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VIAGEM APOSTÓLICA AO BRASIL

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
NA CERIMÓNIA DE BOAS-VINDAS
NO AEROPORTO DE NATAL

Sábado, 12 de Outubro de 1991

 

Excelentíssimo Senhor Ministro das Relações Exteriores,
Senhores Cardeais, Senhores Arcebispos e Bispos,
Caríssimos amigos
,

1. O singular momento desta visita, ao iniciar minha segunda viagem ao Brasil, traz a meu coração uma grande alegria. Ao saudar e agradecer a Vossa Excelência pela acolhida que me foi dispensada, em nome do Senhor Presidente da República, assim como às ilustres personalidades da Comitiva que o acompanha, desejo saudar cordialmente a todo o povo brasileiro, que nesta hora sinto bem presente. Agradeço a Deus Todo-Poderoso que me permitiu atender ao fraterno convite do Episcopado brasileiro, bem como ao que foi feito por Vosso Presidente, dando-me novamente a oportunidade de beijar o solo e abraçar emocionado esta Terra da Santa Cruz.

2. Estou aqui atendendo ao mandato de Cristo para poder dizer, como Ele, “conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas me conhecem” (Jo 10, 14). Sucessor de São Pedro, minha primeira missão consiste em zelar por aqueles Pastores que estão à frente das suas respectivas dioceses, em todo o território nacional. A todos desejo trazer minhas palavras fraternas. Quero que saibam, como dizia o Apóstolo Paulo, que “tenho motivo para gloriar-me em Jesus Cristo, no que diz respeito ao serviço de Deus” (Rom. 15, 17). Com a grande maioria, mantive um encontro pessoal, no ano passado, em suas visitas “ad limina apostolorum”, e fiquei assim conhecendo melhor os aspectos fundamentais dos problemas de seu rebanho nas diversas Igrejas particulares.

Hoje, porém, tenho a oportunidade de voltar ao Brasil para sentir de perto esses problemas, como também os frutos daquelas perspectivas, que lhes acenei naqueles encontros. Faço-o com imensa alegria, porque sei que desta forma estarei atendendo aos anseios dos senhores bispos e de tantos fiéis, para levar os brasileiros na unidade da fé, “a testemunhar diante do mundo as razões de sua esperança” em Cristo (Cfr. 1Pt. 3, 15).

3. A Nação brasileira está se preparando para desempenhar um papel de grande relevância entre os povos de todo o mundo. Isso decorre não só de sua dimensão territorial e das imensas potencialidades do seu solo. Mais importante é a riqueza humana de um povo que, em quase cinco séculos de história, vem crescendo à sombra de autênticos valores humanos e espirituais, e que se prepara para enfrentar os desafios do Terceiro Milênio da era cristã. Destacaria aqui, entre outros, o respeito pela dignidade humana, construído não sem inúmeras vicissitudes, mas sedimentado, sempre mais, pela força da liberdade, princípio motor de toda sociedade justa; a capacidade de acolher a muitos povos de outras nações, num amálgama impressionante de raças e culturas; seu espírito generoso e aberto; sua aguda inteligência e, mais que tudo, a herança da fé católica que permanece viva e atuante, mesmo no meio de tantas dificuldades.

Por isso, Senhor Ministro, sinto a necessidade de fazer eco às palavras, que em dezembro do ano passado, o Senhor Presidente da República reafirmava, no seu convite oficial para esta minha viagem, o empenho de um Brasil “coletivamente comprometido com as causas da solidariedade cristã e dos direitos do homem”. Não posso esconder minha alegria ao ver assim confirmados aqueles traços que antes delineava e que nada mais são que um dos fundamentos da mensagem cristã.

A Igreja Católica, sempre inspirada pelo mandamento da caridade evangélica, procura ajudar, com os meios que lhe são próprios, todos os homens do nosso tempo a tornarem o mundo mais conforme com a eminente dignidade do homem (Gaudium et Spes, 91). Daí o seu profundo compromisso com a missão evangelizadora, a serviço da grande causa da paz e da justiça no mundo contemporâneo.

4. Peço a Deus, portanto, que minha visita sirva de estímulo não somente a uma constante consolidação da Igreja - em benefício de todos os brasileiros e de toda a Igreja universal - mas também para que resplandeçam sempre no Brasil a justiça e a eqüidade; através do respeito à vida, em todos os seus momentos, como exigência de um direito inscrito na própria natureza humana; através da promoção da pessoa humana como fundamento do progresso e tão de acordo com a índole do povo desta terra; através da atenção e solidariedade para com os menos favorecidos, os que mais carecem de apoio, para que desapareçam as perversas desigualdades econômicas, que trazem consigo intoleráveis discriminações individuais e sociais.

Queira a Divina Providência, que se cultivem constantemente os autênticos valores culturais, espirituais e morais do povo, um patrimônio comum, que deve ser sempre assegurado e promovido. Estes valores são a base dos setores vitais para a sociedade, como: a família, a infância e a juventude, a educação e a assistência social.

Nestes setores e noutros, em tantos momentos da vida do povo, surgem a cada instante enormes desafios aos quais se deve responder em conformidade com as exigências da verdade, da justiça, da liberdade e da solidariedade humana e pelos quais também a Igreja se sente interpelada, em virtude da sua missão de serviço ao homem.

5. Alegra-me que uma série de acontecimentos marquem, de modo especial esta visita. Amanhã participarei aqui em Natal, da conclusão do XII Congresso Eucarístico Nacional. Elevo minhas preces a Deus, para que deste evento nasçam firmes propósitos de renovação cristã e consolidação da fé do povo brasileiro nas verdades perenes que nos ensina a Santa Madre Igreja. Em Florianópolis, procederei à Beatificação da Madre Paulina do Coração de Jesus Agonizante, podendo assim reverenciar, junto a ela, todos os missionários que vieram ao Brasil, tendo deixado sulcos profundos na alma e na civilização brasileiras. Porém, o Papa deve confessar, Senhor Ministro, que sua maior alegria é poder estar novamente com todos os brasileiros, com os que professam a fé católica, e com os outros que dela não comungam, mas todos unidos por estreitos laços de fraternidade cristã.

Aproveito a oportunidade, para agradecer a tantos convites que me foram feitos, para que, na presente ocasião, visitasse as dioceses onde não estive na viagem anterior. Não sendo possível atender a todos, desejo, no entanto, que cada um saiba que o Papa está pensando nele. Ele ama a todos e a todos envia um caloroso abraço, bem brasileiro!

Nesta grata e solene ocasião, ao assegurar minha estima e meu interesse pelo bem deste País, renovo, Senhor Ministro, os melhores votos de um progresso autêntico e consistente, na busca do bem-estar do povo e do desenvolvimento integral, em paz serena e concórdia de todos para construir um Brasil cada vez mais humano e fraterno, à luz de Cristo.

Com estes auspícios, ao enviar minhas mais cordiais saudações ao Presidente da República Federativa do Brasil, Senhor Fernando Collor, peço a Deus que abençoe a toda essa imensa Nação e, sob olhar materno e a proteção de Nossa Senhora Aparecida, proteja e inspire seus governantes na árdua tarefa de servir o bem comum do povo brasileiro.

 

© Copyright 1991 - Libreria Editrice Vaticana

 

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