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VIAGEM APOSTÓLICA DO SANTO PADRE
A NIGÉRIA, BENIN, GABÃO E GUINÉ EQUATORIAL

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
 
AO CHEGAR EM ROMA
DA VIAGEM APOSTÓLICA À ÁFRICA

 Aeroporto Leonardo da Vinci, Fiumicino
Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 1982

 

1. Agradeço-lhe vivamente, Senhor Presidente do Conselho dos Ministros, as cordiais expressões de saudação que me dirigiu, também em nome do Presidente da República e do Governo Italiano, à minha chegada à Itália, depois da peregrinação entre as caras populações da Nigéria, de Benim, do Gabão e da Guiné Equatorial, e as considerações com as quais tão gentilmente se dignou comentar alguns dos mais significativos aspectos da mesma peregrinação.

Agradeço ao mesmo tempo aos Membros do Sacro Colégio dos Cardeais aqui presentes, como também aos Membros do Corpo Diplomático, ao Presidente da Câmara de Roma e a todas as outras Autoridades da Província e da Região. Um grato pensamento exprimo-o igualmente aos representantes da Imprensa, da Rádio e da Televisão por me terem acompanhado com a costumada diligência nestes dias, e também aos directores, aos pilotos e a todo o pessoal das Companhias Alitália, Linha Aérea da Guiné Equatorial, da Nigéria e Air Gabão, as quais se empenharam para que os voos fossem seguros e confortáveis. Estou reconhecido de modo especial a quantos me acompanharam com as suas orações para obter do Senhor bom êxito nesta minha segunda viagem missionária em terra africana.

2. Conservo no meu coração a grande lembrança desta breve mas emocionante e intensa permanência naqueles Países ricos de belezas naturais, de antigas tradições culturais, mas sobretudo de vivos impulsos destinados a facilitar-lhes um desenvolvimento espiritual, social e económico cada vez maior. Estou reconhecido às Autoridades civis e aos meus irmãos no episcopado pelo cordial acolhimento e a cuidadosa atenção dedicada à minha pessoa e pela boa organização que souberam assegurar durante as várias manifestações religiosas.

O meu pensamento grato vai também para as Comunidades muçulmanas, às quais desejei manifestar os meus sentimentos de amizade e a disponibilidade da Igreja Católica para um diálogo respeitoso e leal; para os Expoentes das Igrejas separadas que encontrei generosamente empenhados na busca dos caminhos aptos para levar à plena unidade na única Igreja de Cristo.

3. Os mais de 14.000 quilómetros, percorridos nestes dias, permitiram-me tomar conhecimento directo da realidade humana e cristã dos Países visitados nas cidades de Lagos, Enugu, Onitsha, Kaduna, Ibadan, Cotonou, Libreville, Malabo e Bata: das dificuldades em que os respectivos Países ainda se debatem, mas também da forte vontade daqueles povos, de construir um amanhã melhor mediante um generoso esforço a nível nacional e mediante a cooperação internacional. Pude mais uma vez observar com viva satisfação como o fundamento, ou melhor o cimento unificador das populações africanas, mesmo daquelas aonde ainda não chegou a voz do Evangelho, são uma visão espiritual da vida, a ideia da Divindade como causa primeira de todas as coisas, a necessidade de respeito da dignidade do homem e o sentido da família. Mas o que me confortou ainda mais foi notar que o próprio fermento evangélico consegue vivificar cada vez mais os valores da tradição africana e assegurar ao mesmo tempo o desenvolvimento, o renovamento e o aperfeiçoamento. Por isso muito se deve à obra, não raro heróica, dos missionários que trabalharam generosamente para espalhar a semente do Reino de Deus — e que ainda oferecem um precioso contributo às Igrejas locais — mas não pouco mérito há-de ser reconhecido também à pronta correspondência da alma africana, mais do que nunca aberta ao seu florescimento e à sua frutificação.

4. A viagem apostólica, como de resto as que a precederam, pretendeu espalhar ulteriormente esta semente, num momento tão significativo para a história religiosa e civil daqueles Países. Fui para proclamar o Evangelho de Jesus Cristo; para celebrar na alegria com aqueles fiéis a comunhão na Igreja católica; para dar testemunho àquela luz que ao homem faz descobrir Deus e a si próprio; o seu destino eterno daquilo que torna humana, e digna de ser vivida, a sua vida terrena: no respeito dos seus direitos inalienáveis, na justiça, na liberdade, na paz. E no amor.

Estou de facto convencido que à luz do Evangelho, não só os problemas espirituais, mas também os sociais que atormentam os povos podem encontrar a necessária solução.

Mediante a comunhão do poder do Evangelho de Cristo as Igrejas locais devem constantemente reforçar-se e tornar-se cada vez mais comunidades de fé, nas quais e graças às quais os pobres e os que sofrem, os oprimidos e as vítimas da prepotência, os refugiados encontrem amor fraterno, solidariedade e amparo.

5. Fecunde o Senhor Jesus estas intenções e estes votos e continue a assistir e a proteger as dilectas populações que tive a alegria de visitar, como também as do Continente Africano inteiro, oprimido por tantos problemas, mas ao mesmo tempo tão rico de promessas e de esperanças para o futuro.

Para elas, para vós aqui presentes, como igualmente para todo o povo italiano invoco copiosos dons de prosperidade e de paz, em penhor dos quais, ao renovar o meu agradecimento a todos vós, concedo de coração a minha Bênção.

 

© Copyright 1982 - Libreria Editrice Vaticana

 

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