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XII JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE
79ª VIAGEM APOSTÓLICA DE JOÃO PAULO II – PARIS

MENSAGEM DO PAPA AOS JOVENS REUNIDOS
 PARA A VIGÍLIA DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

 

Ao Venerado Irmão D. LOUIS-MARIE BILLÉ
Arcebispo de Aix, Arles e Embrun
Presidente da Conferência Episcopal Francesa

Por intenção dos jovens reunidos em Notre-Dame de Paris
na quinta-feira, 21 de Agosto de 1997,
para reflectir e orar pelas vocações

Queridos jovens

1. O meu coração de Bispo de Roma dirige-se a vós que vos sentis chamados a seguir Cristo, no ministério sacerdotal ou na vida consagrada. Estais na presença do Senhor, para Lhe pedir que envie missionários do Evangelho, para Lhe exprimir o vosso desejo de O servir, para reavivar o dom que Deus pôs em vós (cf. 2 Tm 1, 6) e para demonstrar a vossa disponibilidade interior: «Senhor, que esperais de mim?». Estais reunidos diante da catedral de Notre-Dame de Paris. Cada catedral é um lugar particularmente significativo. É o centro da Igreja diocesana, a sede do Bispo, encarregado da unidade entre todas as comunidades locais. Com efeito, é à volta dos Bispos, sucessores dos Apóstolos, que se constrói a Igreja, cuja pedra angular é Cristo.

Com o Apóstolo, exorto-vos: «Meus irmãos, cuidai cada vez mais em assegurar a vossa vocação e eleição» (2 Pd 1, 10). Ponde-vos à escuta do Espírito, «é Ele que torna viva e actual a Palavra, ajudando a haurir dela o valor e as exigências » (Mensagem para o Dia Mundial das Vocações de 1997, n. 2). O vosso primeiro acto diante do Senhor seja a acção de graças, pelas vossas famílias e pelas comunidades cristãs que vos ajudaram e sustentaram no vosso crescimento humano e na maturação da vossa vocação, mediante a sua presença e a sua oração.

O requisito necessário ao ministério apostólico e à vida consagrada é a vossa formação espiritual, mediante a qual se unificam a vossa personalidade e a vossa existência. Descobris a importância da oração para a Igreja e para o mundo. Convido-vos a passar algum tempo em companhia do Senhor, para aprenderdes «a viver em união familiar e assídua com o Pai por meio de Seu Filho Jesus Cristo, no Espírito Santo» (Conc. Ecum. Vat. II, Optatam totius, 8). Procurai Cristo numa meditação fiel da Palavra de Deus, na comunhão activa dos mistérios da Igreja, e em primeiro lugar na Eucaristia e no Ofício divino (cf. ibid.). Na castidade perfeita, quereis recordar que Deus é preferível a tudo, sem por isso suprimir o valor de outros compromissos humanos, e que o homem encontra a sua felicidade ao consagrar- se ao Senhor.

2. Caros seminaristas! Durante a noite, meditareis o gesto de Cristo servidor de todos os homens que, na Quinta-Feira Santa, instituiu a Eucaristia e o Sacerdócio; deste modo, a Sua presença real realiza-se mediante o seu Corpo e o seu Sangue, e a Sua ternura manifesta-se no perdão. Escutastes o apelo de Deus e quereis segui-lo. É bonito desejar aceder ao sacerdócio ministerial, mas convém que a escolha de Deus seja confirmada pela Igreja, à qual compete discernir a qualidade da vossa vocação. Com efeito, Cristo chama através da sua Igreja, significando-nos assim que nós não somos senão depositários do tesouro divino e que a missão é um mandato da parte do Senhor. Esta noite, quereis de facto depositar a vossa vida diante de Cristo e manifestar- Lhe o vosso desejo de O servir como Ele quiser. A disponibilidade e o despojamento de si são as atitudes fundamentais para cada homem que deseja cumprir a vontade do Senhor.

3. Para os vossos Bispos sois como que a «pupila do olho» (Dom e mistério, 10); o Seminário é «uma continuação na Igreja da mesma comunidade apostólica reunida à volta de Jesus, escutando a Sua palavra, caminhando para a experiência da Páscoa, esperando o dom do Espírito para a missão» (Pastores dabo vobis, 60). Sois a alegria dos vossos Bispos, que olham para a Igreja diocesana através do Seminário e que nele se tornam presentes mediante os educadores. Sois um dom para a Igreja, que lhe permite voltar-se com confiança para o futuro. O povo de Deus inteiro alegra-se quando jovens aceitam preparar-se para o sacerdócio, o que é indispensável para o seu crescimento e a sua santificação.

4. Durante os vossos anos de Seminário, estais reunidos pelo Espírito Santo numa única fraternidade; este tempo de vida comunitária é uma verdadeira experiência eclesial, que vos prepara para a vida no seio do presbitério, na diversidade dos carismas e das sensibilidades que comporta; deste modo, sentir-vos-eis cada dia mais membros da Igreja diocesana. Deveis adquirir uma formação intelectual, que concorra para o conhecimento do mistério de Cristo e vos prepare para o anúncio do Evangelho, com um grande amor pela verdade (cf. Optatam totius, 14-16). Com o apoio da comunidade do Seminário, podereis alcançar uma certa maturidade humana. Esforçai-vos por viver as virtudes teologais e morais, por desenvolver o domínio de vós mesmos e formar o vosso carácter, a fim de serdes modelos de vida cristã, praticando desde agora o que devereis ensinar (cf. Ritual da ordenação dos sacerdotes, preliminares n. 102; Conc. Ecum. Vat. II, Lumen gentium, 28). Com a escolha do celibato, livre e maduramente reflectida, podereis manifestar o dom total de vós mesmos ao Senhor e à missão. A ordenação identifica de maneira sacramental a Cristo e confere um carácter que envolve todo o ser.

5. Os sacerdotes não «se destinam ao mando, nem às honras, mas devem ocupar- se totalmente no serviço de Deus e no ministério pastoral» (Optatam totius, 9). Isto supõe estar impregnado do mistério da Igreja e ter um profundo amor pelos homens. «Quanto mais cada um amar a Igreja de Cristo, tanto mais terá o Espírito Santo» (Santo Agostinho, In Io. Tract. 32, 8). Não se pode anunciar o Evangelho aos homens senão quando se está próximo deles e se conhecem, a partir do interior da sociedade humana, as suas evoluções e necessidades. Ao mesmo tempo, aprendei a trabalhar com os leigos, cuja influência humana e espiritual será para vós um grande enriquecimento (cf. Exort. Apost. pós-sinodal Christifideles laici, 61-63; Carta Apostólica Mulieris dignitatem, 29-31), pois, todos nós estamos empenhados na mesma missão.

6. Convido-vos a viver uma relação confiante de obediência e de comunhão com o Bispo da vossa diocese: ele é «o primeiro representante de Cristo na formação dos sacerdotes» (Pastores dabo vobis, 65); é a ele que compete, juntamente com os responsáveis das vocações, determinar o lugar e as modalidades da vossa formação; o despojamento de si para o serviço da Igreja e o seguimento de Cristo passam através da entrega da própria vida e do seu futuro nas mãos do Bispo, tal como isto se realiza simbolicamente durante a ordenação, para conduzir a sua acção na perspectiva da caridade pastoral. É na obediência que fazemos a vontade de Deus. Essa atitude fortalece o sentido do serviço e da disponibilidade para a missão eclesial e a abertura à pastoral diocesana; estareis então ligados ao Bispo «como fiéis cooperadores, colaborando em fraterna caridade com os seus irmãos» (Optatam totius, 9).

7. Caros jovens que pensais na vida religiosa ou no empenho num Instituto de vida consagrada, a Igreja tem em grande estima a vida consagrada, da qual Cristo é o modelo (cf. Conc. Ecum. Vat. II Perfectae caritatis, 25). É uma grande graça terdes sido escolhidos pelo Senhor. Pela prática dos conselhos evangélicos, pela vossa vida de oração e o exercício da caridade, desvelais aos homens o rosto de Deus e participais de modo activo no crescimento do povo de Deus. Quereis doar-vos ao Senhor com um coração «indiviso» (cf. 1 Cor 7, 34), como os Apóstolos que deixaram tudo para permanecer com Cristo e se porem, como Ele, ao serviço de Deus e dos seus irmãos. Deste modo, contribuireis para manifestar o mistério e a missão da Igreja através dos múltiplos carismas de vida espiritual e apostólica, que o Espírito Santo concede, e oferecereis a vossa contribuição à renovação da sociedade (cf. Vita consecrata, 1).

8. Convido todos vós a orar pelos jovens que, espalhados pelo mundo, escutam o apelo do Senhor e por aqueles que podem ter medo de Lhe responder. Oxalá encontrem ao redor de si educadores para os guiar! Possam eles perceber a grandeza da sua vocação: amar Cristo acima de tudo, como um apelo à liberdade e à felicidade! Orai para que a Igreja vos ajude no vosso caminho e realize um justo discernimento! Orai para que as comunidades cristãs saibam sempre retransmitir o chamamento do Senhor às jovens gerações! Comigo, dai graças ao Senhor «pelo dom da vocação, pela graça do sacerdócio, pelas vocações sacerdotais no mundo inteiro» (Dom e mistério, 10). Dai-Lhe graças pelas pessoas consagradas! Dai-Lhe graças pelas famílias, pelas paróquias e pelos movimentos, berços de vocações! Fortalecei a vossa confiança filial na Mãe de Deus, pois os ministros ordenados e a Igreja inteira têm muito a aprender de Maria (cf. Redemptoris Mater, 43). Sede verdadeiras testemunhas da fé e da caridade, dispostos a dar a vossa vida para a glória de Deus e para a salvação do mundo. Deus continue em vós a obra que Ele já começou!

Paris, 21 de Agosto de 1997.

 

 

 

 

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