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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AOS PARTICIPANTES NO LIX CURSO
PROMOVIDO PELO COLÉGIO DE DEFESA DA NATO

Sala do Consistório
Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 1982

 

É uma satisfação dar-vos, mais uma vez, as boas-vindas ao Vaticano, membros do Colégio de Defesa da NATO, como também às vossas famílias. É-me grata a oportunidade de vos saudar e apresentar algumas breves considerações. Como no passado, também este ano me sinto impelido a falar-vos sobre a paz, dado que, em virtude das oportunidades de estudo e diálogo que vos são proporcionadas, tendes especial contributo a dar para a grande obra da paz.

Os acontecimentos dos últimos meses tornaram o mundo cada vez mais consciente dos complexos obstáculos que não deixam de tornar difíceis os esforços sinceros destinados a criar a justiça e a harmonia na sociedade hodierna. É verdade que o nosso mundo está agitado por divisões e tensões, com a opressão e o derramamento de sangue — terrificantes realidades tão profundamente radicadas e difundidas, que alguns dos nossos irmãos e irmãs perdem a esperança de que a paz venha a ser alcançada. Perderam simplesmente a esperança. Mas não devemos ceder ao fatalismo nem desesperar. Sem dúvida, devemos responder à situação com esperança constante e esforço incansável. A paz é possível. Pode ser alcançada. Nós, que somos crentes, estamos convencidos desta verdade porque sabemos realmente que Deus é o fundamento da paz. Deus quer dar a sua paz ao mundo. Quer promover a paz em todas as nações, entre todos os povos e em cada coração humano.

Segundo o desígnio divino, contudo, Deus cria a paz não independentemente do homem mas em continua colaboração com o homem mesmo. A paz é um dom de Deus confiado a nós. Como eu disse na minha mensagem para o recente Dia Mundial da Paz, "embora a paz seja um dom, o homem não está nunca dispensado da sua responsabilidade de a procurar e de empenhar-se no sentido de a instaurar, mediante esforços pessoais e comunitários ao longo da história. O dom divino da paz, portanto, é sempre também uma conquista e uma realização humana; com efeito, ele é proposto ao homem para ser acolhido de modo livre e, depois, ser progressivamente posto em prática pela sua vontade criadora" (n. 5). Dado que a paz é não só um dom de Deus, mas também uma conquista e uma realização humana, ela constitui um objectivo para o qual os crentes e os não-crentes, em igual medida — portanto todos os homens de boa vontade —, podem unir-se e colaborar para o melhoramento do mundo inteiro.

Ao encontrar-me hoje convosco, recordo com júbilo a recente libertação do General James Dozier. O momento em que foi libertado foi de grande alegria para quantos esperaram e rezaram para que o deixassem livre. Isto deu-nos nova razão para acreditar que o flagelo do terrorismo pode terminar. E renovou a nossa convicção de que os meios não violentos constituem o único caminho para realizar estáveis reformas políticas e sociais em cada país.

Como membros do Colégio de Defesa da NATO, sejam as vossas actividades sempre motivadas pela profunda confiança na possibilidade da paz e por um profundo respeito da dignidade de toda a pessoa humana. Peço a Deus Todo-Poderoso vos assista em todos os vossos esforços para construir um futuro caracterizado pela harmonia, a justiça e a paz. Deus vos abençoe, e abençoe as vossas famílias.

 

© Copyright 1982 - Libreria Editrice Vaticana

 

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