Gloria Tibi Verbum Dei. São as palavras que repetimos durante a Quaresma,
repetimo-las todos os dias, e queremos repeti-las especialmente hoje: Gloria Tibi Verbum Dei.
É significativo que estas palavras na liturgia sejam reservadas à Quaresma.
Talvez isto derive de uma antiga tradição catecumenal: a Quaresma era, de modo
particular nos primeiros séculos, um tempo muito intenso do catecumenato, tempo
em que abundante era a Palavra de Deus. Talvez a nossa tradição contemporânea de
fazer os Exercícios Espirituais durante a Quaresma seja em si um eco, ou melhor,
uma continuação daquela tradição dos primeiros séculos e das primitivas gerações
cristãs.
Gloria Tibi Verbum Dei dizemos no término destes nossos Exercícios
Espirituais para louvar a Palavra de Deus, da qual nos tornámos abundantemente
participantes. E neste momento pensamos na Palavra de que fala o Profeta Isaías:
a palavra saída da minha boca que não voltará para mim sem efeito. Eis o texto
mais completo: "Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não voltam sem
ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o
grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra que a minha boca
profere: não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter executado a minha
vontade e cumprido a sua missão" (Is 55, 10-11).
Neste momento quero exprimir ao nosso pregador o reconhecimento de todos nós
que participámos nestes Exercícios Espirituais no Vaticano. Certamente Isaías
nos fala de um só semeador que é Deus, mas sabemos que Deus falou e fala por
meio da boca dos homens. Aqueles que falam em nome de Deus, que falam pela
abundância da Palavra, são os semeadores desta mesma Palavra. Queremos
agradecer-lhe, nosso semeador. Devo confessar que no início destes Exercícios
Espirituais senti um certo remorso de consciência pensando nos seus trabalhos e
nos seus tantos anos, mas o senhor nos edificou com a sua juventude: não se viam
os seus anos, via-se um jovem e como a Palavra de Deus, vivida profundamente
como o senhor a vive, rejuvenesce do mesmo modo que o Espírito de Deus
rejuvenesce o espírito humano e também o corpo, e os anos não se contam mais.
Agradeço-lhe, Padre, Professor, por esta tarefa que o senhor quis aceitar e
realizar durante estes dias com tanto fruto espiritual. Agradecemos-lhe esta
catequese quaresmal magnifica, esta catequese tão profundamente bíblica, em que
a Bíblia foi escutada em cada momento. Tudo era permeado profundamente da Bíblia, da Palavra de Deus
estudada, cientificamente estudada, meditada e vivida. O senhor fez que a
Palavra de Deus se aproximasse de nós; aproximou-nos da Palavra de Deus, da sua
originalidade, da sua força e beleza. Tudo isto foi-nos mostrado com as suas
palavras, com o seu semear. Por isto agradecemos-lhe. Somos-lhe gratos porque,
sendo Professor, foi para nós pregador e pastor; sendo douto em todos os
momentos do seu trabalho, foi para nós apóstolo e mostrou-nos aquela função
profética que é própria do Povo de Deus, está no íntimo do Povo de Deus,
especialmente de nós Bispos e Sacerdotes, e de um modo ainda mais específico no
íntimo de vós Teólogos. Agradecemos-lhe, Professor, nosso caríssimo pregador
dos Exercícios Espirituais de 1982 no Vaticano. Agradecemos ao Senhor por ter
dado as forças necessárias para cumprir este dever tão importante.
Gloria Tibi Verbum Dei. Se algo devemos augurar ao nosso pregador, a nós
todos, penso que este augúrio se encontre já nas palavras de Isaías: não voltará
sem ter produzido o seu efeito, sem ter executado a minha vontade e cumprido a
sua missão. Eis os nossos votos mútuos, o nosso augúrio recíproco. Fazemo-lo uns
aos outros, na profundidade da nossa fraterna comunhão. Fazemo-lo também,
certamente, ao nosso pregador. E este augúrio faz-se oração; rezemos para que
assim seja: Gloria Tibi Verbum Dei.