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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AOS BISPOS DA NIGÉRIA
EM VISITA «AD LIMINA APOSTOLORUM»

Quinta-feira, 21 de Janeiro de 1982

 

Caros Irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo

1. O próprio Jesus disse: "Tenho de anunciar a Boa Nova do Reino de Deus... pois para isso é que fui enviado" (Lc 4, 43). Para nós estas palavras são como chave. Revelam a mais profunda significação do nosso ministério episcopal, pois resumem toda a missão do Salvador. Jesus indica por este modo a suprema prioridade que nos toca como Bispos actuando em Seu nome e sendo enviados por Ele. Somos chamados a anunciar o Evangelho, a evangelizar o nosso povo. Este anúncio da Boa Nova — esta evangelização — é feita pela palavra e pelo sacramento. Na verdade, o Concílio Vaticano II olha para a Eucaristia como para o mais eficiente anúncio do Evangelho, "a fonte e coroa de toda a evangelização" (Presbyterorum Ordinis, 5).

2. A semana passada quando falei ao primeiro grupo de Bispos vindos do vosso país, disse-lhes quanto desejo que toda a minha visita pastoral à Nigéria seja vista no contexto da evangelização. Disse-lhes que o grande desejo do meu coração é "anunciar ao vosso povo a vivificadora mensagem da verdade, o Evangelho de Jesus Cristo". Todo o programa da minha visita está relacionado com este tema central. E é a minha esperança que os acontecimentos individuais ajudem a fixar o espírito na Boa Nova da salvação — de facto, na verdadeira pessoa de Jesus Cristo, o Salvador do mundo, o Redentor do homem — e esses acontecimentos tornarão o Seu Evangelho mais profundamente conhecido, respeitado e amado. Peço também que, devido à graça de Deus, a minha visita inicie nova era de evangelização, que siga um centenário de pregação zelosa do Evangelho e o generoso serviço prestado no nome do mesmo Jesus "que andou de lugar em lugar fazendo o bem" (Act 10, 38).

Espero com antecipado prazer proclamar Jesus Cristo a todos aqueles que desejarem livremente prestar atenção à minha voz. Desde os meus encontros com os vários grupos que formam a Igreja na Nigéria. A todos estes grupos espero apresentar a Boa Nova do Reino de Deus, em relação com as concretas circunstâncias da vida diária, como ela é vivida no contexto da cultura nigeriana. Os diferentes acontecimentos dar-me-ão amplas oportunidades para tentar falar ao vosso povo, de coração a coração.

3. Mas entretanto, uma reflexão agora sobre o verdadeiro alvo e finalidade da evangelização é fonte de ânimo para nós como Bispos. Por meio desta reflexão podemos claramente ver o serviço específico que, juntamente com os nossos sacerdotes, somos chamados a prestar à comunidade. É sempre questão de transmitir a Boa Nova — um libertador, promotor e convincente Evangelho. Na expressão de Paulo VI, o nosso papel como evangelizadores é falar a respeito do "nome, do ensino, da vida, das promessas, do Reino e do mistério de Jesus, de Nazaré, o Filho de Deus" (Evangelii Nuntiandi, 22).

Que privilégio é para nós anunciar "o nome que está acima de todo o nome" (Fil 2, 9) — o único nome em que há salvação! O nosso ensino é verdadeiramente o ensino de Jesus, ensino sobre a vida, sobre a plenitude da vida e sobre a vida eterna. Pregamos e tornamos conhecido um Jesus que diz: "Vim para que tenham a vida e a tenham em abundância" (Jo 10, 10). Sob a autoridade de Jesus somos capazes de mostrar promessas que não enganarão, promessas como: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus" (Mt 5, 8-9). Em tudo isto pregamos nós um Senhor misericordioso, um Jesus que ama e não veio para condenar, mas para salvar e estabelecer um Reino que reúne num só os dispersos filhos de Deus. No âmago da nossa mensagem está a proclamação do dom divino da salvação — o dom do misericordioso amor de Deus concedido por meio da morte e ressurreição do Seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. Sim, por meio de Cristo o Filho, nós recebemos a graça da adopção divina e "é n'Ele que temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da Sua graça" (Ef 1, 7).

4. Como nós anunciamos explicitamente o mistério de um Deus que salva e reúne o Seu povo numa só família, compreendemos a necessidade de um testemunho exemplar — sendo também este a condição para evangelizar. A lição da história confirma que pela acção do Espírito Santo a evangelização se realiza sobretudo por meio do testemunho de caridade, do testemunho de santidade. Os ministros de Cristo são efectivos evangelizadores até ao ponto de estarem unidos com Cristo, até ao ponto de amarem os seus irmãos e experimentarem a necessidade urgente de anunciar o Evangelho. Para nós as palavras de Jesus são um programa completo de vida e de ministério. Nunca as podemos esquecer: "Tenho de anunciar a Boa Nova do Reino de Deus... pois para isso é que fui enviado".

5. Este é o ideal pastoral que nos sustenta no nosso ministério, dia após dia, ano após ano. Esta é a visão pastoral que nós devemos oferecer aos nossos sacerdotes, pessoalmente chamados por Cristo a ser nossos cooperadores nesta tarefa vital. Este é o ponto de vista pastoral, que desejamos toda a formação seminarística inculque, e todo o apostolado leigo exerça. De facto, foi este ideal, esta visão, este ponto de vista e esta consciência de ter sido enviado, de acordo com o que Jesus disse -"pois para isso é que fui enviado" — que animou os missionários a levarem a palavra de Deus ao vosso povo. E é esta consciência de ter sido enviado, esta consciência da necessidade de comunicar Cristo, que animará, nos últimos anos deste século XX e para além, a evangelização continuada em profundidade da Nigéria e de toda a África. Este, portanto, é o significado de toda a evangelização, e o significado da minha visita: sendo enviado para comunicar Cristo pelo poder do Espírito Santo, sendo enviado para pregar a Boa Nova do Reino, sendo enviado para proclamar o amor salvador de Cristo até Ele vir de novo na glória.

Amados Irmãos, estamos prontos a ir juntos para frente, e a chamar as Igrejas locais, na sua integridade, para esta tarefa. E nós fá-lo-emos, confiando nas orações e na intercessão da Nossa Bem-aventurada Mãe Maria, para a glória da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.

 

© Copyright 1982 - Libreria Editrice Vaticana

 

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