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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AO SENHOR IFTEKHAR AHMED CHOWSHURY
 NOVO EMBAIXADOR DE BANGLADESH JUNTO
DA SANTA SÉ POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO
DAS CARTAS CREDENCIAIS

24 de Abril de 1997

 

Senhor Embaixador

Sinto-me feliz por lhe dar as boas-vindas ao Vaticano e receber as Cartas Credenciais que o designam Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República Popular de Bangladesh junto da Santa Sé. Agradeço-lhe as saudações que me transmitiu da parte da parte do Presidente, Sua Ex.cia o Senhor Justice Shahabuddin Ahmed, e do Primeiro-Ministro, Sua Ex.cia a Senhora Sheikh Hasina. Peço-lhe que tenha a amabilidade de lhes assegurar as minhas orações pela paz e pelo bem-estar da sua nação e do seu povo.

Vossa Excelência referiu-se aos compromissos da Santa Sé ao serviço da família humana. Com efeito, na sua actividade diplomática, a Santa Sé busca aquela «sã cooperação recíproca» (cf. Constituição pastoral sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo, Gaudium et spes, 76) entre a Igreja e a comunidade política, que redunda no benefício dos indivíduos, das nações e do mundo em geral. No núcleo desta cooperação deve existir uma solicitude comum pelo bem-estar integral dos povos e pela salvaguarda da dignidade humana. A possibilidade de íntima colaboração entre a Igreja e o Estado baseia-se, em última análise, no nosso reconhecimento do facto de que a finalidade de todo o desenvolvimento social e económico é o serviço do homem na sua totalidade, tendo em consideração não só as suas necessidades físicas, mas também as exigências da sua vida intelectual, moral e religiosa.

O homem é um ser tanto material como espiritual. Consequentemente, a plena dimensão humana da pessoa inclui valores quer materiais quer espirituais, mas são os valores espirituais a gozar de prioridade, porque dão plenitude ao significado das realidades materiais e indicam o uso apropriado que destas deveria fazer-se. O respeito pela sua hierarquia de valores é fundamental para garantir que o desenvolvimento social, económico e tecnológico sirva verdadeiramente o bem-estar de cada pessoa e da pessoa inteira (cf. Discurso ao Corpo Diplomático, 13 de Janeiro de 1997, n. 4). A Igreja está plenamente persuadida de que, salvaguardando e promovendo os valores espirituais, oferece uma contribuição essencial para a realização das mais profundas aspirações da humanidade à paz, solidariedade e progresso genuínos em cada um dos campos da actividade humana.

O povo bengalês é herdeiro de uma antiga civilização, com uma rica diversidade de tradições culturais que forjou uma comum identidade nacional. A minha ardente oração é para que, mediante o robustecimento da harmonia que já existe entre os vários sectores da sociedade, Bangladesh seja cada vez mais uma nação em que os seus cidadãos possam contribuir de modo efectivo para o desenvolvimento do país e compartilhar ulteriormente os benefícios do progresso económico e social.

Como muitas vezes tive ocasião de observar, uma das principais condições que se exige para uma sociedade pacífica é o desenvolvimento de uma cultura fundamentada no respeito pelo próximo, que abarque o respeito pelo seu direito à liberdade religiosa, uma liberdade que pertence a todos os indivíduos e comunidades. Particularmente às minorias religiosas deve garantir-se a liberdade de crer e de prestar culto como comunidades segundo as suas próprias tradições, e de prover de modo conveniente à educação e formação religiosas dos seus membros. Inevitavelmente, qualquer tentativa de impedir o exercício da liberdade de religião e da liberdade de consciência tem sérias consequências negativas para a ordem social e a paz na sociedade. Sem comprometer as suas crenças religiosas, todos os cidadãos deveriam poder sentir que são membros igualitários da comunidade nacional a que pertencem e que o seu contributo ao progresso da mesma é aceite e apreciado. Desta forma, a sociedade civil pode contar com fiéis que, em virtude das suas profundas convicções, não se deixarão dominar por tendências ideológicas prevalecentes, nem hesitarão em agir segundo as suas aspirações a tudo aquilo que é verdadeiro e justo, uma condição essencial para garantir a paz (cf. Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 1 de Janeiro de 1988, n. 3).

Quereria expressar aqui a minha gratidão pelas observações de Vossa Excelência a respeito da presença e do em empenhamento dos católicos na sociedade bengalesa. Embora constituam uma das minorias mais exíguas, os católicos em Bangladesh trabalham com os seus compatriotas pelo desenvolvimento económico, social e cultural do próprio país. É também mediante a sua dedicação que a Igreja pode continuar a própria actividade nos campos da educação e da assistência social. Ao oferecer tais serviços, ela não busca privilégios mas meramente a liberdade de continuar a própria missão espiritual e de servir o bem integral da sociedade. Estou convicto de que o Governo de Bangladesh há-de continuar a manter contactos frutuosos com os Bispos católicos do país, no que se refere às problemáticas de interesse e colaboração recíprocos.

Senhor Embaixador, tenho a certeza de que, como representante diplomático do seu país, fará muito para fortalecer os vínculos de amizade entre o seu Governo e a Santa Sé. Formulo-lhe os meus melhores votos para o bom êxito da sua missão e asseguro-lhe que os vários Dicastérios da Cúria Romana estarão prontos a assisti-lo no cumprimento dos seus deveres. Sobre Vossa Excelência e sobre todo o povo de Bangladesh invoco cordialmente as abundantes bênçãos do Altíssimo.

 

© Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana 

 

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