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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II 24 de Abril de 1997
Senhor Embaixador 1. É com grande prazer que apresento as boas-vindas a Vossa Excelência, no momento em que apresenta as Cartas que o acreditam junto da Santa Sé, na qualidade de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Finlândia. Peço-lhe que se digne transmitir a Sua Excelência o Senhor Martti Ahtisaari, Presidente da República da Finlândia, os meus agradecimentos cordiais pela amável mensagem, da qual Vossa Excelência se fez intérprete. Da minha parte, formulo os votos cordiais para o feliz desempenho da sua missão ao serviço de todos os seus compatriotas. Agradeço- lhe as gentis palavras que reservou à minha pessoa. Elas testemunham nobres sentimentos que muito apreciei; manifestam também a sua atenção e compreensão pela acção e missão espirituais e morais da Sé Apostólica em favor da paz, da solidariedade entre os povos, dos direitos do homem e da dignidade de todo o ser. 2. Senhor Embaixador, Vossa Excelência evocou alguns aspectos da vida internacional, recordando oportunamente o papel desempenhado pelo seu país no desenvolvimento das relações na Europa, em particular no seio da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa, cuja fundação está ligada à sua terra devido à assinatura do Acto final, em Helsínquia, no dia 1 de Agosto de 1975. Todos os países do continente são convidados a empenhar-se na construção duma Europa de paz e de solidariedade, para que as instituições estabelecidas estejam realmente ao serviço dos povos. A respeito disso, estou reconhecido ao seu Governo e aos seus compatriotas por terem participado nos esforços de paz na Bósnia-Herzegovina, mediante o diálogo com as forças antagónicas e uma assistência técnica sustentada, a fim de que os homens dessa terra possam dispor de instituições democráticas, indispensáveis à vida pública, e relançar a sua economia, para o bem de todos. Para o futuro do continente europeu, no qual ainda existem inquietantes focos de tensão, assim como para a paz e a amizade entre os povos, é mais que nunca importante que as nações disponham juntas de meios institucionais sólidos; isto assegurará a colaboração confiante entre as diferentes Autoridades governamentais, assim como entre os homens que vivem no continente. Esse passo será benéfico para todos os europeus e favorecerá o crescimento espiritual, moral e económico, essencial num período em que a crise atinge inúmeras pessoas e famílias. 3. Senhor Embaixador, Vossa Excelência evocou a questão dos direitos do homem, na qual a Santa Sé está fortemente empenhada, pois ela é a expressão da grandeza e da dignidade inalienável de todo o ser humano, do sentido moral e da atenção ao lugar de cada um na sociedade. Com efeito, há um vínculo estreito entre o valor da pessoa e o serviço que ela é chamada a prestar em vista do bem comum. Como se pode constatar num certo número de conflitos, a rejeição a garantir a inviolabilidade do ser humano não pode senão ter consequências nefastas sobre a vida social. Pois, como membro duma nação, o homem deve trabalhar com e para os seus irmãos mas, criado à imagem de Deus, o seu ser e a sua vida não se limitam ao seu aspecto comunitário. O homem espiritual está ao serviço da humanidade, mas a sociedade é ordenada à promoção do homem. 4. Assim como já escrevi na Encíclica Evangelium vitae, regozijo-me pela «consolidação de uma sensibilidade moral mais diligente em reconhecer o valor e a dignidade de cada ser humano enquanto tal, sem qualquer distinção de raça, nacionalidade, religião, opinião política, estrato social» (n. 18). Mais do que nunca, os nossos contemporâneos são então chamados a lutar para que o direito primordial à vida e a dignidade humana de todo o ser já concebido sejam protegidos, e que as sociedades desenvolvam uma cultura da vida. Neste espírito, é importante que se prossiga a formação da consciência moral dos nossos contemporâneos, a fim de que de maneira incansável possam reagir quando a dignidade humana é injuriada. Isto deve poder incluir, em particular para o pessoal da saúde, até a possibilidade, livremente reconhecida, de exercer o seu dever de objecção de consciência, para não cometer actos que as suas convicções filosóficas e a sua fé reprovam. Com efeito, aqueles que estão encarregados de cuidar dos seus irmãos definem, antes de tudo, a sua profissão como um «sim» apaixonado e tenaz à vida e à sua beleza, qualquer que seja a percepção que os outros possam ter delas. Este consentimento à vida dará aos jovens uma esperança renovada e permitir- lhes-á ter coragem em si mesmos. 5. A sua vinda à casa do Sucessor de Pedro permite-me evocar a presença dos fiéis católicos no seu país. Eles são pouco numerosos, mas apreciam a liberdade que lhes é concedida no exercício da sua vida cristã; promovendo os valores morais primordiais, que fundam a dignidade do homem e abrem à vida fraterna, eles têm, antes de tudo, o desejo de participar activamente na vida social da sua terra, num diálogo cordial e construtivo com todas as componentes da nação, sobretudo, num espírito ecuménico, com as diferentes comunidades religiosas que se encontram na Finlândia. O meu pensamento volta-se também para o conjunto dos seus compatriotas, dos quais um grande número sofre hoje os efeitos da crise económica que aflige o continente. Espero que, num impulso constante de solidariedade nacional, cada um possa encontrar o lugar que lhe compete no seio da sociedade, e ter os meios para viver na dignidade com os membros da sua família. Graças ao seu sentido convivial e aos valores do acolhimento e da partilha que os caracterizam, os seus concidadãos são também convidados a oferecer a sua contribuição específica à construção da Europa dos povos. Descobrirão de igual modo que os intercâmbios entre as nações do continente são fontes de benefícios para todos os homens e farão com que a causa da justiça e da paz progrida, para se sentirem felizes de viver na própria terra. 6. No momento em que tem início a sua missão de Representante da República da Finlândia, desejo-lhe, Senhor Embaixador, uma feliz permanência em Roma. Posso assegurar-lhe que encontrará sempre junto dos meus colaboradores um apoio atencioso e um acolhimento cordial. Sobre Vossa Excelência, sobre o povo finlandês e sobre aqueles que estão encarregados dos seus destinos no limiar do terceiro milénio, invoco de todo o coração a abundância das Bênçãos divinas.
© Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana
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