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VIAGEM APOSTÓLICA À ESPANHA
31 DE OUTUBRO - 9 DE NOVEMBRO DE 1982

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
 A SUAS MAJESTADES O REI E A RAINHA DA ESPANHA
 E ÀS AUTORIDADES DO GOVERNO

Palácio Real
Terça-feira, 2 de Novembro de 1982

 

Majestades
Senhores

1. É para mim motivo de satisfação ter este encontro com Vossas Majestades, com as Autoridades do Governo e os Representantes do Parlamento. Assim como com os demais ilustres Membros dos sectores mais qualificados da sociedade espanhola.

Agradeço em primeiro lugar o delicado acolhimento, em perfeita consonância com o profundo sentido de hospitalidade do povo espanhol, e as deferentes palavras de Sua Majestade, que tão autorizadamente interpreta o sentir dos espanhóis.

E embora a minha viagem à Espanha tenha um carácter eminentemente religioso, com esta visita de cortesia desejo expressar a minha saudação e o meu respeito aos legítimos Representantes do povo espanhol, que os elegeu como mandatários seus, para dirigirem os destinos da Nação. Um respeito que desejei fora de toda a sombra de dúvida — se em alguém teria podido insinuar-se — já antes da minha vinda e que hoje reitero no vosso presente contexto público.

2. Na mesma linha das minhas precedentes viagens apostólicas, chego à Espanha como mensageiro da fé, para cumprir o mandato de Cristo de ensinar a sua doutrina a todos os povos. Uma mensagem que é nova para cada pessoa ou geração e é sempre Boa Nova, porque fala de fé, de amor entre os homens, de respeito à sua dignidade e valores fundamentais, de paz, de concórdia, de liberdade e de convivência. Causas todas elas que ajudam a promoção do homem e que ocupam lugar tão grande nas minhas tarefas.

Boa Nova também para os povos, especialmente quando estão empenhados em construir sobre bases renovadas o seu presente e o seu futuro. Porque a Igreja, respeitando de bom grado os âmbitos que não lhe são próprios, assinala um rumo moral, que não é divergente ou contrário, mas que coincide com as exigências da dignidade da pessoa humana e com os direitos e as liberdades a ela inerentes. E que constituem a plataforma de uma sociedade sã.

É lógico ao mesmo tempo que, fiel ao seu dever, e ainda respeitando a autonomia da ordem temporal (cf. Gaudium et spes, 36), a Igreja peça a mesma consideração para com a sua missão, quando se trata da esfera de coisas concernentes a Deus e que orientam a consciência dos seus filhos. Nas diversas manifestações da sua vida pessoal e social, particular e pública.

3. Estou consciente de que venho a uma Nação de grande tradição católica, da qual muitos filhos contribuíram intensamente para a humanização e evangelização de outros povos. São páginas históricas que falam bem alto do vosso passado.

Agora estais comprometidos numa nova estruturação do vosso contexto público, que respeite devidamente a unidade e pecularidades dos diversos povos que integram a Nação. Sem pretender dar juízos concretos sobre aspectos que não são da minha incumbência, peço a Deus que vos dê acerto nas soluções a serem adoptadas, para que se preserve a harmónica convivência, a solidariedade, o mútuo respeito e bem de todos.

Esse equilíbrio da Espanha repercutirá de maneira positiva na área geográfica da qual fazeis parte, e na qual legitimamente desejais integrar-vos de modo mais pleno. Uma Espanha próspera e em paz, empenhada em promover relações fraternas entre as suas gentes e que não esqueça os seus princípios humanos, espirituais e morais, poderá dar um valioso contributo para um futuro de justiça e de paz na Europa e no concerto das Nações, sobretudo daquelas com as quais vos unem especiais vínculos históricos.

4. Para alcançar esses objectivos sei que estais a esforçar-vos por criar uma convivência civil na liberdade, participação e respeito dos direitos humanos. Dentro da pluralidade de opções legitimas, e do devido respeito entre elas, sentidos pela sociedade espanhola.

Desejo-vos que se salvaguarde sempre a liberdade solidária e responsável, esse dom precioso da pessoa humana e fruto da sua dignidade. E que o vosso sistema de liberdade se baseie em todo o momento na observância dos valores morais da mesma pessoa. Deste modo poderá ela realizar-se deveras, individual e colectivamente.

5. Não posso concluir estas palavras sem renovar o meu agradecimento a Sua Majestade o Rei e ao Governo, pelo convite a vir a este nobilíssimo País, e por todas as facilidades que estão prestando para o melhor desenvolvimento do mesmo. Quero assegurar-lhes o meu profundo apreço por tudo isto.

Que Deus abençoe a Família Real, as Autoridades todas e o querido povo espanhol, para que desfrute sempre de um clima de paz, prosperidade, justiça e concórdia.

 

© Copyright 1982 - Libreria Editrice Vaticana

 

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