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VISITA PASTORAL DO SANTO PADRE
DISCURSO DO PAPA
JOÃO PAULO II
Praça do Povo
Caríssimos cidadãos de Todi! 1. Nas minhas visitas apostólicas, eis-me aqui, chegado também até vós, na vossa magnífica Cidade, aceitando de bom grado o vosso convite, tão cordial e atencioso, que me chegou durante a peregrinação ao vizinho Santuário de Collevalenza! É grande a minha alegria em encontrar-me no meio de vós! Saúdo em primeiro lugar o Senhor Presidente da Câmara com os componentes da Junta Municipal, os Responsáveis dos vários Organismos regionais e provinciais, todas as Autoridades civis, militares e escolares, que de modo diverso mas com igual empenho desenvolvem a própria actividade em benefício dos cidadãos: a todos eles vai a expressão da minha estima e o voto sincero de poderem sempre desempenhar eficazmente, na comum concórdia e na serenidade, as suas tarefas ao serviço do homem no seu desenvolvimento terreno. Saúdo em seguida o Bispo, D. Décio Lúcio Grandoni, que governa com amor e dedicação esta Diocese, e com ele saúdo os seus Colaboradores, os Sacerdotes e os Religiosos, com quem me vou encontrar daqui a poucos instantes, e, depois, as Religiosas e os Leigos mais intimamente empenhados no trabalho pastoral. A todos faço votos de fidelidade religiosa e copiosas satisfações espirituais nos respectivos campos de apostolado. Com especial intensidade de sentimentos saúdo todos vós, caríssimos, irmãos e irmãs que representais perante os meus olhos a Diocese de Todi com as suas esperanças e com os seus problemas, com as suas aspirações e com a sua tenacidade: os pais e as mães de família, que hoje têm deveres tão prementes e difíceis a cumprir; as pessoas anciãs, que, dotadas de prudência e experiência, são parte valiosíssima no conjunto social e familiar; os jovens, que sofrem mais intensamente os abalos dos tempos actuais e cada vez devem ser mais compreendidos e amados; as crianças e os adolescentes, objecto de ternura e sinal de confiança; os professores e os educadores, sobre os quais pesa nobilíssima responsabilidade; os trabalhadores de todas as categorias, que devido à sua fadiga, quotidiana estão na base da eficiência e do progresso da sociedade; os doentes e os que sofrem, que pela sua dor comprometem os irmãos no valioso exercício da caridade. Agradeço a todos, um por um, pessoalmente, a vossa presença e, comovido com a vossa bondade, repito-vos as palavras de São Paulo: "Que o Senhor da paz vos conceda a paz em todo o tempo e por todas as formas. O Senhor seja com todos vós" (2 Tess 3, 16). 2. Nesta vossa Cidade bastante conhecida, que era centro de Diocese já no século II, quereria ter mais tempo à disposição para lhe respirar a mística atmosfera, para lhe admirar as belezas artísticas e os monumentos, carregados de história, que recordam profundas tradições civis e religiosas; sobretudo quereria entrar nas oficinas do vosso trabalho, nos centros das vossas actividades, para me encontrar convosco, para ouvir as vossas vozes, ver os vossos rostos, confortar os vossos doentes e acariciar o vossos filhos. .Vim para vos assegurar que sois amados por Cristo e que Ele quer unicamente a vossa felicidade! E deseja que continueis a amar-vos, a compreender-vos, a ajudar-vos mutuamente nas várias necessidades! A bondade e a caridade reinem em vós, nas vossas casas, nas vossas organizações, nas escolas, nos lugares de trabalho, de estudo e divertimento. Cristo reine sempre nos vossos corações e nas vossas famílias. Sejam abundantes em todos vós os frutos do Espírito, isto é: a caridade, a alegria, a paz, a paciência, a benignidade, a fidelidade, a mansidão e a temperança (cf. Gál 5, 22), Faço votos por que nas vossas casas resplandeça sempre a chama da bondade e da fé cristã! 3. Apraz-me agora deixar-vos um pensamento que vos sirva de recordação e como propósito. O que hoje mais impressiona, na sociedade moderna, em que vivemos, é talvez a perda, em muitos, do verdadeiro sentido da vida. Num vasto sector da sociedade contemporânea ofuscou-se ou algumas vezes perdeu-se o significado transcendente da existência. E, já não conhecendo porque e para quem se vive, é fácil ser arrastado pelo ímpeto das paixões, pelo egoísmo, pela crueldade, pela anarquia dos sentidos, pela destruição da droga e pelo desespero. Devemos dirigir o olhar para Cristo: só Ele "é a luz que resplandece nas trevas; Ele é a luz verdadeira que a todo o homem ilumina" (Jo 1, 5.9). Jesus é o Verbo encarnado, o Revelador e o Redentor, que anuncia com palavra absoluta e definitiva, porque divina, o sentido autêntico da vida, dom precioso dado por Deus, que é o Amor misterioso e misericordioso, que devemos aceitar e fazer frutificar, em função e na perspectiva da felicidade eterna. "Eu sou a Luz do mundo — disse Jesus. Quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida" (Jo 8, 12). É desta luz fundamental e essencial que têm viva necessidade os homens, sempre, mas particularmente hoje. Como o cego de Jericó, recordado pelo Evangelho, o homem moderno deve dirigir-se a Jesus, com total confiança. "Que queres que te faça?" — perguntou-lhe o Divino mestre; o cego respondeu: "Senhor, que eu veja!". E Jesus curou-o dizendo: "Vê. Salvou-Te a tua fé" (cf. Lc 13, 35-43). Só Cristo pode iluminar-nos de modo pleno sobre o problema da vida e da história: estai sempre convencidos disto e testemunhai coerente e corajosamente esta vossa fé! 4. Caríssimos amigos! Encontrando-me na vossa Cidade, é um dever, pelo menos para concluir, citar Frei Jacopone de Todi, o poeta e o místico por todos nós conhecido, que, através de tantas vicissitudes contrastantes, exprimiu com apaixonada acentuação lírica o seu ardente amor a Cristo, com espírito algumas vezes atormentado, outras vezes franciscanamente alegre e sereno. No "louvor" sobre o "Pranto de Nossa Senhora", ele descreve, em comovente síntese, a paixão e a morte de Cristo na Cruz e faz irromper da sensibilidade materna de Maria, desejosa de morrer com Jesus, as mais ternas invocações: "Ó Filho, filho, filho! — Filho amoroso lírio — filho doce e agradável — filho meu delicado!". E Jesus do alto da cruz manifesta-lhe a sua última vontade, que se pode parafrasear deste modo: "Mãe, porque choras? Eu quero que tu fiques para ajudar estes meus irmãos!". É uma poesia estupenda, mas é sobretudo mensagem válida para sempre. Fomos confiados a Maria! Implorai-a também vós, aconchegai-vos ao seu materno afecto, invocai-a confiante e fervorosamente, a fim de que mantenha sempre Viva nos vossos espíritos a fé no Amor misericordioso de Cristo! Com este voto, de todo o coração vos concedo a propiciadora Bênção Apostólica, que de bom grado faço extensiva a todas as pessoas que vos são queridas!
© Copyright 1981 Libreria Editrice Vaticana
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