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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
Sala do Trono
Caríssimos Cantores da Capela Sistina! 1. Há já tempos que desejava encontrar-me convosco, que, com o vosso canto, constriuís em grande parte para tornar solenes as Cerimónias pontifícias. Saúdo cordialmente o vosso benemérito Maestro-Director, Monsenhor Bartolucci, e a seguir, cada, um de vós, que, com generosa dedicação e com excelente estilo artístico, vos dedicais à execução da Sacra Polifonia, ao serviço da Liturgia, e por conseguinte ao serviço do Senhor. Alegra-me este encontro, na véspera da solenidade da Páscoa, que me proporciona a ocasião para vos exprimir o meu sincero afecto, o meu vivo apreço e o meu grande reconhecimento. O vosso canto é Liturgia, é oração, é participação no Sacrifício Divino que Jesus Cristo renova no altar em cada Missa. Ajuda os fiéis a elevarem a sua alma a Deus. E o nome de "Capela Sistina", como sabeis, é conhecido no mundo, pelas suas execuções. Pois bem, sede disso santamente orgulhosos, mas sirva-vos isso também de estímulo para um empenho cada vez mais convicto e diligente. 2. Gostaria de poder deter-me mais tempo e percorrer convosco os documentos do Magistério da Igreja que dizem respeito à Música e ao Canto Sacros. Começando por São Gregório Magno até aos meus imediatos Predecessores, a Igreja cuidou sempre com particular solicitude desta importante parte da Liturgia. Pio XII, na Encíclica Musicae sacrae disciplinae (25 de Dezembro de 1955) afirmava que a música deve ser incluída nos muitos e grandes dons de natureza com que Deus enriqueceu o homem criado à sua imagem e semelhança: ela, com as outras artes liberais, contribui para a alegria espiritual e o deleite da alma (Parte I). Isto deve ser dito tanto mais a propósito da Música Sacra. De facto, São Pio X, no seu célebre "Motu Proprio" Tra le sollecitudini (22 de Novembro de 1903), escrevia: "A música sacra, como parte integrante da solene liturgia, participa no seu objectivo geral, que é a glória de Deus e a santificação e edificação dos fiéis. Ela concorre para dar maior decoro e esplendor às cerimónias eclesiásticas... a fim de que os fiéis sejam deste modo mais facilmente estimulados à devoção e se disponham melhor a acolher em si os frutos da graça, que são próprios da celebração dos sacrossantos mistérios". E para esse fim o Santo Pontífice acrescentava que a Música Sacra deve possuir no grau mais elevado as qualidades próprias da liturgia, e precisamente a santidade, a beleza da forma e a universalidade. A Constituição Sacrosanctum Concilium do Vaticano II sobre a Sagrada Liturgia salientou bem o grande valor do canto e abriu-o a novas formas, sempre segundo o mesmo fim, que é "a glória de Deus e a santificação dos fiéis" (cf. nn. 112-121). É um complexo doutrinal precioso e sempre válido, que vos exorto a meditar, a fazer vosso, a fim de que a vossa fadiga para obter execuções sempre magníficas seja também acompanhada pela vossa sensibilidade espiritual e pela alegria de servir a Deus e às almas. 3. Caríssimos, estas reflexões vos estimulem a cantar cada vez melhor, com a voz e com o coração! Oxalá a "Capela Sistina" seja exemplo para todas as Igrejas da Cristandade! Desejo isto com ânsia apostólica! E a alegria de Cristo Ressuscitado abunde sempre nas vossas almas! A Páscoa vos faça compreender cada vez mais que toda a vida deve ser um canto de bondade e de inocência, por meio da graça, de que Jesus nos tornou merecedores mediante a sua Paixão, Morte e Ressurreição. Maria Santíssima, que com a sua vida compôs uma sinfonia de suprema beleza, vos acompanhe no vosso serviço. Fazei com que o vosso canto seja sempre um "magnificat" em sua honra! Ao mesmo tempo que retribuo a cada um de vós e a todas as pessoas da vossa família os votos de Boa Páscoa, concedo-vos a minha Bênção Apostólica.
© Copyright 1981 - Libreria Editrice Vaticana
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