1. Ao aproximar-se o trigésimo oitavo aniversário do extermínio de 335
pessoas — crianças, jovens, adultos e anciãos — vim em peregrinação de tristeza
a este lugar, onde a 24 de Março de 1944 se efectuou este sanguinoso extermínio.
Vim para rezar ao Senhor — Deus misericordioso e cheio de compaixão (cf.
Êx
34, 6), Deus Amor (cf. 1 Jo 4, 8), Deus supremo Juiz e Senhor da história —
pelas almas destes nossos irmãos, cujos despojos piedosamente recolhidos
repousam aqui, à espera da ressurreição.
Que o Senhor lhes conceda o descanso eterno, a felicidade sem fim!
2. Vim para vos manifestar, a vós familiares das vítimas, os sentimentos da
minha sincera comoção e da minha profunda participação na vossa dor, causada por
esta tremenda ferida, ainda aberta nos vossos ânimos.
Oxalá o Omnipotente vos sirva de conforto e abra os vossos corações à límpida
esperança da feliz imortalidade!
3. Vim para escutar, juntamente convosco, as palavras, fortes e claras, dos
desaparecidos, vítimas da lógica irracional e tresloucada da barbárie homicida.
Aqui, onde a violência se desencadeou em desmesurada loucura, eles convidam
todos à solidariedade, à compreensão, e asseguram-nos que a vitória definitiva
será a do amor, e não a do ódio; advertem-nos que, quando se nega e se ofende a
Deus, também o homem é negado e ofendido, sendo rebaixado a instrumento dos
próprios caprichos, ideologias e projectos de poderio e de abuso; pedem que o
seu sofrimento não tenha sido inútil para a sociedade humana, e que Roma, a
Itália, a Europa e o mundo vivam na justiça, na concórdia, na paz e no recíproco
respeito dos inalienáveis direitos da pessoa humana, criada à imagem e
semelhança de Deus (cf. Gén 1, 26).
E ao elevar ao Senhor a minha oração de sufrágio pelos desaparecidos —
perenemente vivos em Deus e nos nossos corações — concedo-vos a minha
confortadora Bênção Apostólica.