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DISCURSO DO PAPA
JOÃO PAULO II
Sala dos Suíços
Querido Irmão no Episcopado, Sinto profunda satisfação ao receber hoje este vosso numeroso grupo que representa espiritualmente todos os habitantes de Ávila, cidade que teve a ventura de ser berço de uma das maiores figuras da história eclesial. Este encontro realiza-se precisamente por ocasião do IV Centenário de Santa Teresa de Jesus, que está para ser inaugurado em Alba, de Tormes e em Ávila, nessas duas cidades tão intimamente ligadas à grande reformadora do Carmelo, por origem e por conservarem os seus restos mortais. Agradeço-vos esta visita, que representa, de algum modo, um primeiro marco nas celebrações centenárias com a participação do Papa, a quem as conhecidas circunstâncias não permitiram estar convosco nos próximos dias, mas que renova os seus votos por que a Providência lhe proporcione, num futuro não longínquo, outro momento propício. Entretanto, o meu Enviado Especial, Cardeal Ballestrero, tornará mais viva a minha presença nas celebrações inaugurais do Centenário, que a Jerarquia eclesiástica tem estado a preparar com iniciativas oportunas, a fim de que seja verdadeiramente, em toda a Espanha, um ano de renovação na fé, na esperança, na interioridade religiosa do povo fiel, no testemunho de vida cristã no actual momento histórico da vossa Pátria, no coerente comportamento individual, familiar e social do católico espanhol, sem presunções, nem falsos complexos, como membro da comunidade política e da Igreja. É necessário que o rico património deixado por Teresa de Jesus seja plenamente meditado e inspire uma profunda renovação na experiência interior do povo, a fim de que deste modo revigore toda a vida eclesial, nas suas múltiplas manifestações. A figura gigantesca, não só local ou nacional mas também universal, da Grande Teresa deve ser forte estímulo nesse sentido. A isto convida o nome que ela escolheu como configuração de si mesma, Teresa de Jesus, com o qual a conheceu a história de quatro séculos, no campo eclesial e cultural, na piedade, na teologia espiritual e na arte. Por isso presto com muito prazer esta homenagem a esta Santa a quem, juntamente com São João da Cruz, me sinto particularmente vinculado, a qual, com razão, o meu predecessor Paulo VI declarou, em 1970, como a primeira mulher Doutora da Igreja, em reconhecimento dos seus singulares méritos e significado Serdes concidadãos ou compatriotas de Teresa de Jesus é timbre de glória, mas é também compromisso tomado para vos inspirardes nela, nos seus ensinamentos e exemplo, a fim de serdes fiéis à sua dádiva universal, num empenho de vos tornardes cada vez melhores cidadãos e melhores filhos da Igreja. Assegurando-vos que me recordarei assiduamente de vós na oração, para que este ano Centenário produza os frutos espirituais desejados, dou-vos com benevolência a Bênção Apostólica, extensiva a todos os habitantes de Ávila.
© Copyright 1981 Libreria Editrice Vaticana
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