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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AO SENHOR  THEOPILOS V. THEOPILOU 
NOVO EMBAIXADOR DA REPÚBLICA DE CHIPRE
JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO
DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

24 de Abril de 1997

 

Senhor Embaixador

Nesta fausta ocasião, dou-lhe as cordiais boas-vindas e aceito as Cartas que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Chipre junto da Santa Sé. Com sincera gratidão pelas saudações que me dirigiu da parte do seu Governo e Povo, peço-lhe que tenha a amabilidade de transmitir à Sua Excelência o Senhor Presidente Glafcos Clerides, a certeza dos meus bons votos e das  minhas orações.

A sua presença aqui no Vaticano como Representante de um povo orgulhoso da sua antiga civilização e valores culturais, serve para nos recordar que os povos e as culturas florescem quando, à dimensão espiritual da pessoa, é atribuído o justo lugar no seio da sociedade. A consideração da dignidade humana e dos direitos do homem caminha a par e passo com a visão trascendental do destino do homem que, desde os primeiros tempos cristãos, está profundamente gravada na mente e no coração dos cipriotas. Com efeito, o conhecimento da dignidade singular do homem, feito à imagem do Criador (cf. Gén. 1, 26-27), oferece o fundamento sólido para a edificação de uma sociedade assente sobre a liberdade, a justiça e a paz. Neste sentido, o autêntico progresso material e moral depende da observância dos «direitos humanos universais, arraigados na natureza da pessoa, nos quais se reflectem as exigências objectivas e imprescindíveis de uma lei moral universal» (Discurso à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, 5 de Outubro de 1995; ed. port. de L’Osservatore Romano de 14.X.1995, n. 3, pág. 3).

A paz, denominada «a tranquilidade da ordem» (Santo Agostinho, De Civitate Dei, XIX, 13), não é um estado passivo, mas uma conquista dos conscientes e industriosos esforços daqueles que, com a ajuda de Deus, têm em vista a sua criação. Não basta — embora seja o primeiro e indispensável passo — limitar as guerras, impedir as hostilidades e garantir a segurança. É também necessário promover iniciativas concretas que levem à reconciliação dos corações. Só se pode enfrentar o enorme desafio da obra de reconciliação, se as partes em conflito estiverem determinadas a libertar- se dos condicionamentos passados. Dado que o Terceiro Milénio cristão, já se aproxima, exortei a uma nova análise da história, com uma renovada atitude de abertura e o desejo de «purificar as memórias» (cf. Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 1 de Janeiro de 1997, n. 3). Se quiserem que o novo Milénio desponte na paz, os povos e as nações deverão persuadir-se da necessidade de oferecer e aceitar o perdão — «a premissa indispensável para se caminhar rumo a uma paz autêntica e estável» (Ibid., n. 1).

Senhor Embaixador, a contínua divisão de Chipre recorda-nos que ainda não se alcançou uma solução para este doloroso problema. A este propósito, reitero o que disse em 1996, ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé: «Uma semelhante situação, que impede às populações, separadas ou privadas dos seus bens, construir o seu futuro, não pode ser mantida de modo indefinido. As negociações entre as partes em causa se intensifiquem e sejam animadas por uma sincera vontade de se obter bom êxito!» (Discurso, 13 de Janeiro de 1996; ed. port. de L’Osservatore Romano de 20.I.1996, n. 4, pág. 2). Devemos convencer-nos de que só será possível progredir no caminho se prevalecerem o respeito mútuo, a boa vontade, a disponibilidade a admitir os erros do passado, bem como um compromisso decidido pela paz. Os esforços corajosos de líderes clarividentes pode levar a soluções justas, até mesmo no caso de prolongados conflitos e divisões.

Os fiéis católicos de Chipre estão ansiosos por cooperar com os seus irmãos e irmãs ortodoxos, oferecendo o testemunho de vidas inspiradas pelos valores da sua fé cristã. No momento em que católicos e ortodoxos se preparam para celebrar o Grande Jubileu do Ano 2000, rezem juntos a fim de que o Espírito Santo os oriente para uma cooperação mais efectiva ao serviço do Evangelho da Paz. Além disso, no espírito das Bem-aventuranças, deveriam procurar criar um clima de diálogo inter-religioso com os seguidores de outras religiões, a fim de abrirem o caminho para todo o povo de Chipre superar as feridas da divisão e empenhar-se nos gestos práticos da reconciliação.

Nesta solene ocasião, Senhor Embaixador, formulo-lhe os meus melhores votos pela nobre tarefa que Vossa Excelência se prepara para empreender, convicto de que fará todo o possível para fortalecer os laços de amizade entre a Santa Sé e a República de Chipre. Esteja certo de que, no cumprimento da sua missão, encontrará sempre uma cordial solicitude da parte dos vários Dicastérios da Cúria Romana. Sobre Vossa Excelência e sobre os seus compatriotas, invoco cordialmente as bênçãos de Deus Todo-poderoso.

 

© Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana 

 

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