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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
 AO SENHOR MOHAMED SALAH DEMBRI
NOVO EMBAIXADOR DA ARGÉLIA JUNTO
DA SANTA SÉ POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO
DAS CARTAS CREDENCIAIS

 

 

Senhor Embaixador

1. É com prazer que acolho Vossa Excelência no Vaticano, por ocasião da apresentação das Cartas, que o acreditam  como  Embaixador  Extraordinário e  Plenipotenciário  da  República  Argelina Democrática e Popular junto da Santa Sé.

Estar-lhe-ia grato se transmitisse a Sua Excelência o Senhor Presidente Liamine Zéroual, assim como ao povo argelino os votos de felicidade e de prosperidade, que formulo para toda a nação, suplicando ao Altíssimo que lhe conceda o dom da paz tão desejada.

2. Vossa Excelência ressaltou a necessidade do respeito das convicções de cada um e também das liberdades individuais e colectivas, a fim de estabelecer um verdadeiro Estado de direito. Para progredir nos caminhos do progresso e da concórdia, é indispensável, com efeito, satisfazer as justas aspirações do povo, abrindo perspectivas de futuro fundadas sobre uma real solidariedade entre todos os cidadãos, e sobre uma aceitação mútua das diversas sensibilidades. Mas as respostas a estas expectativas não podem limitar-se a dimensões puramente económicas e materiais; devem ter em consideração todos os aspectos da existência humana, permitindo sobretudo uma satisfação legítima das necessidades espirituais e culturais essenciais das pessoas e da sociedade.

3. Alegro-me pelo que Vossa Excelência referiu acerca do empenho do seu país, a fim de participar na edificação de um mundo mais solidário e mais justo. Para se chegar à estabilidade e à paz entre as nações, torna-se hoje necessário promover a compreensão e a cooperação. Nesta perspectiva, não se pode senão sustentar os esforços feitos entre os países situados às margens do Mediterrâneo para favorecer uma melhor compreensão recíproca e o bem-estar das populações. O diálogo entre os crentes das diferentes tradições religiosas deve também permitir uma abertura espiritual, que favoreça uma colaboração frutuosa ao serviço dos povos da região.

4. Ao aproximarmo-nos do terceiro milénio, a Igreja católica deseja que as nações e as comunidades humanas empreendam juntas «uma verdadeira peregrinação de paz, cada um partindo da situação concreta em que se encontra» (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 1997). Para muitas pessoas, a violência tornou-se a trágica realidade quotidiana. Os sofrimentos que ela causa fazem apelo à consciência de todo o homem de boa vontade e convidam a procurar com constância os caminhos da reconciliação. Esta via é difícil e semeada de obstáculos; portanto, a cultura da violência deve dar lugar à «cultura da paz». Só uma vontade sincera de se chegar a uma reconciliação efectiva pode permitir superar as resistências e procurar o bem comum antes dos interesses particulares.

Mediante a sua presença nestes lugares, o seu país manifesta a vontade de dar um lugar importante aos valores espirituais e morais, sem os quais uma sociedade não se pode estabelecer de modo  duradouro. Faço votos  por  que  os ligames, já antigos, entre a Sé Apostólica e a Argélia  permitam uma compreensão cada vez maior, que contribua para a  concórdia entre as  comunidades humanas.

5. Por seu intermédio, permita-me, Senhor Embaixador, dirigir uma saudação afectuosa à pequenina comunidade católica do seu país. No decurso dos últimos meses, em várias ocasiões, ela foi tragicamente atingida pela violência cega, compartilhando deste modo a condição de muitos dos seus concidadãos. Faço votos por que o sacrifício do Bispo de Oran, dos monges trapistas de Nossa Senhora de l’Atlas, assim como o de muitos outros religiosos e religiosas, seja para o seu país um penhor de esperança e de fé, num futuro de justiça e de respeito mútuo. Aos Bispos e aos católicos da Argélia reitero os meus encorajamentos no seu generoso testemunho de fraternidade com o povo argelino inteiro. Continuo junto deles, e oro a Deus para que a essa terra, que conheceu tantas provas, chegue rapidamente o momento da reconciliação e da paz.

6. No momento em que inicia a sua missão, apresento-lhe os meus melhores votos para a nobre tarefa que o espera. Asseguro-lhe que encontrará sempre junto dos meus colaboradores um acolhimento atencioso e uma compreensão cordial.

Sobre Vossa Excelência e sobre o inteiro povo argelino, invoco de todo o coração a abundância das Bênçãos do Omnipotente.

 

© Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana

 

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