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MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II
AO XI CONGRESSO EUCARÍSTICO DO CHILE

23 de Novembro de 1980

 

Senhor Cardeal Enviado Especial,
Veneráveis Irmãos no Episcopado,
Amadíssimos filhos e filhas

Encerra-se hoje, sob o abrigo desse Santuário Mariano de Maipú, que tanto fala ao coração de todos os chilenos, o XI Congresso Eucarístico Nacional do Chile. O Episcopado deu-lhe um lema que me é muito querido e que encerra um vibrante convite a um empenhado programa de vida: Não temam, abram as portas a Cristo.

Nesta solene circunstância estou especialmente junto de vós, unindo a minha homenagem à vossa, para juntos adorarmos a Cristo, que no sacramento da Eucaristia nos deixou o pão da vida eterna (cf. Jo 6, 48 ss), o pão da fraternidade (cf. 1 Cor 10, 16 s.), o alimento para os viandantes rumo à pátria final (cf. Sequência da Missa do Corpo de Deus).

Sei que nos meses passados o Congresso se realizou em cada diocese mediante um plano pastoral de evangelização e catequese, que terminou com uma solene Eucaristia. Hoje coroamos essa vivência eclesial nas diversas comunidades locais com esta celebração final em torno do sacramento do Amor, unidos em estreita fraternidade com todos os irmãos vindos das diferentes partes do País e com muitos outros que vivem este dia, associados espiritualmente aos actos de encerramento do Congresso.

É-me grato reiterar-vos hoje aquele convite cujos ecos chegam ainda até mim desde o limiar do meu Pontificado — a deixardes todo o temor e a abrirdes totalmente as portas a Cristo. Isto queria ser uma chamada de atenção, um apelo, um grito de esperança, para que os cristãos, as pessoas de boa vontade, as sociedades e os sistemas se abrissem à aceitação e ao respeito desses valores genuinamente humanos e que encontram a sua expressão mais alta nos planos divinos. Por isso, muito oportunamente tal convite tornou-se princípio inspirador deste Congresso que tem por centro a Eucaristia, manifestação suma do Amor, "sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade" (S.C., 47).

Com efeito, quando o Senhor nos convida a participar no banquete (cf. Lc 14, 15 ss.) — apelo a todos sem distinção — desaparece toda a diferença de raça ou classe social, e a participação de todos é idêntica, porque significa e exige a supressão de tudo o que divide os homens, e facilita o encontro de todos a um nível mais alto, onde toda a oposição ou diferença deve ser superada, onde se vencem obstáculos e se estabelecem novas relações interpessoais e intercamunitárias. Isto deve levar à satisfação das exigências da justiça, precisamente mediante o estabelecimento dessas novas relações, que a caridade originada na Eucaristia cria no interior da mesma comunidade.

Efectivamente, a força vital da Igreja e a de cada cristão, homem ou mulher, alcança a sua plenitude precisamente na Eucaristia (cf. Redemptor Hominis, 20). Por isso a comunidade cristã não se edifica nem consolida se não tem a sua raiz e o seu centro na celebração da Eucaristia (cf. P.O., 6).

Por outro lado, se o culto eucarístico é vivido verdadeiramente, cada comunidade, cada cristão em particular, experimentará que aumenta a sua consciência da dignidade de todo o homem, a qual se converterá em motivo de uma adequada relação com o próximo, a nível pessoal e institucional.

A Eucaristia é também sacramento de unidade, dado que "nós, que somos muitos, constituímos um só corpo em Cristo, sendo individualmente membros uns dos outros" (Rom 12, 5). Vós, católicos do Chile, congregastes-vos nesse Santuário, para dar testemunho de tal unidade, participando do mesmo Corpo e Sangue de Cristo, que constróem a Igreja como autêntica comunidade do Povo de Deus. Partindo dessa unidade profunda que significa e realiza a Eucaristia, é possível chamarmo-nos uns aos outros irmãos. Que profundas consequências derivam daqui para a nossa vida individual e social!

A Eucaristia é por isso vínculo de caridade que fortalece a vida cristã no cumprimento do amor a Deus e ao próximo, um amor que encontra a sua fonte no Amor por excelência. De facto, cada vez que participamos na Eucaristia de maneira consciente, "abre-se na nossa alma uma dimensão real daquele amor imperscrutável que em si contém tudo aquilo que Deus fez para nós homens, e que continuamente faz" (Carta a todos os Bispos da Igreja sobre o mistério e o culto da Eucaristia, 5). Como consequência, para que a celebração da Eucaristia seja sincera e completa, deve orientar cada cristão para a eficaz ajuda aos irmãos, assim como para as diversas formas de verdadeiro testemunho cristão. Só assim poderá dizer-se que o contacto com Cristo o leva a uma abertura a Ele e, por Ele, a todos os outros, ao homem imagem de Deus.

O encerramento deste Congresso Eucarístico Nacional na solenidade de Cristo Rei é um convite a abrirdes de par em par o vosso coração e a vossa sociedade actual a Cristo, para que, num clima de constante respeito, individual e social, aos valores religiosos e humanos de cada pessoa, Ele estabeleça o seu "reino eterno e universal: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz" (Prefácio da solenidade de Cristo Rei).

Finalmente, elevo a minha oração por que a fé cristã, alimentada na Eucaristia, inspire o comportamento particular e público na vossa sociedade, de modo que o Chile possa ir construindo o seu futuro num clima verdadeiramente cristão de concórdia, de justiça, e de respeito dos direitos de cada um. Invocando a protecção maternal de Nossa Senhora de Maipú, dou-vos com afecto a minha Bênção: No nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Assim seja.

 

© Copyright 1980 - Libreria Editrice Vaticana

 

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