentos que desejastes exprimir.

Peço que leveis a minha saudação fraterna e cordial ao Patriarca Dimítrios e ao seu Sínodo, e os meus agradecimentos calorosos pela sua mensagem de comunhão, de caridade e de compromisso na busca da unidade, plena.

Esteja o Senhor sempre connosco.

 

© Copyright 1980 - Libreria Editrice Vaticana

 

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