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VIAGEM APOSTÓLICA A PORTUGAL
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO
BISPO DE LEIRIA NA CHEGADA À FÁTIMA
Quarta-feira, 12 de Maio de 1982
Senhor Bispo de Leiria, Dom Alberto Cosme do Amaral, Senhores Cardeais,
Arcebispos e Bispos, meus amados irmãos e irmãs:
1. Seja louvado nosso Senhor
Jesus Cristo! E sua Mãe Maria Santíssima!
SIM, COM ELA e por Ela, irrompe do meu
coração neste momento, a prece tantas vezes aqui rezada e cantada: “Meu Deus, eu
creio, adoro, espero e amo-Vos!”.
Vai para a Trindade Santíssima este meu
primeiro pensamento adorador, explicitado, nesta terra abençoada de Fátima:
Bendito seja Deus, rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou! Com
efeito, criados em Seu Verbo, o Filho, pelo sangue do vosso mesmo Filho
reconciliados, tornados sua família e edificados sobre o alicerce dos Apóstolos
na construção (da Igreja), para nos tornamos, pelo Espírito Santo, habitação de
Deus (Cfr. Eph. 2, 4 ss), nós devemos repetir sem cessar: “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos!”.
Ave Maria!
Bendita sois Vós! Bendito o fruto do vosso ventre, Jesus!
Ave, cheia de graça, Mãe de Deus e Mãe nossa! No cumprimento da vossa profecia,
Senhora, aqui, ao ingressar neste vosso solar de Fátima, e ao saudar-Vos, Mãe
querida, permiti-me usar as palavras que nos ensinastes, para clamar diante dos
irmãos:
“A minha alma glorifica ao Senhor, / e o meu espírito se alegra em Deus, meu
Salvador!” (Luc. 1, 46).
2. E agora irmãos e irmãs todos que me ouvis: eu vos saúdo
cordialmente, com todo o afecto vos dou um fraterno abraço de paz e vos confesso
a minha grande alegria por este encontro, neste lugar e convosco; e, nesta
alegria, desejava que vísseis toda a gratidão que me vai na alma, gratidão que
me trouxe aqui, para compartilhar convosco, não só o Evangelho de Deus, mas a
própria vida (Cfr. 1 Thess. 2, 8).
Sim, é com a alma a transbordar destes sentimentos – os vossos
próprios sentimentos, aliás – que vos agradeço. Obrigado, Senhor Bispo de Leiria,
por ter explicitado esses sentimentos, pelas palavras delicadas de saudação e
pelos reiterados convites que me fez para visitar este Santuário de Fátima;
obrigado a todos, pelo caloroso e penhorante acolhimento que me dispensais!
3.
Gratidão, comunhão, vida! Nestas três palavras está a explicação da minha
presença aqui, neste dia; e se me permitis, também da vossa presença. Aqui
atinjo o ponto culminante da minha viagem a Portugal. Quero fazer-vos urna
confidência:
Desde há muito que eu tencionava vir a Fátima, conforme já tive
ocasião de dizer à minha chegada a Lisboa; mas, desde que se deu o conhecido
atentado na Praça de São Pedro, há um ano atrás, ao tomar consciência, o meu
pensamento voltou-se imediatamente para este Santuário, para depor no coração da
Mãe celeste o meu agradecimento, por me ter salvado do perigo. Vi em tudo o que
se foi sucedendo – não me canso de o repetir – uma especial protecção materna de
Nossa Senhora. E pela coincidência – e não há meras coincidências nos desígnios
da Providência divina – vi também um apelo e, quiçá, uma chamada à atenção para
a mensagem que daqui partiu, há sessenta e cinco anos, por intermédio de três
crianças, filhas de gente humilde do campo, os pastorinhos de Fátima, como são
conhecidos universalmente.
4. E aqui estou, convosco, peregrino entre peregrinos,
nesta assembleia da Igreja peregrina, da Igreja viva, santa e pecadora, para
“louvar o Senhor, porque é eterna a sua misericórdia” (Ps. 135, 1); pessoalmente, para cantar
essa misericórdia, pois foi “graças ao Senhor que não fui aniquilado; sim, não
se esgotou a sua misericórdia”(Lam. 3, 22). Desejo repetir hoje, ainda uma vez, diante de
vós, amados irmãos e irmãs, estas palavras, que dizia na primeira audiência após
o atentado (7 de Outubro de 1981); elas exprimem, em eco, aquilo que sucedeu
naquele dia 13 de Maio do ano passado; exprimem gratidão ao Altíssimo, a Nossa
Senhora e Mãe, aos Santos protectores e a todos os que, directa ou
indirectamente, contribuíram para me salvar a vida e me ajudaram a recuperar a
saúde.
Foi “graças ao Senhor que não fui aniquilado”: disse-o a primeira vez na
festa de Nossa Senhora do Rosário; repito-o hoje, em Fátima, que tanto nos fala
do rosário – da reza do terço – como diziam os pastorinhos. O rosário, o terço,
é e permanecerá sempre uma oração de reconhecimento, de amor e de confiante
súplica: a oração da Mãe da Igreja!
5. Venho em peregrinação a Fátima como a
maioria de vós, amados peregrinos, com o terço na mão, o nome de Maria nos
lábios e o cântico da misericórdia de Deus no coração: Ele, também “a mim fez
grandes coisas... A sua misericórdia se estende de geração em geração” (Luc.
1, 49-50).
Ao
preparar este meu encontro convosco, pude aquilatar bem da antiga e arreigada
devoção a Nossa Senhora entre vós. Ela patenteia-se, bem claramente, não apenas
nas grandes manifestações de fé ou nos grandes momentos da história do querido
Povo português, mas também e sobretudo no quotidiano da vida e nos costumes das
pessoas, das famílias, das comunidades, de molde a impregnar toda a sua cultura.
Durante séculos e, podemos talvez dizer, sempre entre a gente simples e humilde,
no cerne ancestral de Portugal, se exprimiu uma válida interpretação da sua
vasta cultura, língua e hábitos de vida através da religião e da vida cristã. Em
certo sentido a vida estava centrada e organizada à volta dos acontecimentos
religiosos; e aí, sempre em primeiro plano, a figura de Nossa Senhora. Foi
motivo de alegria para mim colher tais informações. E agora é uma alegria ainda
maior verificar com os próprios alhos esta vossa acentrada devoção à Mãe de
Deus.
Sede leais convosco próprios, zelai a vossa herança de fé, de valores
espirituais e de honestidade de vida, que recebestes dos vossos maiores, à luz e
com as bênçãos de Maria Santíssima; é uma herança rica e boa. E quereis que vos
ensine um “segredo” para a conservar? É simples e já não é segredo: “rezai,
rezai muito; rezai o terço todos os dias”.
6. Gratidão, comunhão, vida: são os
sentimentos que nos irmanam, peregrinos, aqui “reunidos no mesmo lugar”, nós que
formamos a geração actual da Igreja, para a qual já foi Pentecostes; reunidos,
“com Maria, Mãe de Jesus” queremos aqui comprovar a nossa assiduidade ao “ensino
dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações” (Cfr. Act.
2, 42).
Viemos em
“espírito de oração e penitência”, a este local já honrado pela presença do meu
Predecessor Paulo VI de veneranda memória, sempre viva e grata na nossa saudade;
local santificado pelas preces e sacrifícios de gerações de romeiros a Fátima. E
em sintonia de sentimentos, na sintonia da caridade, viemos sobretudo agradecer
e implorar a misericórdia divina, sem deixar de elevar as nossas súplicas a
pedir fidelidade a Deus e fidelidade em Cristo aos homens nossos irmãos, a pedir
a paz e o amor, no seio da Igreja entre os que se professam cristãos e em toda a
família humana.
Na jubilosa expectativa de concretizar tudo isto, completamente,
na Santa Missa de amanhã, vivamos em cheio, desde agora, em Eucaristia, esta
nossa peregrinação, oferecendo-nos a Deus, pelo Coração Imaculado de Maria, em
acção de graças e em disponibilidade; ofereçamos os nossos sacrifícios em união
com Cristo redentor e com a alma em prece de expiação e propiciação, repitamos:
Senhor “Jesus, é por vosso amor, em reparação dos pecados e pela conversão dos
pecadores” (3ª aparição - Julho, 1917).
Oxalá que amanhã, de regresso da nossa
peregrinação, após estas horas de intimidade com Cristo, com o “Pai que está nos
céus” e com Maria nossa Mãe, vivificados pelo Espírito Santo “derramado em
nossos corações” (Cfr. Rom. 5, 5), partamos com alegria “louvando a Deus e tendo a simpatia de
todo o povo” (Cfr. Act. 2, 47); daqueles que não puderam vir e daqueles que não quiseram vir, para
os quais vai toda a nossa simpatia, a nossa proposta de amor e a certeza das
nossas preces.
7. Sabeis, certamente, que desde a minha juventude cultivo a
prática cristã da peregrinação; e nas minhas viagens apostólicas, como Sucessor
de São Pedro – desde o México à Guiné Equatorial – as visitas, como peregrino,
aos Santuários Marianos, têm sido, pessoalmente, dos momentos mais altos dos
meus encontros com o Povo de Deus, espalhado pela terra, e com os homens nossos
irmãos na grande família humana. E é sempre com emoção, a mesma emoção da
primeira vez, que deponho nas mãos de Maria Santíssima tudo o que de bem possa
ter feito ou venha ainda a fazer ao serviço da santa Igreja.
Nesta hora, aqui no
Santuário de Fátima, quero repetir desde já, perante todos vós: Totus tuus -
“todo teu” ó Mãe! Peço que me apresenteis, a mim e a todos estes irmãos,
escondendo e cobrindo a nossa pobreza, com os vossos méritos e os do vosso
divino Filho, ao “Pai das misericórdias”, em preito de gratidão. E que sejamos
aceites, abençoados e fortalecidos nos nossos bons propósitos, que queremos
enlaçar, ideal ramo de flores, com fita “tecida e dourada” por Vós, ó Mãe: fazer
“tudo o que Ele (Cristo) nos disser” (Cfr. Io. 2, 4).
Dai-nos a vossa bênção, Senhora, nossa
querida Mãe!
***
Ebenso herzlich grüße ich die Besucher deutscher und
niederländischer Sprache: aus Deutschland, Österreich, Luxemburg, der Schweiz
sowie aus Holland und Belgien.
Wir sind hier zusammengekommen, um dem reinen,
mütterlichen Herzen Marias unsere Hoffnungen und unsere Ängste in kindlicher
Zuversicht anzuvertrauen. Zugleich wollen wir feierlich unsere Bereitschaft
bekunden, uns selbst mit Herz und Verstand, mit allen unseren Kräften der
Erlöserliebe Christi zur Verfügung zu stellen: zum Heil für uns selbst und für
alle unsere Mitmenschen, wo immer sie leben.
In geistiger Gemeinschaft mit Maria,
der Mutter der Kirche, laßt uns also zusammen beten und unsere Herzen zu Gott,
dem Heiligen und Dreifaltigen, erheben!
***
Dear English-speaking pilgrims,
I am
grateful for your presence here at Fatima. I thank you for having come to watch
and pray with Christ, and to entrust your lives and all your hopes to the
Immaculate Heart of Mary. It is she – the Mother of Jesus and the Mother of his
Church – who invites us to open our own hearts to her appeal, to that echo of
the Gospel which speaks of prayer, conversion and penance. Beloved brothers and
sisters: this is a decisive hour in the life of the Church of this generation:
we are all invited to repentance and to new life. We are all invited to approach
the throne of grace with confidence, in order to abtain mercy (Cfr. Hebr.
4, 16). We are all
invited to go to Jesus through Mary!
***
Je désire maintenant adresser mon salut aux
pèlerins qui sont venus ici, à Fatima, de beaucoup d’autres pays, en premier
lieu aux pèlerins de langue française.
Chers Frères et Sœurs, que le Seigneur
vous bénisse pour avoir entrepris svec moi cette démarche de foi! Préparons-nous,
dans la prière, à fêter la Vierge Marie, à la louer, à accueillir son message
évangélique, à lui confier les immenses besoins de l’Eglise et du monde. Par l’intercession
de cette Mère, nous demanderons les grâces de conversion dont le monde a besoin
pour entrer davantage dans le salut opéré par le Christ, et raviver aujourd’hui
dans les cœurs les certitudes de la foi, les engagements de justice et de paix,
dans la charité, et les sentiments d’espérance!
***
Saludo cordialmente a todos los
peregrinos venidos de España y de otros países de lengua española. A vosotros
aquí presentes y a todos los que nos acompañáis por medio de la radio y la
televisión, os invito a participar en esta vigilia de oración en la que, con la
intercesión maternal del Inmaculado Corazón de María, elevaremos al Señor
nuestras plegarias por la Iglesia y para que haya paz en todo el mundo.
Que la
devoción a la Virgen, Madre nuestra, haga sentir a cada uno la necesidad de la
conversión para así seguir fielmente a Cristo, que es el camino, la verdad y la
vida de todos los hombres.
***
Serdecznie witam i pozdrawiam moich Rodaków, którzy
vraz z Kardynałem Metropolitą Krakowskim i Biskupem Tarnowskim przybyli w
pielgrzymce do Fatimy, aby modlć się z Papieżem w tym sanktuarium maryjnym.
W
Was i przez Was pozdrawiam wszystkie Siostry i Braci w Ojczyźnie i poza jej
granicami. Wiem, że duchowo są oni tutaj obecni i
uczestniczą w tej mojej
dziękczynnej modlitwie.
Matka Chrystusa niech ogarnie miłoœcią swego
Niepokalanego Serca moich Rodaków i trudne sprawy umiłowanej Ojczyzny.
© Copyright 1982 - Libreria Editrice Vaticana
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