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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AO SENHOR RICARDO AUGUSTIN PETERS SILVA
 NOVO EMBAIXADOR DA NICARÁGUA
JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO
DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

Quinta-feira, 27 de Março de 1980

 

Senhor Embaixador

Ao receber as Cartas que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Nicarágua junto da Santa Sé, quero dar a Vossa Excelência as minhas cordiais boas-vindas, ao mesmo tempo que formulo os melhores votos para um feliz cumprimento da missão que hoje inicia.

Vem Vossa Excelência como representante de um País, a Nicarágua, que sempre teve perante a Santa Sé um lugar de grande consideração e profunda estima, em consonância com os sentimentos do Povo nicaraguano que, sendo católico na sua grande maioria, olha com especial atenção para esta Sé de Pedro. A ela se sente unido por vínculos de particular solidez, que tocam o íntimo das suas mais profundas convicções e modos de viver.

Por isso, será uma satisfação para esse Povo saber que, sensível à origem e às aspirações do mesmo, quererá Vossa Excelência dedicar os melhores esforços para promover boas e harmoniosas relações entre a Nicarágua e a Santa Sé, em benefício humano e espiritual desse mesmo Povo.

Fez, Vossa Excelência, no seu discurso, alusão às condições presentes do seu País e à vontade das Autoridades de alcançarem novos objectivos para os cidadãos, procurando o desenvolvimento de cada pessoa, num clima social de participação activa de todos os nicaraguanos.

Como tive ocasião de expor recentemente à Delegação da Junta de Governo da Nicarágua, durante a visita que se aprouveram fazer-me, a Igreja apoia todas as iniciativas que servem a verdadeira causa do homem, a sua dignificação e promoção humanas, e que, ao mesmo tempo, respeitem e favoreçam a dimensão religiosa e espiritual da pessoa, no seu aspecto individual e familiar, e nas legítimas manifestações da sua sociabilidade.

A este respeito é de sumo interesse saber que — como o pôs em relevo Vossa Excelência — se está a colocar grande esmero e empenho na preparação de programas orientados para canalizar e distribuir as tarefas que permitem uma constante elevação de todos os cidadãos, com particular atenção aos estratos sociais menos favorecidos.

O Povo da Nicarágua, dotado de valiosas reservas de ordem cultural, moral e espiritual, faz-se credor de tão nobres desvelos. Espera deles não só um progressivo melhoramento das condições materiais da existência, mas também um renovado impulso interior, para que as pessoas e as instituições se realizem cada vez mais nas suas legítimas aspirações, conforme a dignidade própria do ser humano; aspirações que correspondem, no sentir do Povo, aos frutos tangíveis de uma tradição profundamente cristã. Neste sentido a Igreja espera poder contar, para continuar a sua missão de serviço, com a devida liberdade no exercício do seu ministério eclesial.

Senhor Embaixador: peço Àquele que dá todo o bem que o assista ria sua missão, e agradeço-lhe os votos que amavelmente formulou também em nome do Povo e do Governo da Nicarágua. Retribuo, cordialmente, tais desejos.

Queira Deus conceder ao seu nobre Povo que atinja metas cada vez mais altas de justiça, fraternidade e progresso, facultando, ao mesmo tempo, as relações conseguidas ao longo da sua história cristã.

 

© Copyright 1980 - Libreria Editrice Vaticana

 

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