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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR ELTIGANI
SALIH FIDAIL NOVO EMBAIXADOR DO SUDÃO JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO D
APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS
24 de Abril de 1997
Senhor Embaixador
1. Seja bem-vindo ao Vaticano, onde tenho o prazer de acolher
Vossa Excelência, por ocasião da apresentação das Cartas que o acreditam como
Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República do Sudão junto da
Santa Sé.
Agradeço-lhe as saudações que me dirigiu em nome de Sua Excelência o
Presidente Omer Hassan Ahmed Elbashir e do povo sudanês. Ficar-lhe-ia grato se
se dignasse transmitir-lhe os votos que formulo para a felicidade e a
prosperidade da nação inteira. Oro ao Altíssimo para que inspire em cada um os
sentimentos de compreensão mútua e de fraternidade, que permitirão a edificação
duma sociedade mais justa e mais solidária, fundada sobre um efectivo
reconhecimento dos direitos de todos os seus componentes.
2. No seu discurso, Vossa Excelência apresentou os esforços feitos pelo Sudão a
fim de chegar à paz e garantir os direitos de cada cidadão. É necessário, com
efeito, que todas as nações reconheçam verdadeiramente os direitos fundamentais
da pessoa, na diversidade das comunidades humanas e religiosas que as compõem.
As diferenças, muitas vezes compreendidas como um peso ou uma ameaça contra a
unidade nacional, manifestam ao contrário a riqueza e a grandeza da natureza
humana, criada por Deus de tal maneira que todos os que nela participam formem
uma única família humana. A paz constrói-se sobre uma verdadeira solidariedade
entre as pessoas e entre os grupos humanos.
3. Vossa Excelência quis evocar a contribuição da Santa Sé à paz. É dever da
Igreja recordar infatigavelmente a dignidade inalienável da pessoa humana,
quaisquer que sejam a sua origem, raça, sexo, cultura ou religião. Isto
significa que as comunidades humanas, mesmo quando são minoritárias, devem
poder existir com as suas características próprias, e que é dever do Estado
reconhecer-lhes o legítimo lugar, respeitando-as e fazendo com que as suas
diferenças sejam um contributo para o bem comum. Este direito à existência
inclui o da liberdade de se voltar para o Criador, segundo a sua própria
consciência, para procurar a verdade e poder aderir a ela sem coacção, assim
como de manifestar de maneira livre e pública a sua fé, gozando com toda a
segurança dos lugares de culto, de educação e de serviço social. Como tive
oportunidade de declarar diante da 50ª Assembleia Geral das Nações Unidas, todas
as comunidades humanas devem ser respeitadas nas suas buscas de responder ao
problema da vida humana. «Neste contexto, torna-se-nos possível constatar como
é importante preservar o direito fundamental à liberdade religiosa e à liberdade
de consciência, como pilares essenciais da estrutura dos direitos humanos e
fundamento de cada sociedade verdadeiramente livre. Ninguém tem o direito de
sufocar estes direitos usando o poder de coerção para impor uma resposta ao
mistério do homem» (Discurso à ONU, 5/10/1995, n. 10; ver L’Osserv. Rom. ed. port.
de 14/10/95, pág. 4).
4. O diálogo entre os crentes das diversas tradições religiosas, no qual os
católicos estão empenhados, deve ser o esforço de cada um para permitir, na
verdade, uma compreensão melhor a fim de que a paz e a justiça se instaurem de
maneira estável entre todos os cidadãos. Nesta perspectiva, a Igreja católica
deseja vivamente que cristãos e muçulmanos possam trabalhar juntos em prol do
desenvolvimento do seu país, no respeito mútuo das convicções de cada um,
livremente manifestadas.
5. A sua presença nestes lugares testemunha o desejo do seu país de atribuir um
lugar importante aos valores espirituais,
necessários para a edificação duma sociedade deveras humana. Faço votos por que
a sua missão contribua para fortalecer as relações de compreensão mútua entre o
Sudão e a Sé Apostólica, para o bem de todos os sudaneses, cristãos e
muçulmanos.
6. Por seu intermédio, permita-me, Senhor Embaixador, saudar a
comunidade católica do Sudão, cujas provas e coragem conheço. Unida aos seus
Pastores, que ela continue firme na fé e ponha a sua esperança no poder de Deus,
que ouve o apelo daqueles que são fracos e indefesos. Encorajo os católicos a
testemunharem com ardor, a exemplo da Beata Bakhita, a caridade de Cristo no
meio dos seus irmãos e das suas irmãs. Saibam que a Igreja inteira é solidária
com todos aqueles que, no seu país, sofrem no corpo ou no coração!
7. No momento em que tem início a sua missão, apresento-lhe os meus melhores
votos para o seu bom desenvolvimento. Esteja certo de que encontrará sempre aqui
um acolhimento atencioso
e uma compreensão cordial junto dos meus colaboradores. Sobre Vossa Excelência e
sobre o inteiro povo sudanês invoco do íntimo do coração as Bênçãos do
Altíssimo.
© Copyright 1997 - Libreria
Editrice Vaticana
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