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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
ÀS IRMÃS DO INSTITUTO DE MARIA BAMBINA
POR OCASIÃO DO 150º ANIVERSÁRIO DE FUNDAÇÃO
Sábado, 23 de Outubro de 2011
Amados irmãos e irmãs!
1. É com viva alegria que acolhi o desejo que me foi manifestado por
vós, queridas Religiosas de Maria "Bambina", de terdes um momento de comunhão,
por ocasião do vosso recente Capítulo Geral e do 150° aniversário de fundação do
vosso Instituto.
Exprimo antes de tudo o meu apreço pelo empenho e pela vitalidade da
vossa família espiritual. Estas realidades suscitam no meu coração sentimentos
de conforto e de satisfação; elas são confirmadas pela numerosa presença de
jovens que pedem para compartilhar a vossa vida; pelo espírito catolicamente
universal que vos permite desenvolver um frutuoso apostolado nos ambientes mais
diversos da Europa, da Ásia, da África e da América, levando a todos eles,
segundo as exigências próprias de cada um, a singular mensagem de amor de Nosso
Senhor Jesus Cristo; pela louvável expansão para o Sul da amada Pátria de origem
da vossa Congregação; pela sensibilidade aos mais vivos e urgentes problemas
educativos da nossa juventude.
E eu mesmo — bem o sabeis — na Policlínica "Gemelli" tive provas da
vossa generosa dedicação. Então tínheis desejado uma Audiência por ocasião do
último Capítulo Geral, mas o Senhor dispôs que eu me encontrasse inesperadamente
com a vossa Congregação — bem que representada nas vossas Irmãs de hábito que me
assistiram — de uma forma diversa, talvez mais bela e mais profunda, na caridade
de Cristo vivida e sofrida.
2. Hoje, que o Senhor nos consente encontrar-nos todos, juntamente com
leigos e jovens por vós assistidos, de bom grado quero deter-me convosco sobre
alguns pensamentos que vos sejam de apoio e de estímulo a tornardes sempre mais
firme e fecundo o vosso chamamento.
Estais apenas saindo, após os trabalhos do vosso Capítulo geral do ano
passado, de uma reaquisição do espírito originário embora nas mudadas condições
do nosso tempo. Tomastes consciência de que, apesar de tais transformações, a
intuição das vossas Santas Fundadoras é hoje mais do que nunca válida e goza da
plena aprovação da Igreja. Mantende vivo o impulso que adquiristes neste
abençoado acontecimento da vossa história. O "retorno às origens", na vida
cristã e religiosa, não tem nada de uma retrógrada quanto impossível revivescência de um passado já
acabado, mas ao contrário é a capacidade de redescobrir no passado aquelas
fontes vivas e efervescentes, aquelas raízes vigorosas e nutrientes, que são a
razão última das nossas opções fundamentais, da nossa vida, da nossa história
presente e futura. É a capacidade de nos tornarmos a prender àquele Eterno, na
nossa vida, que nos permite dar sentido e animar todos os momentos do nosso
tempo, e neles encontrar os "sinais" deste Eterno. E Quem é este "Eterno", senão
Cristo, "ontem, hoje e sempre" (Heb 13, 8)?
3. Alimentai-vos, então, constantemente do exemplo das vossas Santas
Fundadoras, mulheres como vós, que, na escola da Virgem Maria e guiadas por
aquela divina graça cuja plenitude Ela possui, souberam realizar os ideais mais
belos da vocação religiosa feminina. Alimentai-vos com a tenacidade, a fé, a
coragem, a humildade e a caridade delas, procurando compreender o que elas
fariam se vivessem hoje. Fazei vossa a largueza e a universalidade dos seus
intentos, que permitiram e permitem à Congregação por elas fundada dar prova de
evangélica e missionária abertura para povos e raças diversas. Não esmoreçais,
como já fazeis, de procurar, com a misericórdia de Cristo, as situações de maior
necessidade dos vossos cuidados e dos vossos desvelos, sobretudo no campo da
juventude abandonada e à procura de amor e de ideais.
4. Tarefas graves. Atribuições super-humanas. Mas o Senhor está
convosco, não temais. Mantende sempre o vosso dever à altura da sua natureza
originária. A isto Deus vos chamou. A Ele, que vos julgou capazes, o poder de
vos confirmar, suster e tornar aptas para o cumprimento da missão que vos foi
confiada.
Sabei acolher sempre e conservar as raízes primeiras do vosso ser,
que são a vontade do Pai, a graça de Cristo, o poder do Espírito, as Três
Santíssimas Pessoas acolhidas e actuantes no coração puríssimo da Mãe de Deus,
desde o primeiro instante da sua concepção. Sede também vós, como Maria "Bambina",
o lugar bendito, o templo de acolhimento deste Infinito Mistério, a fim de que a
humanidade extenuada e desalentada possa encontrar neste "lugar" consolação, luz
e repouso.
5. E agora a minha calorosa saudação dirige-se a vós, jovens e rapazes,
alunos e alunas, grupos paroquiais que acompanhais estas queridas Religiosas,
que se dedicam a vós com incansável solicitude.
Também vós participais, na condição própria de leigos, da fé e do
impulso espiritual das Santas Bartolomea e Vincenza; participais recebendo o
serviço espiritual das vossas Irmãs, e procurando imitar, nas duas Fundadoras,
quanto possa haver de sugestivo para os deveres particulares do vosso estado de
vida. Também a vós convém olhar, como modelos da vossa vida, os exemplos
fulgidíssimos e ainda actuais daquelas duas santas jovens e amigas, que
encontram o sentido e o sabor da existência delas no amor a Cristo e aos irmãos.
Sabei, então, perscrutar a realidade que estas vossas irmãs, esta sua
grande família internacional pode representar para vós: procurai compreender o
profundo significado da dedicação delas e a fonte primeira da qual tiram e podem
tirar a força e a grandeza desta dedicação. Ide também vós a alcançar esta
fonte! Fixai-vos, também vós, nestas raízes! O vosso coração alargar-se-á, a
vossa força aumentará, os vossos dias hão-de tornar-se mais intensos de alegria
verdadeira e interior.
Vivei intensamente a vida cristã e vos acompanhe a minha bênção e a
protecção de Maria "Bambina".
© Copyright 1982 - Libreria Editrice Vaticana
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