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XII JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE
79ª VIAGEM APOSTÓLICA DE JOÃO PAULO II – PARIS
MEDITAÇÃO DO SANTO PADRE NO ENCONTRO COM
OS JOVENS
Paris, 21 de Agosto de 1997
Queridos Jovens
1. Acabámos de escutar o Evangelho do
lava-pés. Mediante este gesto de amor, na noite de Quinta-Feira Santa, o Senhor
ajuda-nos a compreender o sentido da Paixão e da Ressurreição. O tempo que
juntos viveremos está relacionado com a Semana Santa e, em particular, com os
três dias que nos recordam o mistério da paixão, da morte e da ressurreição de
Cristo. Isto está relacionado também com o processo de iniciação cristã e do
catecumenato, ou seja, da preparação dos adultos para o baptismo, que na Igreja
primitiva possuía um valor fundamental. A liturgia da Quaresma assinala as
etapas da preparação dos catecúmenos para o Baptismo, celebrado durante a
Vigília pascal. No decurso dos próximos dias, acompanhemos Cristo nas últimas
etapas da Sua vida terrestre e contemplemos os grandiosos aspectos do mistério
pascal, para afirmarmos a fé do nosso Baptismo; manifestemos todo o nosso amor
ao Senhor, como Pedro o fez, dizendo- Lhe por três vezes à margem do lago,
depois da Ressurreição: «Tu sabes que Te amo!» (cf. Jo 21, 4-23).
Na
Quinta-Feira Santa, mediante a instituição da Eucaristia e do sacerdócio, bem
como através do lava-pés, Jesus demonstrou claramente aos Apóstolos congregados
o sentido da sua Paixão e da sua Morte. Também os introduziu no mistério da nova
Páscoa e da Ressurreição. No dia da Sua condenação e da sua Crucifixão por amor
dos homens, entregou a própria vida ao Pai, para a salvação do mundo. Na manhã
de Páscoa, as santas mulheres e em seguida Pedro e João, encontraram o túmulo
vazio. O Senhor ressuscitado apareceu a Maria Madalena, aos discípulos de Emaús
e aos Apóstolos. A morte não teve a última palavra. Jesus saiu vitorioso do
túmulo. Depois de se terem retirado no Cenáculo, os Apóstolos receberam o
Espírito Santo, que lhes concedeu a força de serem missionários da Boa Nova.
2.
O lava-pés, manifestação do amor perfeito, constitui o sinal de reconhecimento
dos discípulos. «Vós deveis fazer a mesma coisa que Eu fiz» (Jo 13, 15). Jesus,
Mestre e Senhor, deixa o Seu lugar à mesa para tomar o do servo. Inverte as
funções, manifestando a novidade radical da vida cristã. Demonstra humildemente
que amar com palavras e actos consiste antes de mais em servir os próprios
irmãos. Quem não aceita esta condição, não pode ser discípulo. Pelo contrário,
quem serve recebe a promessa da salvação eterna.
Desde o nosso Baptismo,
renascemos para a vida nova. A existência cristã exige que progridamos ao longo
do caminho do amor. A lei de Cristo é a lei do amor. Transformando o mundo à
maneira de um fermento, essa desarma os violentos e cede o lugar deles aos mais
fracos e aos pequeninos, chamados a anunciar o Evangelho. Mediante a recepção do
Espírito, o discípulo de Cristo é impelido a pôr-se ao serviço dos seus irmãos
na Igreja, na família, na vida profissional, nas numerosas associações e na vida
pública, a nível tanto nacional como internacional. Este processo é, de alguma
forma, a continuação do baptismo e da confirmação. Servir é o caminho da
felicidade e da santidade: assim, a nossa vida torna-se um caminho de amor
rumo a Deus e aos nossos irmãos. Ao lavar os pés aos
discípulos, Jesus antecipa a humilhação da morte na Cruz, mediante a qual há-de
servir o mundo de maneira absoluta. Ele demonstra que o Seu triunfo e a Sua
glória passam através do sacrifício e do serviço: este é o caminho de todo o
cristão. Não há maior amor que dar livremente a própria vida pelos amigos (cf.
Jo 15, 13), pois o amor salva o mundo, constrói a sociedade e prepara a
eternidade. Assim, sereis os profetas de um mundo novo. O amor e o serviço sejam
as regras primordiais da vossa vida! No sacrifício de vós mesmos, havereis de
descobrir o que recebestes e, por vossa vez, recebereis a dádiva de Deus.
3.
Estimados jovens, como membros da Igreja, compete-vos dar continuidade ao gesto
do Senhor: o lava-pés prefigura todas as obras de amor e de misericórdia que os discípulos de Cristo realizarão ao longo de toda a história, para
fazer com que aumente a comunhão entre os homens. Hoje, também vós sois chamados
a comprometer-vos neste sentido: aceitando seguir Cristo, vós anunciais que o
caminho do amor perfeito passa através do dom total e constante de vós mesmos.
Quando os homens sofrem, quando são humilhados pela miséria ou pela injustiça e
são espezinhados nos seus direitos, apressai-vos em servi-los; a Igreja convida
todos os seus filhos a empenharem-se a fim de que cada pessoa possa, antes de
tudo, viver e ser reconhecida na sua dignidade originária de filho de Deus. Cada
vez que servimos os nossos irmãos, não nos afastamos de Deus; muito pelo
contrário, encontramo-Lo no nosso caminho e servimo-Lo. «Aquilo que fizestes
ao mais pequenino dos meus irmãos, foi a Mim mesmo que o fizestes» (cf. Mt 25,
40). Desta forma, damos glória ao Senhor, nosso Criador e Salvador, fazemos
crescer o Reino de Deus no mundo e contribuímos para o progresso da
humanidade. A fim de evocar esta missão essencial dos cristãos para com cada
homem, particularmente para com os mais pobres, eu quis rezar no Trocadéro, no
santuário dos direitos humanos, desde o início da Jornada Mundial da Juventude.
Hoje rezemos juntos, de maneira especial pelos jovens que não dispõem da
possibilidade nem dos meios para viver dignamente e receber a educação necessária para o seu crescimento humano e espiritual, devido à miséria, à
guerra ou à enfermidade. Estejam certos do afecto e do apoio da Igreja!
4. Quem
ama não faz cálculos, não busca vantagens. Age secreta e gratuitamente em
benefício dos seus irmãos, sabendo que cada homem, quem quer que seja, tem um
valor infinito. Em Cristo, não há pessoas inferiores ou superiores. Não existem
senão os membros de um único corpo, que querem a felicidade uns dos outros e
desejam construir um mundo hospitaleiro para todos. Mediante gestos de
solicitude e através da nossa participação activa na vida social, testemunhamos
perante o nosso próximo que desejamos ajudá-lo a tornar-se ele mesmo e a dar o
melhor de si próprio, para a sua promoção pessoal e para o bem de toda a
comunidade humana. A fraternidade exclui a vontade da potência e o serviço
elimina a tentação ao poder.
Prezados jovens, trazeis em vós mesmos capacidades extraordinárias de dom, de
amor e de solidariedade. O Senhor quer reavivar esta imensa generosidade que
anima o vosso coração. Convido- vos a ir beber na fonte da vida que é Cristo, a
fim de inventardes todos os dias os
meios para servir os vossos irmãos no seio da sociedade em que vos compete
assumir as vossas responsabilidades de homens e de fiéis. A humanidade tem
necessidade de vós nos campos sociais, científicos e técnicos. Procurai
aperfeiçoar incessantemente as vossas qualificações profissionais, a fim de
exercerdes a vossa profissão com competência e, ao mesmo tempo, não
negligencieis o aprofundamento da vossa fé, que há-de iluminar todas as decisões
que tereis de tomar em vista do bem dos irmãos, na vossa vida pessoal e no vosso
trabalho. Enquanto quereis ser reconhecidos pelas vossas qualidades
profissionais, como não havereis também o desejo de crescer na vida interior,
manancial de todo o dinamismo humano?
5. O amor e o serviço dão
sentido à nossa vida, tornando-a bela, pois sabemos porque e por quem nos
empenhamos. É em nome de Cristo que foi o primeiro a amar-nos e a servir-nos. O
que há de mais importante do que estarmos consciente do facto que somos amados
Como deixar de responder com júbilo à expectativa do Senhor? O amor é o
testemunho por excelência que abre à esperança. O serviço aos irmãos transfigura
a existência; manifesta que a esperança e a vida fraterna são mais vigorosas que
toda a tentação ao desespero. O amor pode triunfar em todas as circunstâncias.
Desconcertado pelo gesto humilde de Jesus, Pedro diz-Lhe: «Senhor, Tu vais
lavar-me os pés?», «Tu nunca vais lavar-me os pés!» (Jo 13, 6.8). Assim como ele,
também nós precisamos de algum tempo para compreender o mistério da salvação e
às vezes recusamo-nos a percorrer o caminho estreito do amor. Só quem se deixa
amar pode, por sua vez, amar. Pedro permitiu que o Senhor lhe lavasse os pés.
Deixou-se amar e só então compreendeu. Queridos jovens, fazei a experiência do
amor de Cristo: tomareis consciência daquilo que Ele fez por vós e então
havereis de compreender. Somente quem vive em intimidade com o seu Mestre pode
imitá-Lo. Quem se nutre do Corpo de Cristo encontra a
força do gesto fraterno. Assim, entre Cristo e o Seu discípulo entretece-se um
relacionamento de proximidade e união, que transforma profundamente o ser, para
dele fazer um servo. Estimados jovens, chegais a perguntar-vos como servir a
Cristo. No lava-pés, encontrais a via real para alcançar Cristo, imitando-O e
descobrindo-O nos vossos irmãos.
6. Mediante o vosso apostolado, propondes aos
vossos irmãos o Evangelho da caridade. Lá onde o testemunho da palavra é difícil
ou impossível, em um mundo que não o aceita, através da vossa atitude tornais
presente Cristo servo, pois a vossa acção está em consonância com o ensinamento
d’Aquele a Quem vós anunciais. Trata-se de uma forma eminente de profissão da
fé, que foi praticada com humildade e perseverança pelos santos. É um modo de
significar que é possível sacrificar tudo à verdade do Evangelho e ao amor dos
próprios irmãos, como Cristo o fez. Ao conformarmos a nossa vida com a Sua,
vivendo como Ele no amor, adquirimos a verdadeira liberdade para respondermos à
nossa vocação. Isto às vezes pode exigir o heroísmo moral, que consiste em
empenhar-se com coragem no seguimento de Cristo, com a certeza de que o Mestre
nos indica o caminho da felicidade. É somente em nome de Cristo que se pode ir
até ao extremo do amor, no dom e no desapego.
Caríssimos jovens, a Igreja tem
confiança em vós. Conta convosco para serdes testemunhas do Ressuscitado durante
a vossa vida inteira. Agora ireis aos lugares onde se hão-de realizar as
diversas vigílias. Festivamente ou em meditação, dirigi o vosso olhar para
Cristo, a fim de penetrardes no sentido da mensagem divina e encontrardes a
força para a missão que o Senhor vos confia no mundo, quer esta seja num
compromisso de leigo, quer na vida consagrada. Vivendo assim a vossa existência
quotidiana, com lucidez e esperança, mas sem tristeza nem desencorajamento,
partilhando as vossas experiências, haveis de perceber a presença de Deus, que
vos acompanha com docilidade. À luz da vida dos santos e de outras testemunhas
do Evangelho, ajudai-vos uns aos outros a confirmar a própria fé e a ser os
apóstolos do ano 2000, recordando ao mundo que o Senhor nos convida à Sua
alegria e que a verdadeira felicidade consiste em dar-se por amor dos irmãos!
Oferecei a vossa contribuição à vida da Igreja, que tem necessidade da vossa
juventude e do vosso dinamismo.
No termo do encontro o Papa despediu-
se dos jovens proferindo estas palavras:
Agora sabe-se por que o engenheiro
Eiffel construiu esta torre. Para ter aqui, à volta dela, um grande encontro da
juventude: o Dia mundial, que acabámos de inaugurar e que continuará amanhã e
depois de amanhã, até domingo. Então, até à vista, até logo! Uma sugestão para
esta noite: bom sono a todos!
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