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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AO SENHOR  ELIAS NAJMEH
NOVO EMBAIXADOR DA SÍRIA
JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO
DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

24 de Abril de 1997

 

Senhor Embaixador

1. É com alegria que acolho Vossa Excelência, no momento em que apresenta as Cartas que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República Árabe da Síria junto da Santa Sé.

Agradeço-lhe, Senhor Embaixador, ter-me transmitido os votos de Sua Excelência o Senhor Hafez Al Assad, Presidente da República Árabe da Síria. Ficar-lhe-ia grato se lhe exprimisse, em contrapartida, os meus deferentes votos para a sua pessoa e pelo seu longo empenho ao serviço de todos os seus compatriotas, assim como os votos que formulo para aqueles que têm o encargo de servir a nação e para o inteiro povo da Síria.

2. Vossa Excelência evocou a importância dos valores espirituais e morais que pertencem às tradições dos seus compatriotas e dos habitantes da sua região, marcada pela história de São Paulo, uma das colunas da Igreja, o qual se esforçou com denodo para desenvolver estes mesmos valores junto dos povos com os quais se encontrava. Ainda hoje, deve-se privilegiar estes valores, que favorecem um diálogo autêntico entre os membros das religiões monoteístas e que reconhecem a paridade das pessoas e dos diferentes grupos religiosos no seio da sociedade. Como eu recordava recentemente, os dirigentes das Nações têm a grave responsabilidade de «orientar, com as suas decisões, a convivência entre povos, culturas e religiões diversas » (Mensagem Urbi et Orbi, 30 de Março de 1997, n. 5).

3. O diálogo, cuja importância foi acentuada por Vossa Excelência, supõe a liberdade de consciência e a liberdade religiosa das pessoas e famílias. Esta liberdade fundamental é para todos os crentes uma escola de humanidade e de fraternidade (cf. Mensagem por ocasião do cinquentenário do final da segunda guerra mundial na Europa, 8/5/1995, n. 12). Ela contribui para a edificação duma sociedade cada vez mais convivial. Com efeito, pelo respeito da sua identidade espiritual própria, os homens e as mulheres sentem-se valorizados no seu ser e estão assim mais aptos para se empenhar no desenvolvimento social do próprio país, que eles amam porque é a sua terra de origem. Esta visão deve inspirar a situação regional, e cada um deve esforçar-se, apesar das dificuldades, por sustentar a busca duma paz global, justa e duradoura.

Mas, em todas as nações, «a paz não poderá ser justa nem duradoura, se não estiver apoiada sobre o diálogo leal entre parceiros iguais, no respeito da identidade e da história de cada um, se não se apoiar sobre o direito dos povos à livre determinação do próprio destino, sobre a sua independência e segurança » (Discurso ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé, 13/1/1997, n. 3).

Como os seus irmãos muçulmanos, os católicos da Síria haurem o seu dinamismo da prática religiosa, necessária para a sua fé, no seio de comunidades vivas chamadas a reunir-se regularmente à volta dos seus pastores. Embora pouco numerosos no seu país, eles desejam empenhar-se no serviço da paz e da construção nacional, ao lado dos seus compatriotas. É do seu conhecimento, Senhor Embaixador, que os esforços da Igreja e dos cristãos estão orientados, de modo particular, para o bem integral das pessoas e dos povos, em razão mesmo da missão espiritual, religiosa e moral da Igreja no seio da comunidade internacional, missão à qual Vossa Excelência amavelmente se referiu.

4. Sinto-me particularmente sensível às palavras de estima do seu Governo para com os esforços envidados pela Sé Apostólica em favor da paz, da justiça e do diálogo inter-religioso. No mundo inteiro, a Igreja católica esforça-se por se fazer a intérprete da sede de dignidade e de justiça dos seus contemporâneos, e por conduzir os homens pelo caminho da paz; ela reconhece e louva a atenção da comunidade internacional e as numerosas acções empreendidas neste sector ao longo dos anos passados. Mas, de igual modo, avalia o caminho que ainda deve ser percorrido, para que cada povo encontre de novo a sua liberdade sem ambiguidade, e cada país, a sua soberania completa (cf. Discurso ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé, 12/1/1991, n. 7). Na causa da paz, a Igreja, que tem um papel distinto daquele das Autoridades civis, deseja unicamente servir o bem comum (cf. Gaudium et spes, 76).

É em razão desta atenção específica ao homem que, sem tomar o lugar das Autoridades legítimas dos países, a Igreja e os fiéis de Cristo presentes nas diferentes nações desejam também participar na educação das consciências para os princípios essenciais e os valores fundamentais da vida social, como o respeito da dignidade inalienável de todo o ser humano, a solidariedade e a fraternidade entre todas as componentes humanas duma nação.

5. No momento em que inicia a sua missão, apresento-lhe os meus melhores votos. Vossa Excelência pode estar certo de que encontrará sempre junto dos meus colaboradores um acolhimento atencioso e uma compreensão cordial, a fim de levar a bom termo a sua actividade.

Sobre Vossa Excelência, sobre os dirigentes e sobre o povo da Síria, invoco de todo o coração as Bênçãos do Omnipotente.

 

© Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana

 

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